ter, 4 outubro 2022

Crítica | Pinóquio (2022)

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A Disney vem ao longo do tempo, preferindo produzir live-action de seus clássicos animados do que criar novas histórias. Produções como: A Bela e a FeraO Rei LeãoMogli: O Livro da SelvaAladdin e outras, são alguns exemplos de produções que entraram nessa galeria de “remakes estilizados”, que tem como única função reciclar o conteúdo do estúdio para apresentar as obras a um novo público. Como presente aos fãs, pelo segundo aniversário de lançamento do streaming do Disney+, a Disney lança mais um live-action! Dessa vez o de Pinóquio. A produção é inspirada na fábula do boneco de madeira que embarca em uma emocionante aventura para se tornar um menino de verdade. Gepeto (Tom Hanks), o entalhador de madeira que constrói e trata Pinóquio (Benjamin Evan Ainsworth) como se fosse seu próprio filho.

Com o avanço da tecnologia, algumas produções em live-action baseadas nos clássicos da Disney conseguiram corrigir falhas que as animações tinham e outras conseguiram até elevar o nível da mensagem da produção junto ao grande público. Mas é inegável, que em todas essas novas versões a magia, que as animações tinham, se perdeu. Isso é o que acontece com Pinóquio. A produção dirigida por Robert Zemeckis (Náufrago) apresenta situações pontualmente encantadoras e interessantes que nunca são desenvolvidas completamente, o que é uma pena. O maior exemplo disso é a nova versão de Gepeto, vivido por Tom Hanks (Elvis), que é apresentado na história como um homem gentil que vive melancólico em sua oficina, construindo um boneco não apenas porque ele quer um menino (como na história original), mas porque ele perdeu seu filho. Isso dá um grande peso a narrativa, mas é deixado de lado por opção do estúdio que não deseja ousar. Com isso, a história fica confusa pelos sucessivos cortes feitos na história, nas tramas escanteadas e no final que é jogado pro espectador.

O elenco conta com grandes nomes e alguns deles são são subaproveitados em prol da produção querer, a todo custo inserir, canções que são chatas e só atrapalham a história. Cynthia Erivo (Harriet) é um exemplo disso, a atriz interpreta a Fada Azul e perde toda a sua importância na trama, em prol de nada. O roteiro é escrito por Zemeckis em parceria com Chris Weitz (Um Grande Garoto) e cria diálogos muito artificiais sobre o que realmente torna alguém real, as atualizações que o roteiro tenta implementar não funcionam tão bem e o controle narrativo do estúdio sobre a trama prejudica muito filme, em todos os aspectos possíveis. Quem saí perdendo é o espectador. Para piorar, o filme é feito em 80% usando telas verdes e o uso de CGI tem altos e baixos. Vemos um boneco em CGI que parece muito real e merece aplausos, mas também temos um gato e outros elementos em CGI que não parecem terem sido tão bem concluídos e soam muito artificiais. Essa indecisão na composição dos personagens e do ambiente, só faz afastar o espectador ainda mais da história e da sua mensagem, seja qual ela for.

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Por fim, deveria ser um crime o que fizeram com a trilha sonora do filme! Canções como “Give a Little Whistle” e outras canções do original foram excluídas do filme e as novas músicas inseridas são péssimas, sem vida e só conseguem atrapalhar o rumo da história.

O novo filme da Disney sobre Pinóquio não tem alma ou coração! Resta torcer que o mesmo não aconteça na versão de Guilherme Del Toro que será lançada ainda neste ano na Netflix. Caso queira assistir o filme, opte pela animação original e agradeça por esse conselho depois.

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Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios. Contato: [email protected]

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