Convidado pelo Paramount+, eu tive a oportunidade de entrevistar o narrador Marcelo Hazan, considerado um dos nomes mais talentosos da profissão na atualidade, ele falou da sua carreira e também das próximas transmissões esportivas do streaming, confira a entrevista.
Marcel Botelho: Eu tenho o prazer de entrevistar o narrador do Paramount+, Marcelo Hazan, que tem uma carreira espetacular. Hoje nós temos o prazer de conhecer mais sobre a sua trajetória e também sobre toda essa programação esportiva especial que o Paramount+ está trazendo para os seus assinantes. Marcelo, primeiramente, é um prazer falar com você. É uma grande honra poder entrevistá-lo. Muito obrigado.
Marcelo Hazan: Que isso, eu que agradeço, Marcel. Prazer falar com o pessoal do Estação Nerd. A honra é toda minha. Muito obrigado pelo convite para falar um pouquinho sobre essa programação especial do Paramount+. Tem muitos jogos legais e importantes, muito mata-mata vindo por aí e acabou de sair do forno a divisão dos jogos das oitavas de final da Libertadores e da Sul-Americana. Vai ter muito futebol de alto nível no Paramount+ para a galera ficar ligada.
Marcel Botelho: Com certeza a gente vai falar muito de Sul-Americana e de Libertadores também. Eu queria começar falando um pouco da sua carreira. Como surgiu essa sua relação com a narração? Você sempre sonhou em ser narrador? Como tudo começou?
Marcelo Hazan: É curioso você perguntar sobre isso, Marcel, porque eu costumo dizer que a narração ficou adormecida dentro de mim durante muito tempo. Eu não encarava aquilo como uma profissão, era apenas uma diversão.
Eu sou de Santos. Morei lá por pouco mais da metade da minha vida, até 2013. Depois me mudei para São Paulo e, mais tarde, para o Rio de Janeiro. Na minha infância, em Santos, eu jogava futebol com os amigos e narrava enquanto jogava. Fazia isso em qualquer lugar: no society, na praia, onde fosse.
Quando jogava videogame na minha casa ou na casa de um primo, também narrava as partidas. Depois da escola, eu tinha um amigo chamado Daniel, fanático por futebol, e a gente brincava de imitar uma jornada esportiva da Rádio Bandeirantes, com José Silvério, Quezada, Pretzel e tantos outros.
Mas tudo isso era apenas uma brincadeira. Nunca pensei seriamente que poderia ser narrador. Pelo menos não me lembro de ter pensado nisso como profissão.
Quando chegou a hora de escolher uma carreira, pensei: “Eu gosto muito de futebol, então vou escolher alguma coisa que me aproxime desse universo”. Foi aí que escolhi cursar Jornalismo.
Fiz faculdade na Unisantos e, no terceiro ano, em 2009, comecei um estágio no Grupo Tribuna, principal veículo de comunicação da Baixada Santista. Trabalhei como jornalista, depois passei pelo Lance!, voltei para a Tribuna já formado e, em 2012, fui para a Globo.
Foi na Globo que aconteceu o clique para a narração. Não porque alguém tenha sugerido isso, mas porque, três anos depois de entrar lá, eu estava cobrindo clubes como setorista. Cobri praticamente toda a passagem do Neymar pelo Santos. Quando ele foi para o Barcelona, fiz inclusive a apresentação dele na Espanha. Depois passei a cobrir Palmeiras e, em seguida, São Paulo.
Em 2015, assistindo à final da Champions League entre Barcelona e Juventus, com narração do Paulo Andrade, que sempre foi minha principal referência, coloquei uma câmera apontada para a televisão e comecei a narrar o jogo com a TV no mudo. Gravei aquilo e, no dia seguinte, cheguei na redação dizendo: “Quero ser narrador”.
Meu chefe até se surpreendeu porque eu nunca tinha comentado isso antes. Mas aquele jogo despertou todas aquelas lembranças da infância que estavam adormecidas.
