Sobre o MiMiMi na redução de impostos nos games

Há muito tempo que a comunidade gamer reclama dos altos impostos cobrados no Brasil, algo que impacta em vários produtos, como veículos, combustível, games, até em alimentos e remédios.

Recentemente o atual presidente postou em suas redes sociais, um vídeo onde ele estava jogando videogame e um seguidor fez um comentário sobre os altos impostos cobrados e ele simplesmente respondeu como de costume: “Vou falar com o Paulo Guedes”.

A princípio, por se tratar de um comentário feito por uma pessoa comum, ninguém deu bola, pois já faz muito tempo que foi criada uma proposta de lei para baixar os impostos nos games, que são erroneamente classificados em nossa legislação, na categoria “jogos de azar”, ou seja, na mesma categoria de cassinos, bingos e caça-niqueis.


Atualmente os impostos cobrados sobre games é de 72%, um dos maiores do mundo. Isso faz com que a maioria dos gamers acabe recorrendo ao mercado paralelo ou demorando muito para comprar seus jogos, esperando o preço baixar ou alguma promoção.

Em jogos online, especialmente de franquias que lançam títulos todo ano, esperar para comprar um jogo faz com que a hype já tenha passado e o jogador começa em um nível muito baixo em relação a quem já está jogando há muito tempo ou, no pior dos casos, nem conseguir encontrar alguém jogando online porque o jogo ficou velho.

Reduzir os impostos vai reduzir o preço final?

Claro que sim! Embora o fato dos consumidores atualmente já estarem acostumados a pagar um preço alto nos seus jogos, em um primeiro momento, os vendedores tentariam aproveitar a queda do imposto para aumentar sua margem de lucro. Porém, por se tratar de um mercado extremamente competitivo e pelo fato dos vendedores não terem nenhum tipo de regulamentação de preço ou monopólio do governo, as lojas iriam tentar vender pelo menor preço possível, pois a concorrência faria o mesmo e quem conseguir oferecer o jogo pelo preço mais barato, consequentemente irá vender mais e lucrar mais.

Reduzir o imposto vai deixar o país mais pobre?

Muito pelo contrário! Usando o mesmo raciocínio descrito anteriormente, em um primeiro momento, a redução dos impostos pode parecer que irá impactar negativamente na arrecadação, mas não é isso que acontece.

Apesar de uma menor quantidade de impostos ser arrecadada por cada unidade vendida, a redução do preço faz com que os jogos se tornem mais acessíveis e isso aumenta as vendas no montante total, o que acaba gerando uma arrecadação maior no fim das contas, favorecendo a geração de empregos e aquecendo a economia.

Quem perde é só o mercado paralelo e o contrabando?

Sim! Vale lembrar que até hoje, a maioria dos jogos consumidos de games de mídia física e consoles no Brasil, vem diretamente do mercado paralelo, fruto do contrabando de países como o Paraguai, onde os impostos são muito mais baixos.

Com a redução dos impostos, muitos gamers passariam a comprar seus jogos no mercado formal, já que é muito mais conveniente e conta com garantias que o mercado informal não consegue oferecer.

Se o imposto for justo, muitos vendedores que hoje vende informalmente nas redes sociais, sites e grupos secretos do whatsapp conseguirão ver o benefício de formalizarem seu negócio e gerar empregos com mais estabilidade e segurança, consequentemente favorecendo o aumento na arrecadação de impostos na somatória geral de todos os fatores envolvidos.

Mas por quê tem gente reclamando?

Ao meu ver, a verdade sobre o fato da mídia sempre aparentar ser contra os videogames, inventando desculpas e tentando boicotar de qualquer jeito o seu crescimento, vai muito além da redução de impostos.

A TV tem tido uma queda de audiência que registra recordes a cada ano e com o recente corte nos repasses do governo em propaganda, isso está comprometendo a renda da velha mídia, que para piorar ainda mais, tem tido uma queda enorme de credibilidade e qualidade do conteúdo também.

Como podem ver nesta matéria da ISTO É, o maior canal de TV do Brasil registrou a menor audiência dos últimos tempos em 2019. Isso faz com que os anunciantes, que são quem injeta dinheiro nesses canais com publicidade, comecem abandonar este ultrapassado modelo de propaganda, preferindo investir em outras mídias.

A crise financeira na TV e na mídia impressa está tão séria, que recentemente o salário de várias celebridades foi cortado, muitos programas foram cancelados e ocorreram demissões em massa, como mostra essa mateira e várias outras por aí.

Mas não é só a mídia que se sente ameaçada pelos games, toda indústria do entretenimento sente este impacto. Vale ressaltar que atualmente Pokémon é mais valiosa marca de entretenimento do mundo, sendo maior em valor do que várias marcas da Disney, como Mikey e até Star Wars.

Então, não é de surpreender que sempre haja alguém na mídia tentando atacar o sucesso dos games de qualquer maneira, até mesmo celebridades, influenciadores e Youtubers se sentem ameaçados com o crescimento dos games, já que competem também com eles em audiência.

Conclusão (opinião pessoal do Macaos):

Com a chegada da internet, redes sociais, youtube, serviços de Streaming e com o crescimento dos games no Brasil, o mercado do entretenimento mudou. O que antes era dominado pela TV, que praticamente tinha o monopólio do entretenimento na casa da grande maioria das pessoas, agora, esta se sente ameaçada por novas tecnologias que competem entre si pela sua atenção

Se mesmo com os altos impostos o brasileiro continua comprando games, se os preços baixarem, mais pessoas terão acesso aos jogos e com isso, maior ainda será a queda da audiência na TV e de outras mídias. É interessante observar que, por outro lado, o crescimento da rádio e dos podcasts também surpreende, já que dá pra jogar, tomar banho, cozinhar, dirigir e fazer outras coisas enquanto apenas ouvimos as informações.

Em alguns países, até os esportes tradicionais estão em queda, como foi registrado no NFL o maior evento esportivo dos EUA e o que mais movimenta dinheiro de publicidade no mundo. Este evento esportivo que tem o preço da propaganda mais cara do mundo, teve seu pior ibope da década no ano passado, caindo cada vez mais a cada ano, como podem ver nesta matéria.

TV, filmes, séries e esportes, todas as formas de entretenimento disputam a atenção do público e competem entre si pelo tempo livre das pessoas e pelo dinheiro. Este medo dos games no mercado do entretenimento é algo real e já acontece há muito tempo. Ao meu ver, os altos impostos sobre os games não são nada além de um protecionismo do Estado para conter o avanço dos games que mesmo assim, continua a crescer.

Macaoshttps://estacaonerd.com/games
Macaos - Graduado em Jogos Digitais e desde 1998. escrevendo em sites e fóruns de games. Antes disso, colaborador em locadoras de games no início da década de 90; Emfim... um Old Gamer com muita experiência.

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