ter, 29 setembro 2026

Crítica | Protocolo de Extermínio

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É interessante reconhecer a personalidade que o cineasta Adam Wingard imprime em seus filmes de maneira bem honesta. Seja pela estilização exagerada mesclando sua montagem repleta de imagens, constantes referências a acontecimentos históricos da humanidade e seu mundo repleto do bizarro e violento. E justamente em “Protocolo de Extermínio”, o diretor traz essa representação do militarismo pelas mãos dos americanos, seja por constantemente se envergonhar de suas ferramentas até de um orgulho patriota bizarro por conta de sua força bélica.

O filme Protocolo de Extermínio acompanha uma sniper (Adria Arjona) em um dos momentos mais cruciais de sua vida. Dedicada à sua família e à sua vida maternal, tudo vira de cabeça para baixo quando um grupo de supersoldados geneticamente modificados consegue se libertar no deserto. Agora, ela terá que utilizar todas as suas habilidades para proteger sua pequena filha e deixar ela sã e salva.

O Diretor vai criar aqui um mundo marcado por essa violência causada pelas ambições de pessoas e de forma exagerada no filme, com direito até fetiches masoquistas e de submissão, sem sombra de dúvida uma escolha proposital do cineasta para espelhar essa relação estadunidense com o militarismo, seja pela sua dependência e desprezo ao mesmo, mas também uma consequência inevitável de um mundo marcado por este tipo de ambição.

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E o acontecimento marcante disso são os diversos momentos de assassinatos realizados pelos três supersoldados ao longo do território americano, ou melhor, uma pequena parte desse território. Remete não só diversos massacres realizados por constantes ex soldados dispensados, mas com um trauma e dependência da violência praticada e também o descaso do estado com estas pessoas e suas necessidades psicológicas. Até mesmo o exercício dos supersoldados funciona parecido com um Robocop, de Paul Verhoeven, e o estado literalmente ressuscitando seu soldado morto para voltar ao serviço. O que é também o caso aqui da relação do passado deles com uma trágica morte envolvendo seus serviços militares ao estado. E assim, acontecendo essa consequência dos próprios soldados geneticamente alterados se voltarem contra quem os criou e deslanchando um massacre.

E ai entra a personagem da Adria Arjona, nossa Sarah Connor da vez, ao entrar diretamente em combate com esses três assassinos, e também uma militar exilada, por escolha, e por conta de inúmeros traumas. O desenrolar dessa batalha é muito direto e simples, fica uma impressão de fazer muito barulho por conta das habilidades dos três soldados e que são mostradas ao longo do filme, mas na hora da própria batalha em si falta algo, falta desafio, e isso para os dois lados. Parece que toda a propaganda imposta pelo cientista e um orgulho de sua realização é jogada fora ao realmente colocar os acontecimentos em cena.

Tal qual seu desfecho, apresenta um potencial ali de conspiração ou um futuro muito incerto com seus protagonistas, mas é rapidamente cortado com o final do filme. Fica apenas uma sugestão, algo até que relevante com o filme e toda sua construção desse organismo militar com sempre uma mutação de pegar, usar e jogar fora suas ferramentas, tudo é um experimento para o bem maior que nunca sabemos de fato qual bem representa naquilo tudo.

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Protocolo de Extermínio até possui um contexto e metáfora interessante com suas críticas ao arquétipo militar estadunidense, mas parece que na hora de encarnar a ação ele não encanta. De fato seu visual remete bastante trabalhos icônicos do diretor John Carpenter, cujo Adam Wingard é bastante fã, então vai se observar um uso excelente de luz, sombras e névoas para este mal que caminha sem parar, mas parece que a execução peca e fica apenas esquecível ou fácil demais em comparação ao tamanho que estava se desenhando.

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Hiccaro Rodrigues
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios. Contato: [email protected]
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