
Em Pinóquio: Maldição de Madeira, Gepeto cria um boneco vivo para consolar o neto após uma perda familiar, mas a criatura acaba sendo influenciada por forças sombrias. Ao descobrir que precisa reunir partes de corpos humanos para se tornar um menino de verdade, o artefato mergulha em uma busca macabra que coloca em risco todos ao seu redor.
Uma moda atual é transformar personagens clássicos em vilões de filmes de terror, isso já aconteceu com o Ursinho Pooh e o Mickey Mouse. A fórmula do cinema independente chegou até Pinóquio é o resultado é uma das melhores releituras de personagem. No filme vemos diversos elementos da história sendo usados em prol de contar uma versão atualizada do conto e assim construir sua própria história em um universo de terror.
A construção do protagonista é algo a se elogiar. Pinóquio é uma marionete, e sua construção física é bastante convincente. O trabalho de efeitos práticos e digitais consegue criar uma presença perturbadora. O modo como ele se mexe e ataca lembra muito Chucky: O Brinquedo Assassino e passa muita credibilidade.

Já os efeitos digitais, entretanto, não mantêm o mesmo nível de qualidade durante toda a produção. Algumas cenas apresentam CGI aceitável, enquanto outras possuem um acabamento visivelmente inferior, quebrando a imersão. A diferença de qualidade entre os efeitos é perceptível e acaba evidenciando as limitações da produção. A cena na piscina é um exemplo disso e o grilo desta versão parece que foi feito por uma IA.
As mortes seguem uma proposta bastante gráfica e violenta. Algumas são criativas dentro da proposta do filme, mas outras parecem existir apenas para chocar. O resultado é que a violência vista nem sempre contribui para a história, o que pode frustrar alguns.

Mas o maior problema é o roteiro. Por mais que a direção tire leite de pedra e aposte em efeitos práticos a história e, em consequência disso, os atores são os pontos fracos. A trama até começa bem, mas com o tempo o fio narrativo se perde e o enredo acaba se tornando esquetes de cenas de terror que se conectam. Não existe edição e montagem que dêem liga ao que vemos e a progressão acaba fazendo os dramas enfrentados em uma comédia involuntária.
O elenco também não ajuda muito. As atuações são, em geral, pouco marcantes e exageradas. Curiosamente, a dublagem brasileira consegue melhorar um pouco a situação, dando maior personalidade a alguns personagens da história. Mas o destaque são todos os personagens dublados (Pinóquio, a madeira mãe e o grilo).
Pinóquio: Maldição de Madeira tem boas ideias, mas a sua execução irregular acaba transformando essa produção em um show de horror, focado apenas em mortes chocantes. Mesmo assim, a produção é uma das melhores desse nicho que domina o cenário do terror independente.


