sex, 17 junho 2022

Crítica | Super Pumped – A Batalha pela Uber

Publicidade

Super Pumped é mais uma série sobre a ascensão e queda de um grandioso e exigente CEO. Lançada no mesmo ano que Inventing Anna, da Netflix, sobre a “Soho grifter”. WeCrashed, da Apple TV, série sobre a ascensão e queda do WeWork, e The Dropout, do Hulu, sobre Theranos e a fraudadora Elizabeth Holmes. Todas as quatro minisséries abordam escândalos altamente divulgados em meados de 2010 que caem em algum lugar no continuum do capitalismo implacável ao golpe em grande escala. O apelo de todos esses programas de manchete para a tela é a chance de ver fatos conhecidos glosados ​​e dramatizados por celebridades, ter uma visão dos caprichos dos muito ricos e entrar nas salas de diretoria às quais de outra forma não teríamos acesso.

Dessa vez, o foco é do criador da Uber, Travis Kalanick, interpretado por Joseph Gordon-Levitt. A série de antologia da Showtime possui um alto poder de se queimar e é cansativa de se assistir. Outra questão que podemos trazer à tona é: esse diálogo da série é muito embelezado ao ponto de aparentar uma trama perturbada pela grana fácil? Ou realmente tiveram aquelas falas enfáticas e vergonhosas?

Joseph Gordon-Levitt as Travis Kalanick in SUPER PUMPED: THE BATTLE FOR UBER. Photo credit: Elizabeth Morris/SHOWTIME.

Kalanick, interpretado com entusiasmo por Joseph Gordon-Levitt, é uma bola de energia nervosa e narcisista que fala em termos comicamente grandiosos. “Nós fodemos o status quo, certo?” Ele gira uma ordem de cessar e desistir de implantar a uber na cidade de São Francisco como “Validação do nosso status de interruptores”, em um discurso gritado para todo o escritório ouvir, ele desenha uma enorme carinha sorridente no pedido com canetinha vermelha, porque “estamos no negócio que mudou o mundo!”.

Publicidade

Se a minissérie, disponível no Brasil pela Paramount+ lembra outros trabalhos da TV, não é mera coincidência. Super Pumped tem como criador, os co-criadores de Billions Brian Koppelman e David Levien, e se baseia no livro de mesmo nome do repórter de tecnologia do New York Times, Mike Isaac.

A série de oito episódios (com mais de uma hora de duração cada) pinta um retrato gritante da ganância, descuidos e traições do Vale do Silício folheado com pessoas (principalmente homens brancos) ambiciosos e irresponsáveis – com uma estética excessiva, profanidade ampla, quebra da quarta parede, que pretende ser chocante e emocionante, no lugar de fornecer informações (toda a paleta foi emprestado pesadamente por Adam McKay de Uma Grande Aposta). Para melhorar, ou piorar o caos que essa série é, a temporada é narrada por Quentin Tarantino, um narrador discordante e pouco usado. Os aventureiros do capitalismo adoram uma frase como “um unicórnio voará neste setor”. Porém, esse estilo confiante parece, à medida que o programa se desenrola, fino como papel, acrescentando pouco ao que já se sabe sobre pessoas que fariam qualquer coisa por lucro.

Super Pumped traça vagamente a ascensão genuinamente selvagem do Uber, fundado em 2009 por Garrett Camp (Jon Bass) e Kalanick, mas seu verdadeiro arco emocional, é o relacionamento tempestuoso de Kalanick com o investidor/mentor Bill Gurley, jogado com um lacônico sotaque texano do ator comum Kyle Chandler. Gurley é cético em relação ao bombástico de Kalanick (em um dos floreios mais eficazes do programa, as encenações dos enfeites de Kalanick desaparecem na tela verde, depois uma recontagem da verdade mundana e pouco lisonjeira). Mesmo relutante, ele vende o potencial da Uber, financiando assim um carrossel acelerado de crescimento agressivo, escândalo e fuga do referido escândalo

A minissérie vasculha os muitos desastres de relações públicas da Uber: o comentário “boob-er”, um trocadilho de boobs (peitos) e uber, a espionagem não revelada de motoristas, as finanças duvidosas, o momento em que o executivo sênior Emil Michael (Babak Tafti) lançou a ideia de vigiar jornalistas críticos; A cultura tóxica de sexismo e assédio sexual da Uber exposta pela postagem viral de 2017 de Susan Fowler (Eva Victor), retransmitida atráves da quebra de parede. O mesmo para um vídeo de Kalanick discutindo com o motorista do Uber Fawzi Kamel (Mousa Hussein Kraish, um dos únicos motoristas retratados na série) em 2017.

Super Pumped não consegue descobrir do que se trata, e esse caminho para colapso, tanto da Uber como da série, levará muitas pesquisas no Google. Como uma série de recriações, no entanto, ela compra a mesma visão de negócios que a Uber: um jogo a ser ganho ou perdido, com um rastro de destruição em sua narrativa.

Publicidade

Newsletter

Destaque

Paddington | Curta para comemorar Jubileu da rainha é lançado no Youtube; Assista!

Paddington e a Elizabeth II se uniram em um curta-metragem....

Ms. Marvel | Série ganha nova classificação indicativa; Confira!

Segundo informações da CBR, a classificação indicativa de Ms. Marvel nos EUA...

Crítica | Vai Dar Nada

Estreia nesta quarta no streaming do Paramount+, Vai Dar...

Universal+ prepara trilho exclusivo em homenagem ao Dia dos Namorados

Para celebrar o Dia dos Namorados, o Universal+, plataforma...

2 COMENTÁRIOS

  1. A série não é cansativa,muito pelo contrário,é enérgica e cheia de vida.E corrigindo a porra do seu trabalho,não são todos os episódios que tem mais de 1 hora de duração,existem apenas 4 com esse tempo ou mais.Mano,quando for fazer algo,faça direito.

    • Oi Paulo, tudo bem? O Estação Nerd tem vaga para críticos. Se tiver disponibilidade de colocar sua opinião sobre algo para que alguns milhões de pessoas leiam e opinem de acordo com o que elas acham, ou apenas para ser revisor dos textos, manda um email pra [email protected]. Abraços!

Comentários estão fechados.