A partir dali tudo começou. Fiz pilotos, treinamentos e, ainda em 2015, narrei meu primeiro jogo oficialmente, uma final do Campeonato Paulista Sub-20 entre Corinthians e Santos, pelo GloboEsporte.com, atual ge.globo.
Foi uma transmissão muito raiz. Era eu, um cinegrafista ao meu lado e um comentarista que também nunca tinha comentado. Não havia retorno de vídeo. Eu narrava apenas olhando para o campo. Se eu perdesse um lance, não tinha replay. Meu único retorno era o áudio da transmissão. Foi assim que tudo começou.
Marcel Botelho: Para quem sonha em ser narrador, ou pra quem está começando a faculdade de jornalismo e tem essa pretensão, qual a dica que você daria? E quais qualidades específicas que um narrador tem que ter? Evidentemente, eu acredito que seja uma das coisas, dentro da comunicação, mais difíceis de se fazer, tanto pela potência vocal, impostação de voz e uma série de outros fatores.
Marcelo Hazan: Cara, muita gente me pergunta isso. Nas redes sociais, às vezes, um jovem quer entrar no jornalismo esportivo ou mesmo no mundo da narração, como você falou. É uma pergunta até difícil de responder, porque eu não sei se existe uma fórmula. Cada caso tem um direcionamento.
Por exemplo, o meu caminho foi muito específico. Tem muitos narradores que sonharam desde a infância, já queriam fazer isso e seguiram direto nessa direção. O meu foi diferente. Cada um vai trilhar o seu próprio caminho.
Uma dica que eu sempre dou é para as pessoas conhecerem o trabalho do Marcelo Duó, que é narrador da BandNews, RedeTV! e Amazon Prime. Ele tem um projeto chamado Liga dos Narradores, onde oferece dicas didáticas, conceituais e práticas para quem está começando. Acho um projeto muito bacana e sério, justamente porque reúne pessoas que querem dar esse primeiro passo.
A narração é uma profissão muito solitária. Outro dia eu conversava com um colega por mais de uma hora sobre isso. É uma profissão muito específica e difícil de explicar para quem não vive esse dia a dia. Além do que o público vê, existe todo um processo mental: o que pensamos antes de falar, por que escolhemos uma palavra e não outra. Quem narra entende isso porque vive exatamente a mesma experiência, seja em qualquer esporte.
É muito importante ter esse tipo de troca, mas nem sempre é simples justamente por ser uma profissão tão particular. Ao mesmo tempo, acho ótimo que, nos últimos anos, o mercado tenha aberto mais espaço para novos narradores. Antigamente era muito mais restrito, e muita gente da minha geração talvez não tivesse tido oportunidade se isso não tivesse acontecido.
Resumindo, ter uma boa voz ajuda, mas não é o principal. O mais importante é ler bastante, porque isso amplia o repertório e o vocabulário. A narração ao vivo exige muito improviso, e quanto maior for o seu repertório, melhor você consegue lidar com as situações.
Mas improviso sozinho não basta. É preciso estudar muito. O público vê apenas o resultado no ar, mas existe um processo enorme por trás. Faço uma comparação com um jogador de futebol: ele só joga bem porque treinou a semana inteira no centro de treinamento, mesmo que ninguém tenha visto esse trabalho.
Outra analogia que gosto de fazer é com uma prova na escola. O professor ensina o conteúdo durante as aulas e, na prova, consegue perceber quem estudou, quem improvisou ou quem apenas enrolou nas respostas.
Na narração acontece a mesma coisa. O professor é o público. A transmissão é a prova. E essa prova acontece ao vivo. Hoje, com redes sociais, chats e hashtags, a resposta vem em tempo real. Se eu não estudei, o público percebe. Se eu estou apenas enrolando, ele também percebe. Mas, quando existe preparo, esse mesmo público reconhece, valoriza e apoia.
