Berlim e a Dama com Arminho é o spin-off derivado do universo La Casa de Papel. A trama segue o mestre do crime Andrés de Fonollosa (Berlim) e sua equipe enquanto eles viajam para Sevilha, Espanha, para executar um plano duplo: fingir roubar a famosa pintura de Leonardo da Vinci a pedido de um aristocrata local, mas acabar aplicando um golpe nos próprios mandantes.
O segundo spin-off sobre o carismático ladrão Berlim, segue os mesmos moldes da primeira produção solo do personagem, Berlim e as Joias de Paris. Um grupo de criminoso se reúne para um ousado plano, enquanto reflete sobre diversos aspectos de suas vidas e relações. Essa repetição, tem lados positivos: Já conhecemos o grupo principal e podemos ver o aprofundamento das dinâmicas centrais, além de que a química entre o grupo segue sendo ótima. Porém, a produção tenta mesclar romance e tensão com a elaboração e execução do novo assalto e só consegue entregar bem a primeira proposta.

Diversos personagens tem seus arcos guiados pelo amor e suas derivações. Paixões avassaladores, traições e desilusões amorosas são a bússola que guiam a narrativa da produção. O que cansa um pouco, pois nem tudo é desenvolvido de modo orgânico. A relação de Cameron e Roi é um exemplo desse exagero. A relação degringola por motivos fúteis. De positivo, temos o triângulo amoroso envolvendo Keila, que faz uma troca de valores com seu parceiro, sendo bacana ver a evolução desse relacionamento.
Pedro Alonso (O Silêncio do Pântano) segue carismático, até quando o texto parece querer sabotar o que já conhecemos do personagem. Uma hora ele quer roubar, na outra ele desiste (pois deseja tornar o plano mais ousado). Esses adiamentos tornam o novo ano e o personagem cansativos. O último episódio é bastante objetivo e acaba sendo o melhor entre os oito que compõem a temporada.
Berlim e a Dama com Arminho agrega pouco a narrativa principal de La Casa de Papel. Amor e tensão quando combinados podem render dinâmicas incríveis, mas aqui um quer aparecer mais que o outro, o que não é benéfico e nem atraente. Que o próximo assalto, seja melhor que esse.


