qua, 28 fevereiro 2024

Crítica | Propriedade (2023)

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Propriedade (2023) entra em um grau interessante de retratos do nosso cinema nacional. O filme apresenta até mesmo um discurso que casa perfeitamente com sua distribuição, realização da produtora Vitrine filmes em parceria com a Petrobras, a “Sessão Vitrine Petrobras”, uma ação em busca de distribuir filmes com facilidade para o grande público. E o novo longa de Daniel Bandeira se encaixa perfeitamente nessa proposta, uma alegoria para representar o sempre atual estado do nosso país.

Uma reclusa estilista se enclausura em seu carro blindado para se proteger de uma revolta dos trabalhadores da fazenda de sua família. Separados por uma camada impenetrável de vidro, dois universos estão prestes a colidir.

O longa começa abordando uma mulher de classe alta rondada por um trauma de sequestro, revelado na primeira cena do filme, onde vemos ela sendo mantida refém por um bandido em pleno céu aberto na cidade. Ela é resgatada e o homem morto, mas obviamente os traumas serão obtidos. E o filme trabalha justamente isso em seus primeiros minutos, uma personagem marcada pelo acontecimento e buscando a paz. Ela é levada por seu marido para a fazenda da família para relaxar. E é interessante as abordagens dos problemas entre esses diferentes núcleos de personagens, enquanto Teresa apresenta um problema interno de suas emoções e sentimentos, o grupo representado pelos trabalhadores, ameaçados de perderem seus empregos e moradias por conta da venda da fazenda, sendo totalmente abandonados. Propriedade apresenta muito bem essa ideia de escravidão disfarçada, onde seus documentos e pagamentos não tem uma luz no fim do túnel, se mostrando o verdadeiro motivo de tanta revolta e violência por parte do grupo durante a jornada.

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E durante a narrativa, o filme escolhe uma ambiguidade para estabelecer seus conflitos, ele trabalha uma espécie de luta sem fim entre as classes, talvez pareça covarde apresentar sua história assim, mas o filme acaba mostrando uma complexidade interessante com seus personagens. E mesmo que não consiga dosar tão bem o grau “vilanesco” entre os dois núcleos, situando a personagem Teresa muito mais como vítima na maior parte do tempo, o filme se revela um Thriller interessante ao longa da jornada, trabalhando de forma satisfatória esse empecilho do carro blindado e as diferentes formas da personagem escapar ou do grupo de trabalhadores impedi-la de avançar. Apesar de que em alguns momentos o roteiro acaba que falhando ao esquecer coisas simples como simplesmente furar os pneus do carro ou arranjar alguma desculpa para não tomarem essa ação, mas nada que estrague a experiência com um todo.

E ao seu final, Propriedade, é um filme fiel com seus discurso, ele nunca tenta achar o caminho mais fácil ou inventar com tudo o que foi construído até então. Ele estabelece essa constante troca de forças, uma guerra que nunca vai acabar e que inevitavelmente as razões e o senso coletivo acabam que perdidos em prol  da sobrevivência. É um grau realístico que difere de uma eventual ou inevitável l comparação com Bacurau (2019), mas apresenta um discurso mais complexo por conta dessa corajosa ambiguidade dos eventos.

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