qua, 22 maio 2024

Exposição “Constituinte do Brasil Possível” vai selecionar 10 artistas negros para executar obras que representem uma nação brasileira mais inclusiva

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Idealizada pela diretora e produtora executiva Mariana Luiza (“Redenção”), em colaboração com as professoras Ana Flávia Magalhães Pinto (História-UnB e Arquivo Nacional) e Thula Pires (Direito-PUC-Rio), a exposição “Constituinte do Brasil Possível” é uma ação cultural que propõe uma reimaginação histórica na qual a população negra brasileira, em oposição ao curso da História Oficial, participaria ativamente dos debates parlamentares do país desde a abolição da escravidão em 13 de maio de 1888. Por meio de um edital de convocação pública, serão selecionadas 10 propostas artísticas inéditas, de pessoascom idadea partir de 18 anos, autodeclaradas pretas ou pardas. Artistas de todo o Brasil, com trajetórias mais consolidadas ou estreantes, podem se inscrever. Cada artista selecionado vai receber R$4.500,00 para executar sua obra, que tem previsão de ser exibida no Centro Cultural dos Correios do Rio de Janeiro em outubro deste ano. As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas através deste formulário on-line até o dia 26 de junho de 2024, às 23h59. O resultado será divulgado no site www.linhadecor.com e nas redes sociais do projeto no dia 15 de julho de 2024. 

No mesmo formulário, os interessados devem enviar um vídeo de um a quatro minutos que responda à pergunta “Como sua obra pode contribuir para o imaginário de um Brasil possível?”  junto com um portfólio e uma proposta artística, que podem ser entregues no formato PDF ou vídeo/animação. Todos os detalhes, exigências e demais etapas estão no edital, que está disponível no site Linha de Cor.  

As propostas artísticas devem conter uma descrição minuciosa sobre a linguagem que o candidato pretende adotar. Entre as linguagens estão: pintura (em variados materiais), escultura, impressão 3d, gravura, fotografia, indumentária, artesanato, arte gráfica, xilogravura, poesia visual, arte postal, zine, performance, grafite, lambe-lambe, stencil, colagem, fotoperformance, artes integradas e outras não especificadas anteriormente. 

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“A exposição propõe um exercício de imaginação histórica para o Brasil que se firmava enquanto nação no século XIX. Convocamos artistas negros (pretos e pardos) a imaginarem projetos para o Brasil a partir de personagens negros invisibilizados pela História oficial. E se no dia seguinte a abolição da escravidão, uma nova Constituinte fosse convocada para o Brasil com a participação ativa de pessoas negras? Partimos de uma Constituinte afro-brasileira desejando inspirar fabulações históricas de todos os excluídos deste projeto de nação branco, patriarcal e eurocêntrico que se construiu e ainda está em curso no Brasil”, explica Mariana. 

Quatorze de Maio de 1888 

Com curadoria coletiva composta por Yago Lima, arquivista e consultor em Museologia, em conjunto com Mariana, Ana Flávia e Thula, a exposição “Constituinte do Brasil Possível” propõe um exercício imagético em que uma Constituição fabulada reuniria artistas do presente com personagens históricos negros do século XIX. O objetivo é criar um debate sobre propostas de um Brasil possível, em que pretos e pardos, a maioria da população, são vistos como sujeitos decisivos nos debates e encaminhamentos de projetos políticos, sociais e culturais do país. A data chave para o projeto é o dia 14 de maio de 1888, um dia após a abolição da escravatura, em que pessoas negras continuaram a ser marginalizadas pela sociedade. 

“No 14 de maio fabulado por nosso time de historiadores, pretendemos discutir um atraso de 66 anos que separa a afirmação da independência e uma não participação equitativa da população negra e indígena na sociedade. Personagens que atuaram na sociedade civil e na política poderão se fazer presentes na Constituinte como alguém que deixou um legado. São alguns deles: Maria Amanda Paranaguá, Tia Ciata, André Rebouças, José do Patrocínio, Machado de Assis, entre outros”, explica a professora de História da UnB, Ana Flávia Magalhães Pinto. 

A exposição “Constituinte do Brasil Possível” é integrante do Projeto Linha de Cor, uma iniciativa inédita que envolve pesquisa, educação e audiovisual realizados por pessoas negras. Ela foi contemplada pelo Edital Pró-Carioca Diversidade Cultural – Edição Paulo Gustavo – SMC nº 04/2023, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro (PCRJ), por intermédio da Secretaria Municipal de Cultura (SMC). 

MARIANA LUIZA | Idealizadora, Curadora e Produtora Executiva 

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Mariana Luiza é uma mulher negra, uma contadora de histórias. O seu trabalho como roteirista e realizadora tem sido reconhecido em festivais de cinema nacionais e internacionais, onde explora temas relacionados com a identidade negra, pertença e gênero.  

