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    Crítica | The Offer

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    Paramount+/Divulgação

    O ponto de partida de The Offer, a série de dez horas estrelada por Miles Teller e lançada na Paramount+,com o futuro produtor de O Poderoso Chefão, traz Albert S. Ruddy sentado em uma sala de cinema com sua namorada, em êxtase com a plateia ao seu redor, que está ofegante com os famosos momentos finais de O Planeta dos Macacos. Algo vai surgir nele e isso acarretará sua saída do programa de TV que ele cocriou intitulado Hogan’s Heroes (Guerra, Sombra e Água Fresca, no Brasil). O formato de série não o satisfaz. Ele quer mais, quer o público na sala de cinema. A experiência do cinema não é a mesma que na sala de estar assistindo um filme numa “caixa”. É por conta desse sentimento que Albert Ruddy decide virar produtor da noite para o dia.

    Agora, é claro, para entendermos a cena, temos que olhar essa mesma “caixa”, ou talvez seu notebook e telefone, para percebermos a espessa camada de ironia que essa cena possui: umasérie que fala como cinema é mais importante e grandioso do que a TV. The Offer é menos sobre como um dos maiores filmes de tela grande da história foi feito do que sobre como quase não foi feito, e a produção parece confortável com a contradição. A série possui dez episódios, está ainda em lançamento, e está disponível, ironicamente, no serviço de streaming da Paramount. Se a história do tumultuado nascimento de O Poderoso Chefão e o subsequente sucesso de bilheteria nos ensina alguma coisa, é que a vitória pode de alguma forma desafiar as probabilidades e ser arrebatada das garras da derrota.

    Aqui está também Mario Puzo (Patrick Gallo), o autor best-seller que só aceita adaptarem seu romance caso ele seja o roteirista; Francis Ford Coppola (Dan Fogler), o autor barbudo trazido para fornecer a boa fé ítalo-americana; Joe Colombo (Giovanni Ribisi), o chefe do crime e fundador da liga ítalo-americana dos Direitos Civis que passa de inimigo a aliado chave do filme; Charles Bludhorn (Burn Gorman, de Halo), o chefe da Gulf + Western que está arrancando os cabelos com essa produção desenfreada; e Barry Lapidus (Colin Hanks), um executivo corporativo que está cansado desses garotos malucos tentando fazer um filme sem pensar no resultado final. Uma série de personagens periféricos, do conciliere de Evans, Peter Bart, a um carismático bandido da família Colombo chamado César, também entram e saem de cena. Essa máxima sobre contar histórias, memória e verdade é particularmente pertinente em relação a The Offer, porque o que soa como uma peça de conjunto no papel é dominado pela perspectiva do “meu lado” de uma pessoa, e apenas de uma pessoa.


    Muitas das marcas fúteis bem conhecidas são atingidas, desde o discurso de uma frase de Ruddy a Bludhorn (“É um thriller gelado sobre as pessoas que você ama”) até o teste de tela informal e transformador de Brando, mas eles estão amarrados juntos de uma maneira que muitas vezes parece casual e sem graça.

    Você não pode refazer O Poderoso Chefão. Isso a Paramount sabe (ou deveria saber). The Offer, ambientada nos bastidores do triunfo de Francis Ford Coppola, sabe como conquistar os amantes da sétima arte, pois os cinéfilos gostam de assistir a uma história por trás das câmeras de Hollywood. Mas a sua premissa oportunista e má execução desrespeita o que alguns chamam de “filme perfeito” em níveis quase risíveis.

    Se O Poderoso Chefão foi um marco e triunfante, apesar de sua produção notoriamente conturbada, The Offer é amadora e confusa por causa da maneira como usa seus recursos infalíveis. Aqui está uma história tão rica a ser extraída da criação de um conto clássico sobre família, crime, país, história e uma enorme oportunidade perdida no que as pessoas por trás desta série inventaram. A série é bem produzida, mas estragada por uma apresentação desajeitada, provocações incessantes e um enredo mal elaborado que é um insulto quando você se pergunta: “Este é um legado para O Poderoso Chefão?

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