Crítica | Rainhas do Crime

Depois de sua participação em World Trade Center (2006) e a merecida indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original por Straight Outta Compton (2015), eis que Andrea Berloff finalmente tem sua estréia na direção em Rainhas do Crime, baseado na HQ homônima da DC/Vertigo, provando que seu reconhecimento, assim como o de qualquer outro profissional, é fruto de sua boa produção. Assim é Rainhas do Crime: competente como adaptação e suficiente em sua execução.

Ambientado na Nova York (Hell’s Kitchen) do final da década de 70, a trama inicia com uma sequência similar e bem menos enérgica do que foi visto em As Viúvas (2018): maridos se despedindo de esposas, seguindo ao que parece ser mais um serviço em grupo. Neste momento, Berloff intercala a apresentação de seu trio protagonista (Melissa McCarthy, Tiffany Haddish e Elisabeth Moss) até o momento da prisão de seus companheiros, ao mesmo tempo em que revela a personalidade de cada uma. Diferente do longa do Steve McQueen supracitado, aqui temos o cenário de mulheres, donas de casa, que se veem sem saída quando seus esposos, integrantes da máfia irlandesa, são presos pelo FBI. Procurando uma forma de reaver a renda que fora perdida, confrontam o chefe da milícia, que se nega a ajudar. A partir deste momento, começam a agir por conta própria, conquistando a confiança do bairro todo.

A direção é firme, deixando o roteiro fluindo bem equilibrado, com momentos altos e baixos, onde as cenas são bem acompanhadas com finalizações musicais sincronizadas à situação, algo que não se vê muito em filmes do gênero. Bandas como Lynyrd Skynyrd, Heart e Fleetwood Mac podem ser apreciadas em bons momentos. A ambientação nos anos 70 (entre janeiro de 1978 e junho de 1979) é bem fiel, desde locações até cortes de cabelo. As atuações são suficientes para as protagonistas, demonstrando bem a evolução no caráter e nas atitudes, seja individualmente ou em grupo, com destaque para Melissa McCarthy, mais favorecida pelo roteiro. Com exceção de Domhnall Gleeson (Ex Machina), os demais atores estão apenas atuantes, alguns até mal aproveitados, como o rapper Common (Selma).


Outro ponto alto de Rainhas do Crime é a forma da diretora explorar bem como o  feminismo era visto naquela época. Não a visão tradicional explorada por 90% dos cineastas, mas a visão da influência da mulher quando deseja, almeja seu papel no lugar que bem entender, ainda que esse lugar seja no controle de mafiosos num bairro de Nova York.

Apesar de ser um gangster “mais do mesmo” , Rainhas do crime é bem autoral, embora seja adaptado, e nos traz uma vertente diferente (e boa) do que vem sendo produzido pela DC/Warner de uns anos pra cá. Não se surpreenda se, num futuro breve,   Andrea Berloff entrar no hall de atrizes/diretoras premiadas. Ela deixa bem clara sua intenção em assumir um filme onde praticamente todos os principais núcleos têm protagonismo feminino e é funcional. Reconhecimento se consegue  com talento. Aprende, Greta Gerwig.

NOTA

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