qui, 18 julho 2024

Crítica | Twisters

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Não são poucas as notícias que surgem, tanto no exterior quanto aqui no Brasil, sobre eventos climáticos cujo potencial de desastre cresce exponencialmente. Os tornados que ocorrem em vários estados norte-americanos são amplamente reconhecidos não apenas pelos telejornais que frequentemente cobrem tais eventos, mas também pelas redes sociais, que divulgam vídeos impressionantes da grandiosidade da natureza, e através do cinema, com os chamados “filmes de desastre”. Esse subgênero, bastante comum, cujo auge pode ser situado durante a década de 1990 e início dos anos 2000, sempre teve como tema principal esses eventos nos Estados Unidos, com um de seus personagens frequentemente assumindo o papel de um salvador da humanidade, quase como um anjo do Destino Manifesto.

Twisters (2024), dirigido por Lee Isaac Chung (cineasta responsável pelo indicado ao Oscar Minari), tem como protagonistas Kate (Daisy Edgar-Jones) e Tyler (Glen Powell), dois meteorologistas que se autodenominam “domadores” de tornados. Apesar das diferenças iniciais, os dois gradualmente começam a cooperar para tentar evitar a destruição causada pelos tornados. Parte filme de desastre, parte comédia romântica, o longa-metragem transita habilmente entre essas duas vertentes, que são distintas, porém não irreconciliáveis. Em outras palavras, a aparente falta de coesão abre espaço para um projeto que compreende bem seus momentos e é consciente do impacto tanto das sequências de ação quanto do desenvolvimento da relação entre os protagonistas.

Com relação aos momentos que envolvem os tornados, estes são habilmente construídos, capturando a intensidade desses fenômenos. A forma como são apresentados na tela demonstra competência criativa, criando uma atmosfera de urgência que pode impactar o espectador. Além disso, a dramaturgia desses momentos é eficaz, proporcionando tensão emocional e destacando como os personagens são afetados, tanto positiva quanto negativamente, por esses eventos naturais. Dessa forma, os efeitos visuais utilizados potencializam esses momentos. Nessa mesma linha, é interessante observar como Isaac Chung utiliza a natureza como um elemento emocional, influenciando as decisões dos personagens e sugerindo possíveis direções a seguir, algo que ele demonstrou com competência em Minari.

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A relação entre os protagonistas é uma das forças da vertente de comédia romântica, com nuances de screwball comedy. Tanto Edgar-Jones quanto Powell conseguem captar a rapidez de um suposto interesse falso, enquanto trocam faíscas que fazem o espectador torcer pela união dos dois. Essas características, evidentemente, não dependem apenas do roteiro e da direção do filme, mas principalmente dos atores. Ambos, além da química que compartilham, estão muito à vontade com seus personagens. Powell, mais uma vez, demonstra por que é considerado um dos novos astros de Hollywood. Interpretando um personagem conhecido por seu canal no YouTube, ele consegue mesclar sua persona com um tom emocional genuíno. Jones, ainda muito associada ao seu papel na minissérie Normal People, também se destaca como a heroína que conduz a narrativa, carregando consigo uma culpa enquanto se envolve nas brincadeiras românticas com o personagem de Glen Powell.

Ambos, de maneiras distintas, assumem a função essencial de protagonistas em um filme de desastre: “salvar a humanidade” — ou seja, os Estados Unidos. É nesse ponto que o filme diminui sua potencialidade: enquanto existe uma preocupação genuína com os fenômenos naturais e seu impacto nas pessoas, mais do que proporcionar entretenimento para aqueles que “dominam os tornados” ou para os espectadores do gênero, essa abordagem parece forçada, como se o discurso precisasse ser incluído para reforçar o perfil heróico dos protagonistas. Ou seja, embora o filme tente evitar um certo tipo de discurso, acaba por se inserir em outro: o cinematográfico.

Na tentativa de abordar questões relacionadas às mudanças climáticas e seus impactos globais, o filme parece menos interessado nestes temas e mais em reforçar a inteligência de Kate ou em destacar como a identidade nacional americana é construída sobre o individualismo. Powell representa o arquétipo idealizado deste heroísmo americano, um herói imperfeito que atende às demandas do momento, mas ainda assim forte o bastante para inspirar sua amada e enfrentar junto com ela as adversidades. No entanto, essa complexidade se dilui na capacidade do filme de mesclar habilmente o desastre e a comédia, sem que nenhum dos elementos pareça fora de lugar ou desarmonioso no contexto geral.

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