Início Especiais Fim de Semana de Clássicos | Halloween (1978)

Fim de Semana de Clássicos | Halloween (1978)

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Existem filmes que marcaram época, definiram o antes e depois do cinema, aqui no caso do terror, mais especificamente o subgênero Slasher. Revisitando Halloween(1978) é impressionante notar os detalhes que o fizeram um clássico da sétima arte, mesmo com diversas continuações polêmicas ou bem abaixo do nível estabelecido pelo original, Michael Myers ainda é um dos melhores e mais emblemáticos vilões do cinema.

Um perigoso assassino foge do hospício onde era mantido, retornando ao bairro onde matou sua família quando criança. Lá ele passa a observar e perseguir os jovens moradores da rua, em especial Laurie. Com uma história totalmente simples, John Carpenter e Debra Hill realizaram uma revolução no gênero, isso está ligado não apenas a ajuda dos produtores, mas a paixão dos seus realizadores, seu total foco e confiança no projeto apresentado. A decisão de liberdade criativa para Carpenter foi um dos fatores chaves para a realização de uma verdadeira obra prima. A combinação de direção e trilha sonora é uma das melhores do cinema.

A divisão da história do filme é realizada em três partes: o prólogo envolvendo Michael Myers, com 6 anos de idade, que assassina sua irmã no ano de 1963. Totalmente emblemático, usando o famoso Ponto de vista do assassino e um genial plano sequência, bem comum nos filmes do gênero hoje em dia. A segunda parte envolve o passar de 15 anos na narrativa, mostrando a fuga de Myers do hospital, e a busca de Dr Samuel Loomis pelo psicopata. Acompanhamos seu retorno para a fictícia cidade de Haddonfield. Enquanto isso, somos apresentados a Laurie Strode(Jamie Lee Curtis) e suas amigas. Todo o mistério do assassino apresentado nessa segunda parte reforça mais ainda o medo do telespectador do que ele é capaz de fazer, desde a citação de que ele não fala desde a infância, até sua total frieza e calma enquanto passeia pela cidade. Na última parte, enfim os crimes e a perseguição final de Myers com Laurie, a cidade criada é um palco gigante para a realização de elementos simbólicos envolvendo esse mal encarnado.


É interessante notar a alta qualidade apresentada na obra, mas com pouquíssimos recursos. A notável falta de sangue não faz diferença alguma, ainda mais que sua atmosfera e tensão o transforma num filme adulto, e sua eventual nudes óbvio. Mas incrível perceber que a nudez aqui ela é usada como artifício para a vulnerabilidade das vítimas, enquanto Laurie, a única não envolvida em relações sexuais, se transforma na final girl. Chegando no ponto principal, a maior responsável pelo feito de obra prima para o longa, é sua trilha sonora, realizada por John Carpenter, uma das maiores do cinema. Ela consegue elevar o nível de tensão e imersão nas cenas apresentadas aqui, ela se tornou icônica, a maior do gênero Slasher. Esse grau minimalista é genial, dialoga perfeitamente com as cenas do filme, desde a longas observações de Myers á suas vítimas, até as tensas perseguições contra Laurie. O diretor tem total controle sobre seu filme, manipula sentidos e noções espaciais com maestria, deixando sempre em dúvida se a vítima irá realmente escapar do assassino.

A mística envolvendo Michael Myers é outro primor, mesmo quando ele não está presente nas cenas, é quase intuitivo procura-lo, sua presença é sentida no ambiente. É uma entidade criada aqui, um ser que deve ser temido. O final do filme deixa um ponto final nessa questão, após baleado por Loomis e cair da varanda, ele apenas desaparece. O estudo de espaços trazido por Carpenter é ligado 100% com seu assassino, cenas em lugares abertos e de dia(consideradas “seguras”), aqui servem para a criação do suspense, um palco gigante para seu assassino se esconder e observar suas vítimas. Sem sabermos de onde ele virá. Não existe lugar seguro.

Halloween- a Noite do Terror é um obra que usa o medo de forma calma e com precisão, estabelece seu assassino, sua cidade e vítimas. Em tempos de obras do gênero com inúmeras decisões afobadas, até mesmo continuações posteriores da saga Halloween, esse permanece como um dos suprassumos do horror, é uma combinação perfeita de imagem, atmosfera, música, e principalmente confiança num projeto elaborado por pessoas que queriam revolucionar o cinema.

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