sex, 24 maio 2024

Crítica | Vidente por Acidente

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Na nova produção nacional de humor dirigida por Rodrigo Van Der Put, Vidente por Acidente, acompanhamos Ulisses (Otaviano Costa), um arquiteto que passa por uma crise existencial e, após visitar uma consultora vocacional, descobre ter sido vítima de uma golpista, mas uma outra descoberta vai mudar sua vida de maneira radical.

Esperar de comédias nacionais algorítmicas – que dispõe de um numeroso elenco de personalidades que estão na mídia e situações que, em teoria, trazem consigo um humor típico e funcional para o cinema brasileiro – algo mais além do seu cansativo tradicional, chega a ser inútil, mas também não é prudente considerar tal espera ilusória, pois surpresas hão sempre de surgir quando menos esperamos. No caso de Vidente por Acidente, nova comédia de Rodrigo Van Der Put (Teocracia em Vertigem, Dois é Demais em Orlando), existe uma tentativa de desenvolver uma interessante mensagem idealizada com o decorrer da trama, o que não se concretiza exatamente, mas vale pela intenção.

Katiuscia Canoro e Otaviano Costa em Vidente por Acidente. Imagem: Star+

Partindo de um argumento idealizado pelo próprio Otaviano Costa, Vidente por Acidente mira na comédia genuinamente nacional e acaba acertando numa releitura de comédias estadunidenses onde o protagonista comete erros absurdos e precisa se redimir antes que seja tarde, o que já não é novidade, já que a fórmula é constantemente vista em produções de humor da Globo Filmes, o que não foi descartado aqui pela Star+. O maior empecilho que impede uma melhor funcionalidade do comédia caricata genérica que, por alguns razão, ainda chega a ser discretamente engraçada, é o roteiro que encontra, dentro da narrativa já simplória, soluções, além de óbvias, pifiamente elaboradas e que claramente desafiam a lógica e os limites do absurdo, chegando a implicar no humor que já tem seus problemas para verdadeiramente funcionar. No momento que o longa procura inserir reflexões, até inusitadas e teoricamente bem vindas (caso fossem levadas adiante), sobre existencialismo, missões e propósitos de vida, somos levados a acreditar que haveria uma abordagem, não filosófica, mas emocionante dessas temáticas tão importantes. Porém, logo somos atropelados com uma enxurrada de clichês e soluções piegas que tratam os temas da maneira mais superficial possível.

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Por outro lado, é difícil não deixar escapar uma leve risada das situações cômicas já batidas e que deveriam ser encaradas como algo genuinamente sem graça. Mas, talvez estejamos tão acostumados a esse típico humor que tenha se tornado rotina ao menos se divertir com a irreverência das piadas que ostentando referências, até nostálgicas, a cultura pop brasileira, tendo como destaque momentos que envolvem Xuxa Meneghel e seu clássico Lua de Cristal, além de brincadeiras com o próprio elenco que envolvem suas vidas pessoais e trabalhos antigos, como o canal Porta dos Fundos.

E é claro que uma produção nacional de comédia não podia deixar de contar com um elenco tão numeroso, porém mal aproveitado. Otaviano Costa até consegue convencer quando lhe é entregue uma abordagem mais dramática de seu protagonista, o único personagem bem trabalhado, inclusive. Porém, o ator mal consegue desencadear risadas em suas cenas de humor, dependendo arduamente de nomes como Evelyn Castro, Victor Lamoglia e Katiuscia Canoro para poder funcionar. Totia Meireles, veterana e consagrada atriz, protagoniza momentos que não combinam com a habilidade e competência da artista. Serjão Loroza e Stepan Nercessian fazem participações pequenas, mas chamam atenção pelos seus respectivos papéis.

Imagem: Star+

Deficiente de uma montagem criativa, que promove a intercalação de diversas cenas para resumir determinadas situações do longa ao som de uma trilha sonora repleta de clássicos, Vidente por Acidente não parece se importar com recursos que venham a possibilitar uma identidade visual memorável ao longa.

Em resumo, não há nada em Vidente por Acidente que o cinema de humor nacional, e até mesmo o internacional, já não tenham feito. Porém, ainda é possível se divertir com uma mesmice saudável e inofensiva.

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