Tempestade: Planeta em Fúria (Geostorm) estreia hoje no Brasil e é a primeira experiência de Dean Devlin como diretor de longa metragem, ele também é coautor do roteiro, dirigiu alguns episódios de The Librarians e produziu Independence Day.

Adoraria escrever uma crítica elogiando o filme, era minha expectativa ao assinar o termo de embargo e antes de entrar na sala, porém, é apenas mais um filme que se preocupa com os efeitos especiais – se é que podemos dizer isso, pois já vimos efeitos melhores os últimos anos – e escorrega feio no roteiro.

O roteiro é clichê: para variar o mundo está sendo destruído por causas naturais e os “mocinhos” dos Estados Unidos precisam salvá-lo. O único ponto de divergência nesse aspecto em relação a filmes como O Dia Depois de Amanhã e 2012 é que, dessa vez, a ameaça vem dos satélites projetados por 17 nações para salvar o mundo de um incidente parecido em 2019 que já não estão cumprindo seu papel de conter os desastres.

Como se não bastasse ser clichê, o roteiro tem falas fracas e os atores não conseguem salvar o filme. Ed Harris – que interpreta o secretário Leonard Dekkom – conhecido por atuações brilhantes como em Westeworld é pouco explorado, ainda que tenha papel importante na trama. Andy Garcia (O Poderoso Chefão – Parte III) é o presidente dos Estados Unidos que está em campanha para reeleição e utiliza o projeto de controle do clima como uma forma de angariar votos – outro clichê. Os protagonistas não são carismáticos, em vários momentos quase morrem e o público não consegue se importar com a perda.  Jacob Lawson – Gerard Butler, conhecido por 300 e Deuses do Egito -, é egocêntrico ao extremo, mas não sustenta seu personagem. Tudo gira em torno dos seus problemas com o irmão – Max, interpretado por Jim Sturgess (Across The Universe e Stonehearst Asylum)- e do quanto é fantástico porque construiu a Estação Espacial Internacional, na qual erra por duas vezes o compartimento em que se encontra o sistema operacional que procura! Max, por sua vez, é pouco melhor que Jake, tendo uma presença mais marcante e convincente, porém, não se perde em sua relação com o irmão e a noiva agente Sarah – interpretada por Abbie Cornish (Candy e Life Support).

À semelhança de Sarah, Ute Fassbinder – Alexandra Maria Lara (A Queda e Rush) – tenta atrair o público feminino para o filme se passando por forte, porém não é desenvolvida o suficiente para cumprir esse objetivo. Assim como os personagens de outras nacionalidades preconceituosamente representados, elas cumprem apenas a cota de mulheres na película.

Do meio para o final do filme, o roteiro tenta fazer vários pontos de virada que são desnecessários e solucionados de forma preguiçosa. Os vilões do filme têm uma pretensão vazia que não justifica os problemas que acarretaram ao longo da trama. Você consegue até se surpreender com quem eles são, mas a motivação é patética e o modo que os protagonistas a desvendam é pedinte.

Para completar o desastre, eu não sou da área de engenharia aeroespacial, porém, para um filme que tem pretensão de discutir o assunto, Jake ser lançado em direção à estação espacial sem uma roupa especial de astronauta, equipada com capacete, é um erro absurdo! Ah, e o Rio de Janeiro é tão fake que não parece estar nos Estados Unidos e não no Brasil!

Se o 3D é dispensável e não inova, não gaste seu dinheiro com o IMAX. Em resumo, é um filme pipoca: veja se quer se divertir, mas se a intenção é se deslumbrar com fotografia, roteiro, atuações, assista outro.