Mariana é idealizadora e criadora do projeto Linha de Cor, projeto transmídia que investiga o papel do Estado na estruturação do racismo no Brasil. O projeto é composto por uma pesquisa de leis e projetos de leis que marginalizaram o povo negro no Brasil, e as ações de resistência de pessoas pretas a estas leis. A pesquisa resulta na exposição Constituinte do Brasil Possível, no website Linha de Cor e no longa-metragem documental A Cor da Margem (em desenvolvimento). 

Em 2023, realizou a instalação imersiva “Redenção”, que foi selecionada para a competição imersiva de não ficção no International Documentary Film Festival Amsterdam, o IDFA-Doclab.  

Em 2021, dirigiu dois episódios da série de streaming “Enigma da ‘Energia Escura'” (26 min) produzida pelo Lab Fantasma e GNT. Em 2017, Mariana dirigiu o curta-metragem de ficção “Casca de Baobá” (12 min), que foi exibido em diversas mostras e festivais no Brasil e em países como Canadá, Estados Unidos, França, Portugal, Coreia do Sul, Colômbia, Cabo Verde, entre outros, tendo recebido seis prêmios. Em 2010, dirigiu o documentário “A B Ser” (52 min), que ganhou o prêmio Filma Brasil da TV Futura. Como roteirista, Mariana já colaborou com produtoras como Preta Portê Filmes, Conspiração Filmes e Coqueirão Pictures. Co-roteirizou o filme “Praia Formosa” (2024, IFF Rotterdam), dirigido por Julia De Simone, e contribuiu para “A Festa de Leo” (2023, Festival do Rio), dirigido por Gustavo Melo e Luciana Bezerra. Mariana é formada em roteiro pela New York Film Academy e em montagem pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro, no Rio de Janeiro. É membro ativo da Associação dos Produtores Audiovisuais Negros (APAN), Brown Girl DOC Mafia (BGDM), African American Women In Cinema (AAWIC) e Talento Paradiso. 

ANA FLÁVIA MAGALHÃES | Coordenadora da Pesquisa e Curadora 

Doutora em História pela Unicamp (2014), mestre em História pela UnB (2006); bacharel em Jornalismo pelo UniCeub (2001); e licenciada em História pela Unip (2017). É professora adjunta do Departamento de História da UnB. Atua no Programas de Pós-Graduação em História (PPGHIS) e Direitos Humanos (PPGDH) também da UnB. Desde a primeira graduação, desenvolve pesquisas articulando conhecimentos das áreas de História, Comunicação, Literatura e Educação, com ênfase em: atuação político-cultural de pensadores(as) negros(as), imprensa negra, abolicionismos e experiências de liberdade e cidadania negras no período escravista e no pós-abolição no Brasil e em outros pontos da Diáspora Africana; sempre atenta ao Ensino de História. É atualmente coordenadora da Regional Centro-Oeste do GT Emancipações e Pós-Abolição da Anpuh (2019-2021) e integrante da Rede de Historiadoras Negras e Historiadores Negros (RHN). Atualmente é diretora do Arquivo Nacional. 

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THULA PIRES | Coordenadora da Pesquisa e Curadora 

Doutora (2013) e mestre (2004) em Direito Constitucional e Teoria do Estado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Graduada em Direito pela mesma universidade em 2002. Atualmente é professora nos cursos de graduação e pós-graduação do Departamento de Direito da PUC-Rio, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Direito e coordenadora-geral do Núcleo Interdisciplinar de Reflexão e Memória Afrodescendente (Nirema). Professora Visitante Jr. no African Gender Institute, University of Cape Town (CAPES/Print/2020). Jovem Cientista do Nosso Estado (FAPERJ, 2022/2025). Integrante do Conselho do Instituto Clima e Sociedade (ICS), da Assembleia Geral da Anistia Internacional no Brasil e associada de Criola. 

Mãe da Dandara e bailarina. Tem experiência na área de Direito Constitucional, atuando principalmente com os seguintes temas: pensamento afrodiaspórico, racismo, mulheres negras, decolonialidade, teoria crítica da raça, direitos humanos e teoria do reconhecimento. 

YAGO LIMA  | Curador 
Produtor e curador independente, atua nas áreas de elaboração, gestão e produção de projetos artístico-culturais. É graduado em Arquivologia pela UFBA, com mestrado em Museologia e Patrimônio pela UniRio/Mast. Atualmente, é discente do curso de Produção em Comunicação e Cultura na UFBA. Também trabalha como arquivista no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, consultor em Museologia no Museu da Fazenda Federal no Rio de Janeiro e produtor executivo e brincante da Quadrilha Junina Show em Anguera/BA. 

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Hiccaro Rodrigues
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios. Contato: [email protected]