ter, 16 junho 2026

Crítica | Um Stalker Apaixonado

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Ambientando nos anos 1990, Um Stalker Apaixonado (Borderline) mostra uma estrela da música pop (Samara Weaving) sendo mantida refém em sua própria casa por um fã obsessivo (Ray Nicholson) que acredita estar destinado a se casar com ela. Sob constante vigilância, ela precisa lidar com o comportamento instável do agressor e buscar formas de escapar enquanto seu segurança (Eric Dane) tenta arranjar meios para evitar que algo pior possa acontecer.

A sétima arte sempre ousou mostrar em tela condições, síndromes e doenças diante de narrativas de amalgamam complexidade e criatividade. Há, por razões óbvias e indubitavelmente indiscutíveis, todo um zelo para representar, principalmente, neurodivergências no cinema. No entanto, algumas produções, por mais que pretendem ser inofensivas ao utilizar da inventividade artística para retratar problemas mentais nas telonas, parecem extrapolar os limites e tornar toda a sua visão em um mar de estereótipos. Lançado em 2025, Um Stalker Apaixonando (Borderline), tem boas ideias para retratar o Transtorno de Personalidade Borderline dentro de uma comédia de terror, mas parece não se preocupar em humanizar a instabilidade emocional do personagem título, a ponto de transformar tudo em sátira.

Imagem: Magnolia Pictures/Reprodução

É comum que uma produção que mescla suspense, terror e comédia seja um tanto despretensiosa na exploração de temáticas e o próprio cineasta Jimmy Warden já realizou tal feito com maestria no texto do surreal “O Urso do Pó Branco”, de 2023. Já em Um Stalker Apaixonado, onde Warden assume a cadeira de diretor pela primeira vez, o artista parece que se viu na necessidade de explorar várias camadas do personagem Paul, interpretado por Ray Nicholson, acreditando que mostrar de maneira cômica como a personalidade imprevisível de um paciente com Borderline poderia gerar uma narrativa leve e sem apelar pelo didático a respeito da condição mental. O problema está na falta de equilíbrio, na associação irresponsável do transtorno com a psicopatia da personagem Penny (Alba Baptista) – que é inserida na trama como uma “parceira de crimes” – e nos quase inevitáveis estereótipos que o humor ácido de Warden é incapaz de permitir a não existência.

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A condução dos atores em cena carece de tempero. A relação entre a personagem de Samara Weaving e o de Jimmie Fails, que vive seu namorado atlético, beira o enfadonho, assim como a já comentada parceria problemática entre os antagonistas de Ray Nicholson e Alba Baptista que, ao menos, desempenham bem os seus respectivos papéis, com um destaque maior para Nicholson, sempre fazendo jus ao sobrenome e demonstrando ter personalidade além da herança (Ray é filho do lendário ator Jack Nicholson). É reconfortante, porém ainda triste, ver Eric Dane em um de seus últimos papéis dando o melhor de si pela arte. Dane, que faleceu no começo de 2026, foi um dos melhores destaques de Um Stalker Apaixonado.

Imagem: Magnolia Pictures/Reprodução

Ora inconsequente e incômodo para quem tem conhecimento sobre o transtorno que dá nome ao título original do filme, Um Stalker Apaixonado pode ser divertido quando visto como mais uma produção de humor ácido sem filtros. No entanto, a cena final, onde Ray Nicholson demonstra com bastante naturalidade as variações emocionais do seu antagonista, dá a entender que o filme tinha algo realmente sério para discutir com o público. Uma pena que essa mensagem tenha sido ofuscada pela brincadeira.

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