A segunda temporada da série animada Devil May Cry (Netflix) é uma história original focada no passado e nos conflitos psicológicos dos irmãos Dante e Vergil. Na trama, Dante lida com traumas ao descobrir que seu irmão foi corrompido e trabalha para Mundus, enquanto forças obscuras buscam os poderes do vilão Arius.
A série Devil May Cry, baseada na icônica franquia de games da Capcom, retorna a Netflix repetindo alguns erros e acertos da temporada anterior, o que pode frustrar os fervorosos fãs da franquia. O que segue mais incomodando é que Dante em nenhum momento é o protagonista de suas batalhas e nem da narrativa. O personagem segue sendo um coadjuvante de luxo em seu próprio show. A produção segue sendo criativa ao apresentar o seu universo repleto de demônios e tem cenas de ação satisfatórias com bastante violência e elas se desenvolvem de modo muito natural. Mas a nova temporada segue tratando o personagem como alguém incapaz de carregar um arco narrativo sozinho. A produção foca suas atenções em Vergil e Lady.
A produção até conserta alguns temas da primeira temporada que surgiram “soltos”, como o extremismo religioso, patriotismo e imigração, dando a esses elementos uma real função. Mas as mudanças relacionadas a personagem Lady, seguem incomodando. Não só a origem da personagem foi alterada, como a dinâmica entre ela e Dante. Tudo relacionado a eles foi acelerado e uma dinâmica amorosa surge de modo nada cativante. Os vilões do novo ano tem motivações críveis e são os destaques da produção.

A exploração do passado dos irmãos, Dante e Vergil, acaba sendo o coração da nova temporada. A dinâmica entre eles é ótima e a relação acaba sendo bem desenvolvida, mesmo em alguns momentos ficando em segundo plano. As referências aos games da Capcom e da própria franquia farão a alegria dos fãs e são easter-eggs bem espalhados entre os oito episódios. A trilha sonora é outro destaque da produção e dá ritmo as cenas, se tornando um personagem em alguns momentos, o que só engrandece ainda mais a história.
A segunda temporada de Devil May Cry usa o seu material base de modo irregular. A produção segue se dedicando em apresentar este universo para quem não conhece a franquia de jogos, e isso segue desagradando. Que uma, possível, terceira temporada dê destaque ao protagonista dos games. É pedir demais?


