Título: Eu, Robô
Autor: Isaac Asimov
Tradução: Aline Storto Pereira
Editora: Aleph
Ano: 2014
Número de páginas: 320

Sinopse:

Sensíveis, divertidos e instigantes, os contos de Eu, robô são um marco na história da ficção científica, seja pela introdução das célebres Leis da Robótica, pelos personagens inesquecíveis ou por seu olhar completamente novo a respeito das máquinas. Vivam eles na Terra ou no espaço sideral; sejam domésticos ou especializados, submissos ou rebeldes, meramente mecânicos ou humanizados, os robôs de Asimov conquistaram a cabeça e a alma de gerações de escritores, cineastas e cientistas, sendo até hoje fonte de inspiração de tudo o que lemos e assistimos sobre essas criaturas mecânicas.

Resenha de “Eu, Robô” de Isaac Asimov

Eu, Robô é um livro de contos. Existe uma conexão entre os contos que deveria ser uma história, mas que é um pouco rasa, na minha opinião. Um jornalista entrevista a Psicóloga Roboticistas Susan Calvin. A Dra. Calvin tem importância singular na US Robotics, empresa que revolucionou o mundo da robótica. A empresa criou os cérebros positrônicos, que dão aos robôs inteligência e personalidade.

E é aí que entra a Psicóloga Roboticista. Por conhecer como ninguém o modo como esses cérebros funcionam, Susan fez sua carreira na empresa, sendo peça fundamental em muitos casos de “erros” com os robôs fabricados. Na entrevista ela vai contando esses casos, cada um deles, um conto diferente, muitos deles com os mesmos personagens.

Nesses contos, os robôs foram proibidos de coexistir na Terra. Eles auxiliam os humanos em outros planetas, fazendo trabalhos que seriam difíceis ou impossíveis para nós. Na Terra têm apenas máquinas equipadas com a tecnologia, a fim de calcular e facilitar os humanos na economia, na produção de alimentos, indústria e etc.

O que permite a ótima convivência com os humanos são as três leis da robótica, as quais impedem os robôs de 1- ferirem um humano; 2- de não agir quando um humano estiver em perigo e 3- preservar a sua existência, desde que para isso não infrinja as duas primeiras leis. Resumidamente é isso, e exatamente nessa ordem. Essas leis são o que tornam as estórias interessantes.

As estórias têm um peso psicológico. Elas contam situações limites em que os humanos responsáveis pelos testes dos robôs tentam identificar uma aparente falha. O desenrolar do problema até identificar a causa, normalmente cai em uma das três leis da robótica. E é hilário e irônico ao mesmo tempo como as coisas se resolvem.

Em um dos contos, um robô se mistura a tantos outros para se esconder dos “mestres” no seu local de trabalho. Ao investigar o caso, a Dra. Susan descobre que esse robô recebe a ordem de “sumir”, a lei da robótica faz com que ele siga a ordem a risca. A maneira habilidosa com que ele se esconde e persuade os demais a escondê-lo é genial.

Uma das estórias que mais gostei foi “Razão”, em que um robô apresenta crenças religiosas. Ou o “Mentiroso!” um robô que lia pensamentos. A resolução desse especificamente é absurda de boa.

Em todos os contos a sagacidade do cérebro positrônico é mostrada com tanta genialidade, que não tem como não acreditar que aqueles personagens existam. Eu ficava pensando naquelas situações. Que tipo de “seres” seriam eles? Que direitos teriam? E ainda penso que seria muito legal se tivéssemos robôs andando por aí e pensando e tomando decisões.

Sobre Isaac Asimov

O autor Isaac Asimov começou a pensar em histórias de robôs em 1939, quando os robôs eram retratados como uma criação perigosa. Inevitavelmente eles sempre se voltavam contra a humanidade e a catástrofe era inevitável. O autor, que era apaixonado por ficção científica e nerd total, não queria acreditar que conhecimento se tornasse em algo perigoso, por isso discordava das histórias de robôs “perigosos”.

Asimov queria retratar robôs de um modo diferente, e inspirado num conto chamado “Eu, Robô” começou a escrever as suas histórias. Elas eram publicadas em revistas conforme ele conseguia espaço. Até que em um determinado momento veio o convite para reuni-las num livro que recebeu o nome do conto que o inspirou. Foi ideia do editor e não dele.

As três leis da robótica foi a grande criação dele para que a máquina não se voltasse contra a humanidade. Quem assistiu o filme de mesmo nome do livro deve ter percebido a diferença. O filme usa justamente isso como pretexto. Seria como se os robôs fossem humanos, pensassem como tais. O que não é “verdadeiro”, sequer possível, nos contos de Asimov. Os robôs chegam a ser ingênuos, são puros, como diz a Dra. Calvin em alguns momentos.

Os robôs de Asimov não chegariam naquela selvageria retratada no filme. São muito melhores do que isso, mais espertos. E têm um jeito mais eficiente e criativo para lidar com os riscos que os homens oferecem a eles mesmos.

“Eu, Robô” é mais do que ficção científica e história de robôs. Tem provocações muito interessantes. Recomendo muito!