sáb, 25 junho 2022

Vai e Vem abrirá o 11º. Olhar de Cinema em 01 de junho

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Duas amigas, dois países diferente, dois cenários próximos de caos e destruição. O documentário VAI E VEM nasce da ligação e das trocas entre suas duas diretoras, Chica Barbosa e Fernanda Pessoa, morando Los Angeles (EUA) e São Paulo, respectivamente. O momento é 2020, começo da pandemia, e ambos países marcados por governos negligentes e a escalada da Covid. O longa será lançado em cinemas pela Boulevard Filmes, em 2023, mas, antes disso, abrirá o 11o Olhar de Cinema, em 01 de junho.

Eu queria que a Chica tivesse um pouco da sensação do que era estar no Brasil naquele momento – os panelaços diários, a obsessão com as notícias, a cidade que deveria estar vazia, mas na verdade nunca ficou, os trabalhadores que não tiveram a chance de parar porque o capital, os empreendimentos imobiliários nunca param por aqui. Por outro lado, queria entender como ela estava vivendo esse momento lá, recém-chegada aos Estados Unidos de Trump”, explica Fernanda.

Para estabelecer esse diálogo, as duas jovens cineastas partiram de uma espécie de jogo, tendo como base um livro da professora americana R. Blaetz sobre o cinema experimental dirigido por mulheres. A publicação é composta de 16 artigos sobre diversas cineastas, e Fernanda e Chica se comunicariam por meio de vídeo-cartas curtas, cada uma inspirada por uma dessas mulheres.

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Além da lista de Blaetz, a dupla também buscou nomes de outras diretoras para enriquecer o processo. “Não foi simples. Apesar de termos claro que existe uma variedade de artistas experimentais latino-americanas e negras, ainda existe o empecilho de ter um fácil acesso aos seus trabalhos. Queríamos encontrar nomes dos quais pudéssemos levar nossa pesquisa com mais profundidade para assim aplicá-la na nossa correspondência”, explica Chica.

O vai e vem das correspondências digitais durou meses, e atravessou momentos políticos marcantes – como processos eleitorais nos dois países. “No Brasil, quando o filme começou, havia uma esperança de que Bolsonaro caísse. O caos social e a pandemia davam muito medo, mas ao tempo parecia que havia uma possibilidade de mudança muito radical. No entanto, pouco a pouco parece que fomos nos acostumando com os absurdos desse governo e da pandemia”, conta Fernanda.

Apesar de sentirmos um indício de esperança com a vitória do Biden, 2021 iniciou com a invasão do capitólio e o discurso absurdo sobre a fraude do resultado das eleições. Nem a grande representatividade na equipe do Biden foi suficiente para sentirmos verdadeiramente um avanço no país desde então”, complementa Chica.

Para além das transformações sociais e políticas que o filme acompanha nos dois países, VAI E VEM foi uma experiência que mudou a vida das diretoras. Fernanda ingressou no doutorado com um projeto sobre o cinema experimental feito por mulheres na América Latina.

Com a pesquisa que eu e a Chica fizemos juntas, e a descoberta da falta de bibliografias e materiais sobre as mulheres latinas do experimental, decidi me aprofundar nesse caminho. Já no âmbito pessoal, além de reforçar minha amizade e admiração pela Chica, me fez buscar mais comunidade entre mulheres.”

Eu não venho de uma formação acadêmica, mas todo esse tempo entre pesquisa e práxis com a Fernanda, à nossa maneira e a partir das nossas próprias regras, resultou em uma belo estudo que me fez entender melhor o cinema que desejo realizar a partir de agora. O filme também me conectou com diversos coletivos de cinema de mulheres, e diversos também entre si, entre documentaristas, de latinas, “brown” e “BIPOC” – termo que acolhe toda mulher que não é identificada como branca nos Estados Unidos”, conta Chica.

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Combinado diversos tipos de imagens, fotografia e texturas, VAI E VEM é um documentário com a urgência do presente, e uma observação potente de duas jovens cineastas sobre o mundo em que habitam. “Para nós, já era hora de questionar a estética cinematográfica e como contamos histórias, por meio de novas pesquisas, influências, lentes e olhares. Uma das razões pelas quais decidimos ter essas diretoras como ponto de partida formal é tomar o cinema experimental como uma forma de criação livre, sem amarras e sem convenções, mas ainda assim capaz de ressoar com o público”, concordam as duas.

VAI E VEM será lançado no Brasil pela Boulevard Filmes.

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Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios. Contato: [email protected]

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