Os jogos que levaram os nerds a dominar o mundo do pôquer

Por muitos anos, não era fácil encontrar nos Estados Unidos um jogador de pôquer profissional que tivesse ensino superior completo – alguns sequer entraram na faculdade. Antes da era digital e do surgimento de plataformas como a Poker Loco online, o jogador de pôquer típico era alguém com muita vivência prática e pouca bagagem acadêmica.

Entretanto, antes mesmo de as primeiras salas de pôquer online terem surgido, no final dos anos 1990, e mudado para sempre a cara do jogo, já era possível ver nerds participando de alguns dos principais torneios do mundo, principalmente os da World Series of Poker (WSOP) em Las Vegas.

Os mais destacados dentre esses nerds eram, geralmente, enxadristas que se sentiam atraídos pelo desafio intelectual que o pôquer proporciona. Aqui, podemos destacar nomes da velha guarda, como Howard Lederer e Dan Harrington – este último, vencedor do evento principal da WSOP de 1995.


No entanto, nessa leva também havia aqueles que, antes do pôquer, chegaram aos cassinos através de outro jogo: o blackjack. Andy Bloch, por exemplo, é um jogador de pôquer profissional que se notabilizou por ter sido membro da famosa equipe de blackjack do MIT, cuja história inspirou a trama do filme Quebrando a banca, de 2008.

Foi assim que, aos poucos, os torneios de pôquer passaram a atrair jogadores das mais diversas origens. No entanto, nem o xadrez nem o blackjack se comparam ao que o pôquer online fez por esse jogo há pouco mais de 15 anos. Foi por meio do universo digital que o pôquer virou uma febre, fazendo com que a quantidade de nerds nos cassinos crescesse exponencialmente.

Muitos desses nerds já tinham bastante experiência com Magic: The Gathering. O primeiro jogador de Magic a se tornar um nome famoso no mundo do pôquer foi o americano David Williams, que em 2004 ficou em segundo lugar no evento principal da WSOP, para o qual se classificou jogando online.

Desde então, muitos outros jogadores de Magic ganharam até mais destaque do que Williams. Destes, podemos citar Isaac Haxton – considerado um dos melhores jogadores de cash game online – e Jonathan Little – que, além do seu sucesso em torneios, é hoje um renomado autor e coach de pôquer.

Por fim, há aqueles que se sobressaíam em games como StarCraft e Warcraft. Nesse sentido, o grande destaque é sem dúvida o francês Bertrand Grospellier – também conhecido como ElkY –, vencedor não só de dois torneios da WSOP, mas também de um da WPT (World Poker Tour) e outro da EPT (European Poker Tour).

Mas por que há tantos nerds no mundo do pôquer? Como observa a jogadora britânica Liv Boeree, o pôquer é um daqueles jogos que privilegiam aqueles que têm uma inteligência matemática muito bem desenvolvida, ou seja, pessoas que sabem “interpretar os números e usá-los ao seu favor”. A própria Liv, formada em astrofísica pela Universidade de Manchester, é um exemplo desse tipo de pessoa.

Entretanto, nem só de conhecimentos matemáticos vivem os jogadores de pôquer. Nomes como Phil Ivey e Daniel Negreanu tendem a ser não só matematicamente inteligentes, mas também sabem reconhecer e gerir as próprias emoções, o que é um ingrediente fundamental para se tornar um bom jogador. Habilidades como atenção, autoconsciência e autocontrole não podem faltar no “pacote”.

Todas essas qualidades podem, em maior ou menor medida, ser desenvolvidas por meio de outros jogos, mas nenhum deles premia tanto a inteligência emocional quanto o pôquer, e é justamente esse misto de QI (Quociente Intelectual) e QE (Quociente Emocional) que faz com que essa modalidade seja uma das mais desafiadoras que temos por aí.

Uillian Magelahttps://estacaonerd.com
Co-Fundador do Estação Nerd. Palestrante, empreendedor e sith! No momento, criando meu sabre de luz para cortar a lua ao meio. A, SEMPRE escolha a pílula azul. Não faça como eu!

Deixe sua opinião!

INSTAGRAM

AS MAIS LIDAS