Por isso, minha principal dica é: estude muito. E, se puder, faça cursos para desenvolver a voz, melhorar a impostação e ampliar suas ferramentas. Eu, por exemplo, não fiz esse tipo de curso, mas isso não significa que seja certo ou errado. Conhecimento nunca é demais. Quanto mais você aprende, mais preparado você fica.
Marcel Botelho: Marcelo, duas perguntas em uma agora. Eu queria, se você puder, falar qual foi o momento mais emocionante da sua carreira ou uma narração que mais te marcou. E como foi narrar uma Copa do Mundo? Você, inclusive, foi muito bem na CazéTV, digamos assim, emprestado pelo Paramount+, narrando a sua primeira Copa. Eu acredito que seja um dos ápices na carreira de um narrador. Como foi narrar a sua primeira Copa do Mundo?
Marcelo Hazan: Cara, primeiro, quero aproveitar o espaço para agradecer ao Paramount+, que entendeu o tamanho do projeto e a importância disso. Em especial ao Zebini, que foi um grande parceiro desde o início. Eles toparam compartilhar esse projeto com a CazéTV nesse período específico, nesse “empréstimo” de quase dois meses.
Como isso aconteceu muito recentemente, essa é a primeira vez que estou falando sobre a Copa depois que ela terminou. Ainda nem consegui reorganizar esse momento na minha memória, mas certamente ele está no topo da minha vida profissional.
Tenho até uma réplica da taça da Copa do Mundo aqui atrás de mim, no meu escritório, porque, para mim, não existe nada maior. Desde que a gente começa a gostar de futebol, a Copa do Mundo representa o auge.
Eu já tinha trabalhado em outras Copas, mas em funções diferentes. Em 2018, na Rússia, fui como repórter e produtor da Globo. Foi a maior viagem de trabalho da minha vida, quase 50 dias fora de casa. Fiz de tudo: reportagem, produção, iluminação, direção, motorista. Em coberturas desse tipo, todo mundo ajuda em tudo. Acompanhei primeiro a seleção de Portugal e depois a França até a final, que eu estive presente no Estádio Luzhniki.
Em 2014 também trabalhei na Copa, acompanhando a Argentina na reta final da competição. Inclusive vivi o 7 a 1 do lado argentino. Em 2010 eu ainda era praticamente um recém-formado. Já em 2022 fiz lives como apresentador.
Cada Copa marca uma fase da nossa vida. A gente acaba dividindo a vida pelos ciclos das Copas do Mundo. E essa foi, sem dúvida, o ápice da minha carreira. Narrar uma Copa do Mundo é muito difícil de superar. Talvez só narrando outra Copa, com mais jogos e, quem sabe, presencialmente.
Eu também já tive a oportunidade de narrar os Jogos Olímpicos de Paris 2024, pela CazéTV. Foi o maior desafio da minha vida profissional, porque narrei atletismo, que reúne diversas modalidades diferentes e exige um estudo gigantesco.
Se eu tiver que escolher o momento mais marcante da minha carreira, foi justamente a minha estreia como narrador em uma Copa do Mundo, no jogo entre Irã e Nova Zelândia.
A transmissão foi muito especial. No final, sem combinar nada, um dos comentaristas, o Folha, me perguntou ao vivo sobre a sensação de ser narrador de Copa do Mundo. Eu já tinha me emocionado durante todo aquele dia. Desde que recebi a notícia de que faria a Copa, muita coisa passou pela minha cabeça.
Eu fui o último narrador da equipe a estrear, então acompanhei todos os colegas antes de mim e a ansiedade só aumentava. Não era nervosismo, era uma ansiedade enorme esperando chegar a minha vez.
Naquele momento, lembrei muito dos meus avós, que já faleceram e certamente gostariam de ter visto aquilo. Foi impossível não me emocionar. Também pensei em toda a minha família, que sempre acompanhou minha trajetória e torceu por mim.
