Numa época na qual o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump declara guerra a imprensa norte americana, The Post: A Guerra Secreta caí como uma luva, retratando bem o atual momento que os americanos vivem.

The Post foca na decisão do Washington Post de publicar documentos do Pentágono, um imenso relatório que relatou o envolvimento desastroso dos E.U.A na Guerra do Vietnã, atitude que levou o jornal a suprema corte. De um lado tínhamos os jornalista tentando mostrar os que os políticos faziam na surdina, do outro o Governo Nixon tentando evitar que as mentiras fossem expostas em nome da segurança nacional.

Esse embate jurídico nas mãos de Steven Spilberg (Jogador Nº 1.) se transforma numa aventura, não física mas sim de ideais. Um verdadeiro thriller sobre a liberdade de imprensa.

Spielberg começa o filme fazendo uma referência a icônica abertura de Todos os Homens do Presidente, que dá lugar a um sangrento tiroteio do Vietnã em 1966, testemunhado em primeira mão por um analista militar. A trama avança para 1971, onde o relatório é vazado indo parar na primeira página do New York Times, que mostra ao mundo que as quatro administrações sucessivas de presidentes vem enganando o público americano sobre a guerra.

Esses documentos vazados dão a The Post seu peso e pulso. O antagonismo entre o governo e a mídia é um tremendo choque de realidade, basicamente um retrato da atualidade. Com maestria Spielberg consegue moldar um drama em torno de um jornal que  decidiu enfrentar o governo.

O roteiro escrito pela novata Liz Hannah e Josh Singer (Spotlight, vencedor do Oscar de melhor roteiro e filme) é deslumbrante. Em entrevista Tom Hanks descreveu The Post como uma história “sobre a semana em que Katharine Graham se tornou “Katharine Graham.” Certamente, a personagem de Meryl Streep (Kramer versus Kramer) é o norte da bússola moral do filme. O roteiro retrata Katharine Graham como a única a única mulher na sala, inicialmente incapacitada, a cena inicial da sala de reuniões é o exemplo perfeito disso. Esse o silêncio de Graham é um contraponto interessante a mulher forte e confiante de Margaret Thatcher, também interpretada pela magnífica Meryl Streep, que deve ser figura certa no Oscar de Melhor atriz do Oscar 2018. Mas à medida que a história avança, Graham encontra sua própria voz – tímida no início, mas cada vez mais firme e direta.

Quanto a Hanks (Náufrago), ele captura a bravura espalhafatosa de Bradlee algo semelhante ao visto por Jason Robards em Todos os Homens do Presidente. Com a postura do queixo e a maneira pronta para a ação, Hanks parece estar completamente em casa. Os demais atores estão excelentes, sendo um apoio excepcional a trama e a esses dois monstros da atuação que são Streep e Hanks.

The Post oferece uma lembrança de que a imprensa é livre e tem o seu dever de cumprir o seu papel essencial que é o de “servir aos governados e não aos governadores “. A produção desse filme dificilmente será considerada inovadora, vimos algo parecido em Spotlight – Segredos Revelados, mas essa história é mais relevante do que nunca, e é contada com inteligência, precisão e muita paixão. Um excelente filme!!!