qui, 9 fevereiro 2023

Fim de semana de Clássicos | Suspiria (1977)

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Um dos grandes precursores do movimento Giallo (ou o maior entre tantos) é Dario Argento. Inicialmente lançando em 1970 seu primeiro longa metragem, O Pássaro das Plumas de Cristal, e mais pra frente uma das suas obras mais conhecidas e elogiadas em toda sua carreira, Prelúdio para Matar (1975). Chega em 1977 e lança Suspiria, um resultado extraordinário e uma das maiores misturas entre trilha sonora e visuais criados da história do cinema. Mas será que depois de tanto tempo, a obra continua tão marcante assim ?

Susie Bannion, uma jovem bailarina americana, vai para a prestigiada Markos Tanz Company, em Berlim. Ela chega assim que Patricia desaparece misteriosamente. Tendo um progresso extraordinário, com a orientação de Madame Blanc, Susie acaba fazendo amizade com outra dançarina, Sara, que compartilha com ela suas suspeitas obscuras e ameaçadoras.

Fazendo parte desse subgênero tão querido do terror, o Giallo, sendo basicamente um movimento  fielmente fixado em assassinatos em série, geralmente se utilizando de detetives ou pessoas inocentes que acabavam caindo nessa intriga toda, e posteriormente acabavam resolvendo os crimes. Todo o mistério de descobrir quem é o assassino/assassina culminava ao clímax do longa.

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Após esse pequeno resumo do movimento, precisamos falar sobre Suspiria, um verdadeiro conto de fadas macabro de Argento. Não é surpresa a similaridade que o longa tem com o conceito de pesadelo, desde as constantes fugas de lógica que o filme apresenta, até seu exagero visual, usando bastante o domínio de cores como vermelho, verde e azul para estabelecer os diversos momentos de terror e pura apreciação de todo o cenário criado aqui. O maior destaque óbvio é sua fotografia e cenografia, criando visuais inesquecíveis para contextualizar seu horror, é tudo muito vivo e combina perfeitamente com essa ideia de “pesadelo” proposta pelo longa, cujo cenários são tão impactantes visualmente que beiram o irreal.

Tudo isso é combinado com a genial trilha sonora do filme, fruto da icônica banda de rock progressivo, Goblin. Destaque para as música tema da obra, onde funciona magistralmente como uma forma de presságio do perigo, ela ligam perfeitamente com os acontecimentos do filme, acabam causando aquela sensação de desconforto e obviamente de perigo inevitável. É fato de que ela toca pelo menos umas 3 vezes durante a história, mas é tão espetacular e inesquecível que justificam os constantes usos ao longo de seu crescente terror, no geral a trilha sonora inteira é uma obra prima, uma das maiores do cinema.

 É inevitável não falar da história de Suspiria, como dito antes, o seu maior destaque se deve a trilha sonora e visual icônico, por isso é evidente o pouco conteúdo que seu roteiro oferece. A maioria das explicações acaba que ficando bem vagas até sua conclusão, claro, existe o momento perto de seu final, onde nossa protagonista procura um pouco de respostas para toda aquela mística envolvendo as ditas bruxas, conseguindo algumas delas com um psicólogo e depois um professor especializado em estudo de bruxaria. Mas acaba que diversas coisas ficam para interpretação ou simplesmente não existe uma explicação óbvia, não ficamos sabendo mais sobre aquelas pessoas e tudo acaba que ali mesmo. Existe uma defesa que combina com o fator Pesadelo do filme, toda essa falta de lógica alia-se com essa sensação que a obra causa, remetendo diversos sonhos bizarros que todo mundo provavelmente já teve.

É de se admitir que Suspiria é no mínimo uma experiência curiosa, muito pela gigante atmosfera criada aqui, se o telespectador abraçar isso, é contemplado com umas das melhores imersões já criadas do gênero terror. É tudo tão absurdo e exagerado que a ideia de pesadelo é totalmente viva e cresce até seu inevitável clímax, de forma que assim como começou com uma fortíssima chuva, se encerra da mesma maneira. Esse conto de fadas macabro de Dario Argento merece ser visto por todos, dificilmente teremos algo parecido desse banquete em visual e trilha sonora.

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