qua, 7 dezembro 2022

Crítica | Sorria

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É curioso notar a primeira impressão causado por esse filme através de posters e do próprio trailer, inicialmente passa a sensação de mais um terror genérico e totalmente focado no Jumpscare, em partes isso acontece, mas felizmente existe um fundo interessante sobre traumas e questões mentais combinado com uma abordagem quase que oriental em alguns momentos. Sorria (2022) é o primo distante de Corrente do Mal e Premonição.

Em Sorria, após testemunhar um incidente bizarro e traumático envolvendo um paciente, a Dra. Rose Cotter começa a ser aterrorizada por uma entidade que utiliza uma espécie de “sorriso maligno”, que ela não consegue explicar. Rose deve enfrentar seu passado perturbador para sobreviver e escapar de sua nova e horrível realidade.

Paramount Pictures/ Divulgação

Em uma pegada parecida com o famoso mangaká Junji Ito, muito conhecido por criar contos em que o mal é manifestado de diversos meios, seja por balões, clones, cidades e etc. Aqui, a presença maligna é encarnada por meio de ilusões e confusões mentais da pessoa atingida, ela é perseguida ao melhor estilo Corrente do Mal, no qualem todo momento ela pode ser acionada e vindo de qualquer direção. Surpreendentemente na maior parte do tempo a atmosfera do filme funciona, quando ele não cai em “terror” genérico ao estilo Verdade ou Desafio, o filme justamente tenta explorar essa condição mental da protagonista e consegue trazer um lado sério para o filme e também bizarro, por conta dos diversos sorrisos estampados nos ataques da entidade, é algo que poderia ser levado facilmente pro deboche, mas funciona em sua maioria.

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Por conta do fraco trabalho nos trailers do longa, focando apenas nos sustos e na parte mais básica desse tipo de terror, é normal pensar na bizarrice e talvez o lado cômico de uma entidade que se manifesta sorrindo. Existe sim a parte ruim desse tipo de terror hollywoodiano, seja a constante explicação para tudo, exposições desnecessárias e alguns momentos de terror totalmente gratuitos. É um problema bastante típico de diversos filmes do gênero, principalmente dos grandes estúdios, onde escolhem o caminho “mais fácil”, sem arriscar muito. Talvez um dos maiores charmes do oriente (principalmente o terror) é justamente o “não conte, mostre! ”o trabalho visual aqui acontece em momentos pontuais, especialmente na parte final que talvez seja a mais fraca da obra (muito devido a queda de ritmo), mas se assemelha quase com um horror de monstro das histórias japonesas, o potencial está ali e infelizmente Sorria opta pelo convencional.

Rob Morgan stars in Paramount Pictures Presents in Association with Paramount Players A Temple Hill Production “SMILE.”

A direção em alguns momentos se revela criativa ao tentar fugir dos métodos mais básicos, trazendo uma atmosfera e a sensação de terror passada pela protagonista, sem saber como a entidade irá se manifestar, o diretor brinca com a mudança de foco, e nos diversos locais passados durante o filme o telespectador se mantem vigilante, esperando a eventual manifestação do mal presente do filme. O CGI funciona quando requisitado, torna a bizarrice bastante atrativa, como citado antes, nunca deslancha para a total loucura ou foge completamente do clichê, seu desfecho final é obvio, mas visualmente muito chamativo.

Sorria consegue chamar atenção, e apesar de nunca chegar em um potencial narrativo, tanto em relação aos traumas quanto ao terror, ele consegue entreter e manter a curiosidade do público na maior parte do tempo. Poderia ter 15 minutos a menos e desgarrar-se dessas manias hollywoodianas impostas nas formulas de terror. Mas para quem está esperando nada dessa obra, é uma simpática surpresa no gênero, mesmo que não se distancie do habitual terror padrão, até o Jumpscare pode se tornar uma diversão.

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