qui, 29 outubro 2026

Crítica | Ray Gunn

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Dirigido por Brad Bird, Ray Gunn se passa em um mundo futurista no qual humanos e alienígenas precisam compartilhar o mesmo espaço. Nesse mundo, vive o último detetive particular humano, conhecido como Raymund Gunn, e em pouco tempo ele é contratado para investigar um caso peculiar envolvendo uma grande estrela do pop mundial.

É um filme com uma dinâmica muito característica do diretor, seja nas interações entre os personagens e essa liberdade entre os cenários, mas também diversos paralelos com a clássica Hollywood e o gênero Noir vibrando por todo o longa. É do talento de Bird conseguir conduzir uma história de tom leve, porém com camadas que evocam um tema mais adulto que pode variar desde o tratamento da indústria com seus artistas até algo mais pesado como o racismo.

Ligado intensivamente ao gênero Noir e misturado ao retrofuturista, Ray Gunn estabelece uma história de investigação e mistério que almeja jogar aqueles personagens em diversas situações. Então, a ambientação e o mundo mostrado ao longo de suas duas horas é delicioso de se acompanhar, o diretor vai fazer questão de mostrar a mídia, os diferentes locais de interação entre aquelas pessoas, os bandidos e a máfia controlando tudo e todos, os bares e a música tão presente neste gênero. É um charme que evoca os mais apaixonados pelo classicismo do cinema.

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Outra habilidade de Bird e que é transmitida aqui de diversas formas é a sua capacidade de transmitir informações sem soar muito expositivo durante a narrativa. Seja mostrando algo que será utilizado depois no filme, alguma informação sutil que depois se conecta com algum acontecimento ou ação. São esses elementos que transformam um filme de animação com um tom leve, mas com diversos componentes que não subestimam seu público.

Ainda mais que a trama como um todo fique bastante previsível no contexto de algumas cenas revelarem mais do que precisavam e ficar óbvio para o público adivinhar o mistério. E por conta disso talvez seja proposital para ainda sim conseguir encaminhar um final repleto de poesia e amor com todo o andar da história. A revelação de uma personagem evoca uma boa edição e um poder audiovisual belíssimo de se acompanhar.

O longa ainda consegue transmitir uma ótima mensagem envolvendo o uso de IAs e o tratamento da indústria com a arte e seus artistas e a maneira descartável e inumana que consegue lidar com tudo isso. Além da óbvia metáfora envolvendo a segregação dos humanos com os alienígenas e que deixa um espaço ao fundo para como o ambiente vai tratando seus personagens ao longo da história, ainda mais o assistente de Ray, Eye-Ra que é constantemente hostilizado por conta desse preconceito.

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Ray Gunn é um filme extremamente charmoso e divertido. Ele consegue carregar e transmitir todas as dinâmicas que Brad Bird construiu em sua filmografia e emula novamente aqui. É um resgate do Noir e que serve como nostalgia de uma Hollywood clássica, mas também uma apresentação para uma nova geração. É uma utilização da animação para provocar, divertir, construir dinâmicas que dão personalidade com aquele mundo tão vasto e rico. É um filme com uma proposta muito clara e que reforça a importância desse cineasta com a indústria neste século.

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