Marcel Botelho: Marcelo, o Paramount+ tem se tornado um grande polo de transmissão esportiva, não apenas pela Copa Sul-Americana e pela Libertadores, mas também pelo UFC e outros eventos. Como você avalia esse momento tanto do Paramount+ quanto da sua carreira em um streaming dessa grandiosidade?
Marcelo Hazan: Acho que você resumiu muito bem. O UFC é um dos principais ativos esportivos que temos no Paramount+. É um produto com uma audiência extremamente engajada. Basta olhar as redes sociais: sempre que há uma publicação em parceria entre UFC e Paramount+, o engajamento é muito alto. É um público muito apaixonado pelas lutas.
Eu mesmo acompanho o MMA desde a época de Anderson Silva, Lyoto Machida e tantos outros brasileiros que ajudaram a levar o esporte para o mundo. Inclusive, o Paramount+ tem a série sobre o Anderson Silva, que vale muito a pena assistir. O protagonista é impressionantemente parecido com ele.
Além do UFC, temos o futebol, com a Libertadores e a Copa Sul-Americana. Também fizemos a Libertadores Feminina em parceria com a Pluto TV, um projeto muito bacana.
Vejo o Paramount+ em plena expansão. Trabalhamos com competições muito importantes, como Libertadores, Sul-Americana e UFC, que ainda têm um longo caminho pela frente dentro da plataforma.
Muita gente ainda associa o Paramount+ apenas ao entretenimento, pelos filmes e séries, mas, nos últimos anos, a plataforma consolidou uma presença muito forte também no esporte. Espero que esse seja um caminho sem volta e que continue crescendo cada vez mais.
Pessoalmente, sou muito grato. Tenho vivido oportunidades incríveis e realizado sonhos profissionais e pessoais graças ao Paramount+. É um momento muito especial da minha carreira.
Marcel Botelho: Você comentou no início da nossa entrevista sobre os confrontos das oitavas de final dos torneios da Comebol, que já estão definidos. Tivemos surpresas, como a eliminação do Grêmio em casa para o Bolívar. Quais são os principais duelos das oitavas que você destacaria para o pessoal acompanhar no Paramount+?
Marcelo Hazan: Vou começar pela Sul-Americana, já que narrei Bolívar x Grêmio. Infelizmente o Grêmio foi eliminado mais uma vez nos playoffs, o que é decepcionante para um clube com tanta tradição em competições de mata-mata. Mas futebol é assim: quando você não consegue render no nível necessário, acaba sendo punido.
A divisão dos jogos acabou de sair, então está tudo fresquinho. Quem ainda não assina o Paramount+ pode se preparar, porque essa, para mim, é a Sul-Americana mais pesada de todos os tempos. Não é força de expressão. Se você somar os campeões da Libertadores que estão na Sul-Americana, há mais títulos do que na própria Libertadores. São Boca Juniors, River Plate, São Paulo, Santos, Olimpia, Botafogo, Atlético Mineiro e Vasco da Gama, somando 22 títulos de Libertadores.
Entre os grandes confrontos, destaco Vasco x Olimpia. É um duelo entre campeões da Libertadores e será um dos jogos de quinta-feira no Paramount+. O Vasco vive um momento de reconstrução, tem um novo treinador e uma torcida gigantesca. Eliminou o Independiente Medellín e chega forte para esse confronto.
Outro grande jogo é Botafogo x Cienciano. O Cienciano eliminou o atual campeão da Sul-Americana com um sonoro 4 a 0 na partida de volta. O Botafogo precisa ficar atento, principalmente por causa da altitude, que pode ser decisiva. O clube também carrega uma enorme tradição, sendo campeão da Libertadores e um dos maiores formadores de jogadores para a Seleção Brasileira em Copas do Mundo.
Também vale destacar o Boca Juniors. O Boca passou nos pênaltis e agora terá um confronto ainda mais difícil. A Bombonera é um espetáculo à parte e qualquer jogo do Boca em competição internacional merece atenção.
