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    Crítica | Uma Doce Revolução

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    É irônico como o Dia Internacional da Mulher se tornou uma data para elogiarem a “beleza”, a “delicadeza” ou até mesmo a “força” da mulher. Quando sabemos que o dia em si não é um dia bonito ou romântico, mas sim um dia político que resultou da tragédia de vidas que lutavam pela igualdade dos direitos. 

    A luta feminina não é bonita, doce ou sutil. A história nos mostra isso a todo minuto. Mulheres esmagadas pelo sistema que insiste em colocá-las como “sexo frágil”. E se esse texto está político demais ou militante demais para o seu gosto, sinto muito! O filme que falarei a seguir é extremamente político, apesar da doçura do nome. 

    Em meados dos anos 1960, Grace Gordon (Anna Friel), uma mulher divorciada na casa dos quarenta, perde o pai e, com isso, descobre que a família perdeu todo o dinheiro e está endividada. Quando recorre ao banco sofre humilhação por ser uma mulher sem nada a oferecer à sociedade e os empréstimos só são liberados para homens. 

    Divulgação Synapse Distribution


    Em sua busca pela independência financeira Grace vai vender alguns bens e conhece o personagem do Sean Austin que a motiva a vender produtos Avon. Com isso, Grace acaba encontrando outras mulheres em seu caminho, de diferentes realidades. A narrativa é muito sensível e não precisa ficar explorando as situações para que entendamos a importância da sororidade. Ao se ver sem opções, ela se aproxima ainda mais de seu amigo congressista, com quem sempre flertou.

    Divulgação Synapse Distribution

    Enquanto isso, os movimentos civis contra a segregação racial estão acalorados. A história traz diferentes tipos de personalidades para representarem as figuras pretas da história, incluindo o revolucionário e um boêmio que vai mudando o ponto de vista no decorrer do tempo. Vemos um lado que merece ser mencionado que é o papel da mulher preta na sociedade e como o machismo estrutural afeta essas mulheres que, muitas vezes, se vêem sem expectativas. 

    Grace é uma personagem carismática que não se prende aos estereótipos e faz de tudo para conseguir atingir seus objetivos, até mesmo convencer um congressista a mudar a lei. As personagens coadjuvantes são tão carismáticas quanto a protagonista, a jovem Jubilee é determinada e traz ótimos momentos de reflexão. 

    Divulgação Synapse Distribution

    Apesar de toda a complexidade das temáticas abordadas, a tradução do nome do filme se encaixa perfeitamente ao enredo da trama, e é uma história doce, gostosa de acompanhar, que passa as mensagens com muita clareza e não gera dúvidas sobre seu objetivo. A obra “Charming the Hearts of Men” – título original – (Encantando o Coração dos Homens em tradução livre) é inspirada em acontecimentos reais de 1963, mas parece muito o que vemos em 2022. Afinal, até hoje ouvimos piadas falando o quão interesseiras as mulheres são, quem sabe ao assistirem esse filme percebam que na maioria das vezes, um “bom casamento” era a única opção para uma mulher. “Uma Doce Revolução” passa uma mensagem muito clara e é um ótimo presente para este 8 de Março.

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