qui, 20 agosto 2026

Ficção científica explora consequências do racismo no Brasil

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Em O Homem-Máquina de Taruã, escrito por Eliander A. Costa, um condomínio tem normas sociais e econômicas tão severas que elas parecem impossíveis de mudar. O edifício é dividido em dois: o “Lado de Lá”, onde moram os ricos, poderosos e escravagistas, e o “Lado de Cá”, habitado pelas pessoas pobres que sobrevivem em trabalhos degradantes, servindo às famílias endinheiradas.

No universo desta ficção científica, quem ousa se rebelar contra essa filosofia e modo de vida sofre castigos severos. Até mesmo as crianças são vítimas de humilhações, se considerado necessário para manter a ordem do sistema. Em um mundo definido pelo autoritarismo, aqueles que detêm o poder conseguem perpetuar a supremacia ao longo de muitas gerações.

De um lado, uma série de casebres miseráveis, construídos de forma padrão, dava ao cenário uma singularidade única. Do outro, um paraíso de estruturas sólidas, moldado com os materiais mais exuberantes que o planeta pode oferecer. Assim, as fronteiras territoriais, entre patrões e empregados, eram demarcadas por um aramado de ferro gradeado. (O Homem-Máquina de Taruã, p. 43)

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Esse contexto, porém, começa a mudar quando surge Taruã. Morador do “Lado de Cá”, ele cresceu se destacando em relação às demais crianças da sua idade porque tinha habilidades cognitivas elevadas para a criação artística e tecnológica. Apesar de seu destaque intelectual, o protagonista alimenta uma indignação contra o mundo desigual e violento que condena sua própria mãe – e todos que conhece – a uma vida árdua.

Decidido a transformar essa realidade, Taruã embarca em uma jornada para construir uma invenção capaz de destruir o condomínio. Essa aventura, porém, fará com que o herói enfrente surpresas, revelações e grandes desafios. Entre reviravoltas, ele contará com alianças que potencializarão seu propósito de justiça.

“Apesar de a obra passar pelo campo da tecnologia, o texto exalta a poesia e seu poder emancipador de contribuir com o processo de humanização das pessoas. Taruã foca na construção de um homem-máquina, mas a sua humanidade é tamanha que ele não permite que seus sentimentos, valores e princípios sejam mecanizados”, complementa o autor.

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Com capítulos curtos, uma história intensa e uma linguagem poética, o romance retrata a força transformadora das vozes dissidentes. Ao atravessar temas contemporâneos, como o racismo, as desigualdades de classe e a exploração do trabalho, Eliander A. Costa convida a refletir sobre a importância de promover a dignidade humana e desenvolver a empatia.

FICHA TÉCNICA

Título: O Homem-Máquina de Taruã
Autor: Eliander A. Costa
Editora: Literando
ISBN: 978-6554088718
Páginas: 184
Preço: R$ 20 (e-book)
Onde comprar: Amazon 

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Hiccaro Rodrigues
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios. Contato: [email protected]