qui, 19 maio 2022

Crítica | Roda do Destino

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Essa crítica foi escrita por Matheus Simonsen. Siga ela nas suas redes sociais: Instagram

Roda do Destino, do diretor Ryusike Hamaguchi (que ganhou grande visibilidade por Drive My Car, indicado ao Oscar 2022 em quatro categorias), é um filme muito forte, principalmente no texto, mas não ganhou toda a atenção que merecia. O filme é composto por três histórias não conectadas, mas com uma ideia central semelhante. A primeira é sobre um triângulo amoroso, a segunda é uma mistura de jogo de sedução com vingança e a última (a melhor) é um encontro ao acaso de duas velhas amigas.

O filme consegue com muita eficiência equilibrar as três histórias, mantendo o mesmo tom e sem se exaltar de um ponto de vista técnico. O cineasta japonês tem uma linguagem bastante clássica, apoiando-se fortemente no texto e usando o minimalismo do cenário e habilidade dos atores como base de tudo. Hamaguchi desenvolve vários diálogos longos, com a câmera estática, e pequenos cortes, e isso funciona muito bem por causa da força gigante do texto e sua imprevisibilidade. O filme apresenta em cada história tem um grande momento” em que a câmera registra de maneira muito verdadeira a força desse texto na interpretação dos atores – especialmente seus conflitos e inseguranças.

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Apesar de parecer simples, a composição dos ambientes é de extrema importância para a encenação (belo exemplo é a cena da escada rolante). E, apesar da frieza e apatia dos cenários, os diálogos às vezes carregam sentimentos muito fortes – uma contradição que se mantém rigorosa ao longo das três histórias de Roda do Destino.

O texto em si trabalha muito bem uma certa característica teatral, que nos momentos de virada (em que os personagens estão no limite de suas emoções), o diretor opta por uma linguagem mais evidente, como um zoom-in em direção a um personagem. Não eixa de ser um efeito simples, mas, em um filme com aspectos tão clássicos de movimento e edição, consegue trazer um alívio a todo aquele peso insuportável dos personagens.

E, apesar do realismo, Roda do Destino também tem sua dose ocasional de fantasia, já que brinca com acasos da vida e enfatiza essa magia do imprevisível, da descoberta até meio indecifrável da paixão dos personagens. Hamaguchi encontra um belíssimo equilíbrio entre o seu controle absurdo de tudo e traços muito delicados e apaixonantes de humanidade.

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