qua, 17 agosto 2022

Rhizomatiks estreia exposição interativa na Japan House São Paulo; Confira!

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Arte e tecnologia se encontram na próxima exposição da Japan House São Paulo, “O que não se vê – Rhizomatiks”. A mostra inédita e interativa com entrada gratuita apresenta o trabalho de um dos principais grupos criativos do Japão, reconhecido mundialmente por projetos que estudam a confluência entre a tecnologia, análises de bancos de dados e a expressão humana por meio da arte. Em cartaz de 12 de julho a 2 de outubro, a exposição reúne três instalações: Sensing Streams 2022 – invisible, inaudible; Optical Walls (Ryuichi Sakamoto e Daito Manabe) e “Gold Rush” – Visualization + Sonification of OpenSea activity, além da seção Rhizomatiks Archive & Behind the Scenes, que traz uma seleção de dispositivos criados pelo grupo japonês ao longo de seus 15 anos de atividade.

Fundado em 2006, o coletivo Rhizomatiks explora novas formas de expressão e de tecnologia, apresentando trabalhos inovadores centrados em pesquisa e desenvolvimento, bem como projetos colaborativos com outros artistas e pesquisadores. Na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos Rio 2016, no Rio de Janeiro, o coletivo se destacou pela performance tecnológica que combinava realidade virtual com computação gráfica.

Na Japan House São Paulo, os visitantes poderão vivenciar diferentes experiências ao adentrar o térreo da instituição nipônica: interação, imersão e contemplação. Começando pela instalação Sensing Streams 2022 – invisible, inaudible – desenvolvida por Daito Manabe, um dos fundadores do Rhizomatiks, em colaboração com o músico japonês Ryuichi Sakamoto, compositor de trilhas sonoras vencedoras do Oscar e BAFTA como a Merry Christmas Mr. Lawrence (e que participou da cerimônia de inauguração da Japan House São Paulo), a obra detecta ondas eletromagnéticas por meio de uma antena e torna visíveis e audíveis as diferentes frequências dessas ondas em tempo real por meio de uma grande tela de LED, de mais de 10m² com alta definição e alto-falantes. A partir daí, o público é convidado a interagir com a obra, mudando a frequência e o comprimento de onda com um controlador manual.

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Além disso, as imagens e sonoridades são alteradas em tempo real, a partir das ondas presentes no local, incluindo aquelas vindas dos smartphones. “Nos dias atuais, quando as ondas eletromagnéticas se tornaram parte essencial de nossa infraestrutura, esta obra nos torna conscientes de um fenômeno que geralmente passa despercebido – o fluxo, ou fluxos, de uma infinidade de ondas eletromagnéticas -, ao mesmo tempo em que reflete nosso envolvimento ativo através de telefones celulares e smartphones”, explica Daito Manabe.

Outro projeto que chega pela primeira vez ao Brasil é Optical Walls, instalação criada pelo engenheiro de hardware do Rhizomatiks, Youichi Sakamoto, em colaboração com a empresa química Mitsui Chemicals. Nesta obra, um jogo de luzes de LED atravessa as lentes dispostas em uma sala escura enevoada criando um espaço segmentado pela luz. A luz difusa de LED neste ambiente cria paredes de luz que pairam no ar ou remete a imagem de portas se abrindo no escuro. “Na natureza existem fenômenos surpreendentemente complexos a partir das

ferramentas mais simples. Por exemplo, a órbita da Terra ao redor do Sol está sobre um eixo fixo e inclinado, que dá origem às estações do ano e a um conjunto mercurial de flutuações ambientais. Embora frequentemente esquecida no decorrer da vida cotidiana, esta inclinação de apenas 23,5 graus gera uma variação verdadeiramente notável neste planeta que chamamos de lar. Nossa instalação trata justamente sobre princípios enganosamente simples como esse. No fundo, é composta puramente de um punhado de fontes de luz rotativas que exploram o papel da difusão em superfícies planas. Utilizando materiais fabricados pelo homem, Optical Walls demonstra as leis fenomenológicas da natureza e um deslumbrante efeito caleidoscópico”, comenta o engenheiro.

A exposição “O que não se vê – Rhizomatiks” traz ainda a obra “Gold Rush” – Visualization + Sonification of OpenSea activity focada no universo digital, em especial no movimento dos NFTs e da CryptoArt, e provoca uma reflexão sobre os desafios da “corrida pelo ouro” moderna. O trabalho audiovisual surgiu das inúmeras pesquisas do coletivo em seu “CryptoArt Experiment”, plataforma desenvolvida pelo Rhizomatiks como um mercado para a compra de CryptoArt. Bem no meio dessa fronteira entre economia, tecnologia e arte, Gold Rush é um registro das 24 horas anteriores e posteriores ao dia 11 de março de 2021, data em que a obra “Everydays: The First 5000 Days”, do artista norte-americano Beeple, foi vendida pela casa de leilões britânica Christie’s por US$69.346.250,00 – um marco para a história das NFTs e da arte. Buscando refletir sobre a estética do NFT, que possui regras, lógica e estrutura totalmente diferentes das que são encontradas no mercado de arte existente no mundo físico, Daito Manabe analisou e tornou visível os dados da transação comercial dentro do OpenSea (plataforma de negociação de NFTs) – durante o dia no qual a obra supramencionada foi arrematada.

Para a diretora cultural da Japan House São Paulo e curadora da exposição, Natasha Barzaghi Geenen, “essa obra não chama a atenção apenas para um assunto tão atual quanto os NFTs, criptomoedas e blockchains, mas dá visibilidade para o dinamismo das relações virtuais e suas tantas possibilidades”.

Para os mais curiosos, a exposição da Japan House São Paulo ainda conta com uma seção dedicada a uma variedade de colaborações, trabalhos, registros de pesquisas e seus desenvolvimentos e outros projetos que foram desenvolvidos pelo Rhizomatiks no Japão e no mundo. A Rhizomatiks Archive & Behind the Scenes apresenta uma seleção de dispositivos criados pelo coletivo entre 2006 e 2021 que sublinha a inventividade do grupo tanto no campo tecnológico e da exploração e criação de hardwares e dispositivos, quanto artístico. São vídeos, dispositivos originais (como drones e outros objetos) e documentações, pelos quais é possível entender um pouco dos bastidores do processo de tentativa e erro que levam à produção única do coletivo japonês.

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“Era um desejo antigo trazer uma exposição dedicada ao trabalho do Rhizomatiks, com suas propostas experimentais, com seus jogos tão atuais entre o real e o virtual, suas novas possibilidades tecnológicas e de expressão. A seleção destas quatro obras específicas foi feita para que as pessoas possam conhecer alguns dos diferentes aspectos desse laboratório artístico que transita de maneira livre entre o mundo virtual e físico, entre os diversos campos de criação, entre as artes e o entretenimento”, comenta a curadora. “Para isso, criamos também um web app exclusivo para esta exposição, que além de conteúdos acessíveis, trará um micro universo sobre as obras e outros assuntos que perpassam os trabalhos do coletivo, como tecnologia e ciência. Serão imagens, vídeos e entrevistas com especialistas com conexões que trarão um panorama sobre o processo de desenvolvimento do grupo japonês.

Como complemento, haverá uma playlist musical no Spotify criada pelo próprio Daito Manabe exclusivamente para a mostra na JHSP”, complementa Natasha. Dentro do programa JHSP Acessível, a exposição “O que não se vê – Rhizomatiks” conta com recursos de audiodescrição, libras e bancada com elementos táteis.

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Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios.Contato: [email protected]

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