Sábado de Clássicos do Horror #5 | Confira três obras do gênero para assistir em Outubro

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No quinto e último Sábado de Clássicos do mês do horror, trazemos mais indicações de filmes do gênero com comentários de nossa equipe. Confira:

A Noite dos Mortos-Vivos (George A. Romero, 1968)

Sinopse: Ben e Barbara devem lutar para sobreviver quando os mortos levantam de seus túmulos para se alimentarem dos vivos. Eles encontram refúgio em uma fazenda, mas terão de fugir antes que os zumbis os alcancem.

Comentário: Difícil pensar numa estreia mais reveladora do gênio de um cineasta. Já em seu primeiro filme, Romero apresenta muitas das virtudes que o consagrariam como o mestre dos filmes de zumbi e um dos mestres do horror como um todo. A Noite dos Mortos-Vivos concilia a concretude no trato da ação e das relações entre personagens, numa dinâmica de cerco em espaço reduzido, com os ecos da dialética profano/sagrado, carne/alma que habita a narrativa desde o seu prólogo. É um filme em que preservar a vida passa, antes de tudo, pelo respeito e temor à morte. Para alguns, porém, ainda que se vença o jogo da sobrevivência em suas regras mais cruéis, a realidade reserva um fim seco, banal, sem qualquer liturgia. Talvez o grande mérito de A Noite dos Mortos-Vivos consista justamente em compreender e retratar a crueldade implícita na constatação de que, ao largo de todas as implicações compreendidas em sua premissa, há vidas e mortes mais dramatizáveis do que outras.

(Comentário de Felipe Lima)

Filme disponível no Mubi e no Net Now

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O Hospedeiro (Bong Joon-ho, 2006)

Sinopse: Na beira do rio Han moram Hie-bong e sua família, donos de uma barraca de comida no parque. Seu filho mais velho, Kang-du, tem 40 anos, mas é um tanto imaturo. A filha do meio é arqueira do time olímpico coreano e o filho mais novo está desempregado. Todos cuidam da menina Hyun-seo, filha de Kang-du, cuja mãe saiu de casa há muito tempo. Um monstro surge no rio, causando terror nas margens e levando com ele a neta de Hie-bong. Com isso, os membros da família precisam enfrentar o monstro.

Comentário: Em seu filme que adere mais francamente aos códigos do horror, Bong é capaz de se apropriar de diversos clichês de gênero – a referência caricatural aos filmes de monstro e desastre ambiental é muito presente – para não apenas instrumentalizá-los em favor duma dramatização robusta, o que faz muito bem, mas também ridicularizá-los quando preciso. Momentos de tensão extrema, por exemplo, são entremeados por cenas de humor propositalmente débil. Ao passo que utiliza, comenta e satiriza uma linguagem cinematográfica difundida pela indústria como regra geral, o filme constrói em seu argumento uma alegoria que cuida justamente da resistência dos agentes menores, as “pessoas locais comuns” – a cujas relações, perspectivas e ações é reservado todo o protagonismo em situações-chave – contra o arbítrio das instâncias de poder internas e externas, dando abertura nesse ponto a uma visão de relações geopolíticas que viria a ser aprofundada pelo diretor em Expresso do Amanhã e Okja. O Hospedeiro triunfa por convergir forma e matéria em uma mesma direção, voltando-se ambas, direta ou indiretamente, à manifestação de um discurso emancipatório – e não individualista, vale dizer – com notas de anticolonialismo. É dito que para desconstruir os fundamentos de algo é necessário, antes, conhecê-los até mais do que os seus defensores, e Bong parece saber bem disso.

(Comentário de Felipe Lima)

Filme disponível na Netflix

Maligno (James Wan, 2021)

Sinopse: Madison começa a ter sonhos aterrorizantes de pessoas sendo brutalmente assassinadas e acaba descobrindo que, na verdade, são visões dos crimes enquanto acontecem. Aos poucos, ela percebe que esses assassinatos estão conectados a uma entidade do seu passado chamada Gabriel e, para impedir a criatura, Madison precisa investigar de onde ela surgiu e enfrentar seus traumas de infância.

Comentário: Não se vê com tanta frequência um longa de grande estúdio e com alto financiamento surtar de maneira tão desconcertante quanto faz Maligno. 2021 já foi um ano bem prolífico e variado para os fãs do horror – e ainda assim o filme de James Wan distribuído pela Warner e já disponível no catálogo do HBO Max Brasil se destaca. O que no prólogo parece ser uma mistura de filme de exorcismo com histórias toscas de mutação se transforma rapidamente numa tradicional história de assombração. Essa, por sua vez, vira uma bela homenagem ao subgênero italiano giallo, com suas cores fortes, música histriônica, muito sangue e um misterioso assassino com visual característico. À medida que o mistério vai se desdobrando, todas as influências se misturam em um dos terceiros atos mais divertidos e criativamente malucos do cinema recente. É como se o diretor usasse tudo aquilo que faz melhor (seus planos assumidamente acrobáticos e sua direção de atores apropriadamente cafona) para potencializar os exageros mais essenciais do cinema de horror. E não há homenagem melhor do que essa a se fazer a um gênero.

(Comentário de André Guerra)

Filme disponível no HBO Max e no Net Now

Felipe Limahttp://estacaonerd.com
Formado em Direito. Palpiteiro em Cinema.

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