Existe uma receita básica para se fazer uma animação ela é composta basicamente desses ingredientes. Uma importante lição moral, um companheiro de animal maluco, um romance e pelo menos uma cena de perseguição frenética. Raras, são as vezes que somos surpreendidos com algo além desse mais com mesmo. Viva – A vida é uma festa é um desses belos casos e entra pra galeria de obras que nós surpreendem e ficam marcadas no tempo (assim como Up – Altas Aventuras e Rei Leão).

A história segue Miguel, um menino mexicano que aspira a ser músico, ainda que em sua família todos tenham aversão a todas as formas de música. O motivo disso? Remonta do passado da sua bisavó, que foi abandonada pelo pai cantor e compositor para que ele pudesse seguir seus sonhos e isso deixou marcas. Quando o Dia dos Mortos acontece, Miguel se rebela com aqueles ao seu redor e, inadvertidamente, encontra-se preso do outro lado (o mundo dos mortos) um mundo emocionante e perigoso. E lá ele deve tentar encontrar seu caminho de volta aos vivos, ao mesmo tempo que prova seus talentos musicais.

A Terra dos Mortos vista em Viva é um dos mundos mais visivelmente ambiciosos da Pixar (uma visão de tirar o fôlego). Seus habitantes são capazes de atravessar o mundo dos vivos se, no Dia dos Mortos, alguém lhes preste tributo com uma fotografia, enquanto a sua existência do outro lado colapsa uma vez que toda memória deles se desapareça no mundo real.

O dilema aqui abordado pela Pixar é: o que é mais importante o amor pela família ou o amor ao seu maior sonho? Viva pergunta qual a forma de legado que mais importa e se nossas ambições pessoais podem coexistir com sucesso ao lado do nosso compromisso com os entes queridos. São profundas perguntas existenciais que são entregues em um pacote de cores vivas e música. E elas roubam a cena, não duvido que estejam concorrendo ao Oscar 2018. São belas canções que foram bem adaptadas para português, conseguindo capturar a essência da mensagem e a empolgação original.

Mas nem só de músicas vive a nova animação da Pixar. Críticas fortes também são feitas, como a fronteira entre os vivos e os mortos, que funciona de forma semelhante a um departamento de alfândega, e traz comparações inevitáveis ​​no mundo real (leia a ideia idiota de Trump de deportar imigrantes mexicanos).

Viva – A vida é uma festa é um filme lindo esteticamente, com conteúdo, sem deixar de ser afetuoso e muito divertido. Um filme que vai com certeza te levar as lágrimas. Viva, aproveite a sessão e não esqueça de levar uns lenços, você vai precisar.