ter, 16 junho 2026

Crítica | Toy Story 5

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Por mais que uma insistência da Pixar em continuar certas franquias rentáveis e com um apelo emocional gigantesco entre as gerações, é possível dizer que eles conseguem tirar um certo conteúdo nessas continuações. Não só de escolher o tema da vez, neste caso, a tecnologia, mas apresentar um dinamismo de protagonismo entre seus personagens, desta vez a Jessie ganhando o maior destaque.

Em Toy Story 5, Woody, Buzz Lightyear, Jessie e toda a turma enfrentam um desafio inédito: a tecnologia. Quando Bonnie ganha um tablet (Lilypad) que cria mundos virtuais, ela fica hipnotizada e deixa os brinquedos de lado. Os bonecos entram em desespero e arquitetam um plano para reafirmar sua relevância.

Os pontos principais levantados ao longo do filme é uma ameaça vindo diretamente da tecnologia, encarnada na personagem da Lilypad, uma nova ferramenta – ou melhor brinquedo- para as crianças. E também um processo de amadurecimento e superação para a personagem da Jessie, levantando seu antigo trauma de abandono com sua primeira criança e assim desenvolvendo um processo natural daquele mundo dos brinquedos tal qual os ciclos da vida, assim como tudo começa, tudo também acaba.

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E a tecnologia aqui é interpretada de dois modos: o bom e o ruim. O filme vai demonstrar como a atual e impressionante geração de aparelhos podem muito bem aproximar pessoas, mas também afasta-las e criarem bolhas superficiais que causam uma impressão de pertencer a algum grupo. O longa trabalha por cima da personagem da Bonnie e suas limitações sociais ao tentar fazer amizade com outras crianças, por mais que seja um pouco difícil simpatizar com a menina, é bem trabalhado a tecnologia entrando como uma esperança dos pais para aumentar o vínculo social de sua filha com outras.

A mescla dos pontos positivos e negativos é bem arranjada ao longo do filme. Existindo momentos em que o domínio da tecnologia sobre a vida das pessoas se torna algo muito dependente, tal como vemos atualmente. E o papel da vilã da vez, Lilypad, é passado em querer controlar a vida de sua criança. O objetivo dela é nobre em querer fazer com que a popularidade da Bonnie aumente e assim conquiste a amizade das outras crianças pelo tablet, mas as formas são questionáveis. Tal qual o filme anterior, o lado maléfico não é escancarado como os antigos vilões da franquia, é algo mais cinza, representando algo que a Gaby Gaby foi no quarto filme da saga. Ela possui um objetivo muito claro e não se importa com quem ficar em seu caminho. E Talvez falte um pouco de maldade para a vilã, apesar do ótimo carisma, sendo bem pouco os momentos de antagonismo da personagem.

Um dos pontos que diferem essa saga de permanecer relevante e com tanto encanto é seu ótimo trabalho com os brinquedos, tanto os principais, secundários e até terciários ao longo do filme. Seja uma preocupação em cada um ter seu momentinho e assim proporcionar uma diversão e abraço da importância de cada um ali. A trama dos perdidos Buzz Lightyear é funcional e tem um propósito ao final do filme, que desde o primeiro minuto é trabalhado. E a subtrama do principal Buzz é bem melhor do que o apresentado no filme anterior, não precisando regredir um personagem que possui tanta experiência naquele universo.

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E mesmo com as criatividades e dinamismos, o longa passa um pouco a sensação de aventura descartável, apesar de continuar certas histórias e problemas emocionais já conhecidos da franquia. Ele embrulha bem os novos problemas e tem uma continuidade bacana, mas certos momentos como um clímax dramático parece não ter a mesma força do que já apresentado na saga. O peso emocional da Jessie parece mais uma reciclagem de um problema anteriormente desenvolvido -no caso Toy Story 2- eles buscam a nostalgia desse passado.

Toy Story 5 é uma boa adição com aquele universo tão querido. A franquia ainda entrega um dinamismo tão presente nos filmes anteriores e uma criatividade sejam nas situações mirabolantes daqueles brinquedos ou uma inventividade em atualizar os seus problemas que fica impossível não se encantar com aqueles personagens.

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