A história gira em torno de Ned Fleming (Bryan Cranston), que decide passar o Natal em família na Califórnia, onde poderia visitar sua filha, Stephanie (Zoey Deutch). Chegando lá, a família é apresentada ao namorado de Steph, Laierd Mayhew (James Franco), um jovem bilionário, que vive um estilo diferente de vida do que Ned está acostumado. O embate entre os dois começa, Ned fazendo o possível para separa-los, enquanto Laird tenta provar ser um bom namorada para Steph.

Com base nessa sinopse, a primeira coisa que pode pensar é: “já vi esse filme antes”; e sim, você já viu este filme diversas vezes, mas com títulos diferentes, como Doze é Demais, Tirando o Atraso, e principalmente,  a trilogia Entrando Numa Fria, que é roteirizada por John Hamburg,  o diretor/roteirista desse filme. O clichê aqui está presente em todo o filme, todas as coisas que são mostradas e/ou ditas na primeira metade do filme como piada (estas, fracas por sinal), serão reutilizadas na segunda metade do filme. Tirando a previsibilidade  das piadas, a outra coisa extremamente previsível é a história em si; lendo a sinopse ou vendo o trailer do filme, podemos saber exatamente como ele será: Ned e Laird não vão se dar bem no começo, isso levará a um confronto entre os dois durante 90% do filme, e nos últimos minutos, tudo será resolvido de maneira simples, e todos viverão felizes (e sim, é exatamente isso).

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Além de errar no roteiro, John Hamburg erra na direção. O filme usa os mesmos planos durante seus 111 minutos; todas as cenas são sempre iguais, e isso deixa o filme chato. Na sua metade, você já não aguenta mais os closes dados nas personagens, já sabendo que depois passará para um plano médio, para então voltar a um plano fechado da outra personagem que está na conversa, e é isso durante todo filme, o que o deixa maçante.

O que muitas vezes salva um filme de comédia são as atuações, e infelizmente aqui isso não acontece. Bryan Cranston (Breaking Bad, Trumbo) já ganhou o Emmy pelo Walter White, que foi um grande personagem de peso dramático em sua carreira;  e na série Malcolm in the Middle, conseguiu mostras que agrada na comédia também; o problema é que neste filme, Cranston está fraco, apenas uma cena sua diverte no filme, e fica evidente em alguns momentos o quão forçada está sua atuação. James Franco (Homem-Aranha, É O Fim) faz a mesma personagens de sempre, sempre com a cara de doidão drogado, a diferença é que neste filme ele não está drogado, mas sua personagem continua a mesma. O leve destaque do filme fica para  Keegan-Michael Key (Keanu), que interpreta o mordomo de Laird, mas acaba tendo muitas piadas repetidas,  o grande problema do filme.

No fim, Tinha Que Ser Ele? é uma tentativa fracassada de se fazer comédia. Os atores não convencem, as piadas são repetidas e o roteiro totalmente previsível. No último ato temos as participações Gene Simmons e Peter Criss, que aparecem passando uma tristeza tão grande, sendo possível ver que estão ali apenas pelo cachê; e é assim que saímos do filme, tristes pela vergonha alheia vista.