Sábado de Clássicos do Horror #2 | Confira três obras do gênero para assistir em Outubro

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No segundo Sábado de Clássicos do mês do horror, trazemos mais três indicações de filmes do gênero com comentários de nossa equipe.

Confira:

Monstros (Tod Browning, 1932)

Sinopse: Em um circo de atrações bizarras, Cleópatra é uma bela trapezista que é cortejada por um anão. Ao descobrir que ele é herdeiro de uma fortuna, ela arquiteta um plano com o seu amante, Hércules, para casar-se com o anão e depois envenená-lo. No dia do casamento, Cleopátra repudia os amigos do circo do seu futuro marido, chamando-os de nojentos e sujos. Eles se juntam para se vingar de Cleópatra.

Comentário: Dificilmente houve – e certamente não haverá – algo comparável a Monstros no cinema de horror. O filme do diretor Tod Browning, que um ano antes fez história ao comandar o famoso Drácula com Béla Lugosi, é fruto tão intocado de um momento de possibilidades do cinema que seria impossível recriar com toda a sua esquisitice e aspereza. O mais bonito nesse projeto, entretanto, é a sua capacidade de ressignificar o seu tom a partir dos rumos da trama. No início, aquilo que parecia querer provocar choque através das deformidades dos personagens do circo funciona, hoje, como uma apresentação cômica e leve às peculiaridades de cada um. Do ponto em que a história desenha seu conflito, seus contornos emocionais ganham a tração necessária para que o clímax – aí sim – seja sentido como o autêntico terror da catarse. Um terror de imagens assombrosas, de fato, mas também intensamente simbólicas em seu conceito de conjunto. Definitivamente, monstros assumem várias formas.

(Comentário de André Guerra)

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Filme disponível no HBO Max

Quando Chega a Escuridão (Kathryn Bigelow, 1987)

Sinopse: Caleb é seduzido por Mae, uma bela garota que também é uma vampira. Após ser mordido e transformado em uma criatura da noite, Caleb se junta a uma gangue de vampiros que aterroriza o interior dos Estados Unidos.

Comentário: Um conto de dualismos. Luz e trevas, noite e dia, presa e predador, humano e inumano. Vida e morte, acima de tudo. Bigelow leva seu protagonista por uma jornada de purgação pela noite/morte para que ele possa se tornar digno do dia/vida. Por mais que toda a mise em scene seja marcada por uma aura de fabulação que sugere o encaminhamento para um sentido maior, impressiona a dedicação que a diretora reserva às sequências isoladamente consideradas. Cria-se um senso de fases bem distinguíveis no caminho do protagonista – o bar, o hotel e o conflito final são particularmente memoráveis –, e esse senso traz um resultado que concilia muito bem a palpabilidade da ação concreta com a dimensão espiritual da obra. Bigelow compreende que, para chegar ao universal – e o filme chega, com uma das cenas finais mais belas e evocativas do gênero –, é preciso antes trabalhar e dar peso ao particular.

(Comentário de Felipe Lima)

Filme disponível no Telecine Play

Você É o Próximo (Adam Wingard, 2011)

Sinopse: Uma família aproveita dias de descanso em um local deserto quando homens mascarados invadem a casa com a intenção de matá-los. O que os assassinos não sabem é que uma das vítimas, na verdade, é uma ameaça.

Comentário: Adam Wingard subverte o home invasion em uma desconstrução de sua final girl. A quebra de expectativa funciona como uma brincadeira temática com o espectador, desorientando-o completamente e ressignificando suas percepções sobre filmes slashers. É interessante notar como Wingard utiliza o paralelo entre a casa e a família para estabelecer os pontos fracos de cada ambiente. Se pela janela acessamos os espaços delimitados arquitetonicamente que nos dão ingresso ao interior da casa – e por essa mesma fresta surgem os ataques iniciais -, ao nos inserirmos dentro do convívio familiar somos apresentados às suas fragilidades e conflitos cada vez mais aparentes, esses que serão levados até as últimas consequências. Wingard é econômico em suas cenas e, no caso da violência, só se torna devidamente frontal quando precisa entregar uma espécie de satisfação sádica, mas que funciona melhor do que a maioria dos filmes. Em uma espécie de mumblecore desestruturado e de interessante contraste com outras obras de mesma proposta, Você É o Próximo é um ótimo exercício revisionista e um manifesto contra certas concessões do gênero.

(Comentário de Gabriel Luna)

Filme disponível no HBO Max

Felipe Limahttp://estacaonerd.com
Formado em Direito. Palpiteiro em Cinema.

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