É impossível falar de Todo o Dinheiro do Mundo novo longa de Ridley Scott (Gladiador) e não lembrar de Kevin Spacey (House of Cards), ator que foi deletado do filme (acertadamente) a pedido do diretor, após a onda de acusações de assédio sexual e foi substituído às pressas por Christopher Plummer (Toda forma de amor). O saldo final para Plummer é excelente (com direito a indicação ao Oscar), já para o novo longa de Scott nem tanto. Seu novo filme entretém durante suas duas horas de duração, porém a trama não cativa e nem emociona.

Baseado em fatos reais, a premissa da história é interessante: o neto do bilionário (leia o homem mais rico de todos os tempos, até então) J. Paul Getty (Plummer) é raptado. Porém o avô se recusa a negociar com os bandidos. O que deveria criar excelentes momentos de tensão não se realiza e o desenvolvimento da trama acaba sem força.

A riqueza de Getty é descrita em uma sequência de cenas funcionais, mas muito rasas. Como por exemplo essa abaixo, que foi refilmada e me deu muita vergonha quando a vi no cinema. Muito mal feita.

As atuações do filme estão em sua maioria ok. Michelle Williams (O Rei do Show) e Mark Wahlberg (O Grande Herói) também se meteram em uma polêmica, para fazer a refilmagem Wahlberg negociou um cachê de US$ 1,5 milhão além do salário original, enquanto que Williams recebeu apenas US$1 mil. No filme o destaque maior é para Wahlberg que transita em vários núcleos interpretando o ex-espião da cia responsável pelas questões de segurança do bilionário. Charlie Plummer (King Jack) que faz o neto raptado me fez torcer pelos sequestradores.

O destaque maior é para Christopher Plummer que rouba as cenas, em uma palavra ele mostra todo o caráter de seu personagem, porém a indicação ao Oscar 2018 de melhor ator coadjuvante soa mais como um protesto do que por mérito. Patrick Stewart (Logan) e Armie Hammer (Me Chame Pelo Seu Nome) estão muito melhores e não foram indicados.

O roteiro de David Scarpa alterna entre os momentos no cativeiro do neto do milionário e  flashbacks sobre o milionário Getty e suas relações pessoais. Nele fica claro a falta de controle narrativo, talvez devido as refilmagens, mas isto é algo incomum a carreira de Scott.

Todo o Dinheiro do Mundo é uma obra de potencial, porém a execução deixa a desejar. O filme chama mais a atenção pelas polêmicas envoltas nele do que pelo material em si. Uma pena, que nem todo o dinheiro do mundo pode apagar.