Crítica | Os Papéis de Aspern

Baseado na obra de Henry James publicada em 1888, “Os Papéis de Aspern” se passa no final do século 19 e narra a história de um ambicioso editor norte-americano obcecado pelo poeta romântico Jeffrey Aspern. Determinado a conseguir as cartas que Aspern escreveu a Juliana, sua amante, anos antes, o editor viaja a Veneza e conhece uma misteriosa idosa e sua sobrinha, que vivem em uma imponente, mas decadente, mansão.

Assumindo uma falsa identidade e mascarando, ao menos inicialmente, suas reais intenções, o visitante seduz a sobrinha da dona da casa, convencendo a moça a ajudá-lo em sua busca pelas cartas. Quando a mulher descobre o que se passa, decide manter sua ajuda, todavia, sob condições que o editor não pode aceitar. Com isso, o futuro das cartas – e o mistério por trás de seu conteúdo – está em jogo.

O longa começa com uma introdução bem simples, boa, e de fácil entendimento, onde temos a apresentação de Jeffrey Aspern, e não precisaremos de mais apresentações durante o decorrer da trama.


O elenco do filme conta com grandes atores e atrizes que já vimos diversas vezes nas telonas. Muitos deles, já vimos em filmes grandes!

Talvez você não se lembre ao mencionarmos os nomes deles aqui nessa crítica, mas ao assistir o filme, você reconhecerá os rostos. Depois se preferir, você pode dar um Google, que você vai se lembrar de todos eles!

Que Jonathan Rhys Meyers é um ótimo ator, isso todo mundo sabe, e neste longa, ele vive o editor norte-americano Morton Vint, um homem bem arrumado, elegante, que sabe conversar e é muito educado – transparece ser um homem rico. Seu personagem toma muito a nossa atenção durante todo o filme, principalmente porque sabemos quais são suas intenções ao ir morar na mansão de Juliana Bordereau, e também pela maneira com que cada ação se desenvolve na trama.

Juliana Bordereau é interpretada por Vanessa Redgrave, uma premiada atriz britânica que hoje aos seus 82 anos de idade vive de forma maravilhosa a sua personagem, que é muito da espertinha. A personagem Juliana Bordereau é a principal, a única que durante 95% do longa sabe o verdadeiro segredo das cartas do poeta Jeffrey Aspern, pois era a sua amante.

A sobrinha mais boazinha que você verá na sua vida se chama Tina, e é interpretada pela atriz Joely Richardson, que pra quem não sabe na vida real é filha da Vanessa Redgrave. Juro que não vi semelhança alguma nas duas durante a trama, o que me faz querer elogiar demais quem realizou a caracterização das duas para o filme, pois em momento algum eu desconfiei disso. A atuação dela é pleníssima, pois sua personagem é praticamente uma devota da tia, faz tudo que ela quer e morre de medo de sair e deixá-la sozinha.

O poeta romântico Jeffrey Aspern é vivido pelo ator Jon Kortajarena, que provavelmente você já viu em alguma campanha de marcas bem famosas, como por exemplo Jean Paul Gaultier, Versace, Giorgio Armani e muitas outras, pois ele é um modelo internacional muito conhecido. O seu personagem é citado durante o filme todo, claro! Porém, são poucas as cenas dele, que na maioria das vezes são recordações, lembranças de Juliana em algumas partes do filme.

A história é muito bem contada, e se você estiver com sono quando for ver o filme, saiba que não vai tirar um cochilinho se quer, porque ela realmente é muito boa e você não vai querer perder nenhum detalhe.

Uma das coisas que eu gosto muito de observar nos filmes, é a caracterização dos personagens, pois ela influencia a história, e faz a trama ser mais verdadeira, e esse filme não peca nisso, pois a caracterização dos personagens é muito bem feita. Os trajes foram desenhados pela figurinista austríaca Birgit Hutter, que arrasou demais, vocês vão adorar.

A fotografia do filme é muito bela, não temos nem como reclamar. O filme foi gravado no verão de 2017, no local original, Veneza. O principal cenário utilizado foi o Palazzo Bordereau, onde Juliana esconde suas cartas. Palazzo Dona Delle Rose não era apenas uma bela e impressionante locação, mas também fugia um pouco do roteiro turístico – um fato a não ser subestimado quando você filma em Veneza na alta temporada, como a produtora fez.

O filme ainda conta com diversas cenas em um jardim bem lindo, que foram filmadas nos jardins do Palazzo Sorranzo Capello com seu belo templo, que são os verdadeiros jardins que inspiraram Henry James a escrever a sua novela.

E por fim, o Palazzo da senhora Prest, foi filmado no lindo Palazzo Wildman.

A trilha sonora do filme é uma combinação de obras clássicas de Franz Liszt e Richard Wagner, e uma trilha sonora original do compositor francês Vincent Carlo, com modernos riffs de guitarra para ressaltar a angústia adolescente da época, retratando Aspern como o “Kurt Cobain” de seus tempos. A edição sutil e fluida do editor alemão Hansjörg Weissbrich define compasso e ritmo – reforçados pela música – à tensão criada pelo comportamento obsessivo de Morton.

O filme tem previsão de estreia nos cinemas brasileiros em 23 de Maio.

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