Após a primeira exibição do filme Planeta dos Macacos: a Guerra no Cinemark Eldorado (SP), o Estação Nerd participou da coletiva de imprensa com o ator britânico Andy Serkis, que veio ao Brasil para divulgar o longa.

Confira parte da entrevista com o ator, que fez fama em interpretar o Góllum em O Senhor dos Anéis e abrir caminho para os personagens digitais no cinema!

Foto: Mauricio Santana

“O tema principal do filme para mim é a empatia” disse Serkis ao falar sobre os comentários sociais presentes no filme. A franquia nos mostra como a empatia e a falta dela trazem grandes consequências para ambos os lados. Em tempos de ideologias tão contraditórias encontrar soluções na simplicidade parece ser a resposta, disse ainda.

Segundo Serkis, nesse filme não existem vilões e mocinhos, existe uma moralidade dúbia e a história é contada em tons de cinza. Todos tem seus motivos e podemos entende-los, mesmo o personagem César é falho, e acaba se enchendo de ódio. Mas quando finalmente olha nos olhos de seu oponente, de quem ele quer matar, ele recupera a sua empatia.
Serkis falou também sobre a evolução da captura de movimentos, no qual é um especialista, desde que interpretou o icônico Gollum (O Senhor dos Anéis, 2001).

“É uma ferramenta, uma tecnologia e não um gênero de atuação” É preciso muita pesquisa para interpretar um macaco, como se movem, como se comunicam. E esses são macacos que evoluíram rapidamente por causa da droga testada neles no começo da franquia, eles nos fazem refletir sobre a condição humana. Com o avanço da tecnologia ficou possível
atuar diretamente com uma câmera acoplada como um capacete, captando em tempo real as expressões faciais e dando mais realismo aos personagens.

Perguntado sobre a falta de reconhecimento de atores com performances como a dele, Serkis fez duras críticas aos membros mais velhos das tradicionais premiações de cinema. “Se eu estivesse fantasiado de macaco e maquiado eles diriam ‘Uau! Que grande interpretação!’, existe muito preconceito e ignorância por parte desses membros, mas com a cobrança constante que vem ocorrendo do público e com os diretores e membros mais jovens já reconhecendo que não é diferente de outra performance, acredito que em até 5 anos isso deve mudar e não teremos mais essa discussão.”

Sobre o envelhecimento de César e sua nova postura como pai e líder, Serkis nos conta que chegou a usar pesos nas pernas e nos braços para passar a ideia de que César, mais antropomorfizado e ereto, carregava o peso do mundo nas costas por conta de uma guerra e da situação emocional da personagem. Revela ainda que foi mais cansativo gravar a personagem quando jovem, por ele ter muita energia e vigor físico.

Foto: Mauricio Santana

No segundo filme da franquia, César tem a necessidade de falar, mas suas falas ainda não são bem construídas, mas agora a inteligência dele avançou para um nível quase humano e suas falas ficaram mais claras, mais humanas.

Serkis disse também que se inspirou em Nélson Mandela como líder em busca de uma sociedade igualitária, e que enxerga a jornada de César como um épico, um messias levando seu povo à Terra Prometida.

Numa última pergunta, sobre se ele faria uma outra personagem num eventual retorno ao universo de Planeta dos Macacos, ele disse que se fosse com um diretor que ele gosta, como Matt Reeves e com uma personagem que fizesse sentido, claro que voltaria, já que com essa tecnologia isso é possível.