qua, 21 fevereiro 2024

Crítica | Stillwater

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Do mesmo diretor do vencedor do Oscar, Spotlight, o filme conta a história de um homem simples, vivido por Matt Damon (Good Will Hunting), que viaja para França para visitar sua filha na cadeia e se depara com novas pistas que podem comprovar sua inocência e levar à sua absolvição. Nessa jornada, ele encontrará desafios ao esbarrar em diferenças culturais, a começar pelo idioma que ele desconhece.

O personagem de Damon beira a caricatura, já que é um típico estadunidense, classe média baixa, trabalhador, patriota, que por baixo de muita brutalidade e masculinidade, possui um coração gigante – o que é demonstrado por meio de interações piegas com uma criança que só está no filme para humanizar o mocinho. Assim, o longa finge que seu protagonista é supercomplexo e multifacetado, quando na verdade é só mais um estereótipo norte-americano. Em uma cena, alguém o questiona se ele votou no Trump e ele diz apenas que não votou em ninguém porque estava preso.

As relações afetivas que o personagem estabelece também não são cativantes, na verdade todo o arco dramático fica extremamente comprometido, pois é difícil estabelecer qualquer conexão emocional quando parece que estamos assistindo rascunhos de seres-humanos mal desenvolvidos. Assim, os momentos que deveriam ser de ternura, acabam parecendo forçados e causam tédio.

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Por sua vez, a parte investigativa não é muito melhor, para começar o filme já parte do princípio de que a menina é inocente e sequer trabalha com um suspense em torno de sua possível culpa, algo que poderia tornar a jornada um pouco mais intrigante. Ao invés disso, temos Matt Damon meio sem rumo tentando caçar uma pessoa em uma cidade gigante. O público nunca é chamado para participar dessa suposta investigação, desvendando pistas com o protagonista, apenas acompanha suas idas e vindas enquanto ele recebe respostas de mão beijada ou por sorte.

Contudo, existe um aspecto do filme que funciona muito bem, acompanhar Damon sofrendo para lidar com uma cultura diferente da sua, enquanto tenta entender o complicado sistema de justiça francês para poder lutar contra ele. Ele é um esquentado que só está acostumado com trabalhos manuais e de repente se vê colocado em uma situação que irá exigir jogo de cintura para quebrar as barreiras culturais e linguísticas.

O filme existe em três vertentes e só funciona de verdade em uma delas, que o salva de ser um completo fracasso. A performance de Damon – um ator nem sempre consistente – é digna de elogios, pois ele faz o que pode para que seu personagem seja um pouco parecido com um ser humano, tornando a experiência levemente mais palatável.

Se o diretor dedicasse mais espaço para esse tipo de desenvolvimento de personagem e perdesse menos tempo tentando construir arcos dramáticos aborrecidos, poderia ter um filme muito melhor em suas mãos. Mas é preciso julgar a obra por aquilo que ela é e não por aquilo que eu gostaria que ela fosse, e, infelizmente, essa é recheada com algumas decisões narrativas muito ruins que comprometem o ritmo e, por consequência, o engajamento de quem assiste – em determinados momentos. Felizmente, quando acerta, acerta bem e acaba recuperando a atenção do espectador.   

Trata-se do típico filme mediano, as vezes um pouco acima da média e as vezes um pouco abaixo. O longa está disponível na Netflix e tem ocupado boas posições no top10 da plataforma de streaming, justamente por ter esse jeitinho que, apesar de alguns erros, dificilmente irá desagradar profundamente alguém.        

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Raíssa Sanches
Raíssa Sancheshttp://estacaonerd.com
Formada em direito e apaixonada por cinema
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