Marcel Botelho: Inclusive, podemos ter um São Paulo x Boca Juniors mais adiante, caso ambos avancem, certo?
Marcelo Hazan: Exatamente. É por isso que eu digo que essa é a Sul-Americana mais pesada da história. Você tem São Paulo tricampeão da Libertadores, Boca hexacampeão, Olimpia tricampeão… São confrontos de enorme tradição. Ainda podemos ter vários duelos entre brasileiros ao longo da competição. Se o Grêmio tivesse avançado, por exemplo, poderíamos ter um Grêmio x São Paulo, um confronto com seis títulos de Libertadores somados.
Também vale ficar de olho no Independiente del Valle, um clube que virou referência na formação de jogadores e que vem incomodando muitos times brasileiros nos últimos anos.
Marcel Botelho: E na Libertadores, quais são os grandes destaques do Paramount+?
Marcelo Hazan: Na Libertadores teremos o que estou chamando de Super Quarta, enquanto a Sul-Americana terá a Super Quinta.
Na Super Quinta teremos Vasco e Botafogo em ação pela Sul-Americana.
Já na Super Quarta o torcedor pode reservar a noite inteira para acompanhar o Paramount+. Teremos Palmeiras x Cerro Porteño, com transmissão exclusiva, além de um pré-jogo especial de uma hora, cheio de conteúdos exclusivos preparados pela nossa equipe. O Palmeiras é tricampeão da Libertadores, atual vice-campeão e um dos clubes mais fortes do continente.
Além disso, teremos Flamengo x Cruzeiro, que, na minha opinião, é o confronto mais pesado das oitavas da Libertadores. São seis títulos de Libertadores somados: quatro do Flamengo e dois do Cruzeiro.
É um duelo cheio de histórias. O Gerson está hoje no Cruzeiro e passou pelo Flamengo. O Arrascaeta fez o caminho inverso. Fabrício Bruno também atuou pelo Flamengo antes de ir para o Cruzeiro. O técnico Leonardo Jardim comandou o Cruzeiro. São muitos ingredientes que tornam esse confronto ainda mais especial.
Hoje, eu vejo Flamengo, Palmeiras e Cruzeiro entre os elencos mais fortes do futebol brasileiro. O Cruzeiro tenta se consolidar como essa terceira força, brigando diretamente com os dois clubes que vêm dominando as principais disputas dos últimos anos.
Já gravamos entrevistas especiais para o pré-jogo. Conversei, por exemplo, com Marcelo Moreno, ídolo do Cruzeiro, e esse conteúdo fará parte da cobertura.
Então fica o convite: na Super Quarta, acompanhe Palmeiras x Cerro Porteño e Flamengo x Cruzeiro pela Libertadores. Na Super Quinta, acompanhe Botafogo x Cienciano e Vasco x Olimpia pela Sul-Americana. Preparamos uma cobertura muito especial para essas oitavas de final.
Marcel Botelho: Marcelo, essa hegemonia brasileira na Libertadores construída nos últimos anos continuará nesta temporada? Você acredita que os clubes brasileiros seguem como favoritos ao título? E na Sul-Americana, você acha que finalmente o Brasil pode voltar a conquistar o torneio, algo que não acontece desde o Athletico Paranaense, em 2021?
Marcelo Hazan: Acho que sim. É uma boa pergunta porque esse é um tema que temos comentado bastante nas transmissões. Na Libertadores, a hegemonia brasileira é evidente. Nunca vimos tantos títulos consecutivos de um mesmo país, e mais uma vez o Brasil chega muito forte.
Já na Sul-Americana, acredito que chegou a hora de quebrar essa sequência sem títulos. Em 2021 tivemos uma final brasileira entre Athletico Paranaense e Red Bull Bragantino, da qual eu participei em Montevidéu. O Athletico conquistou aquele título e, desde então, os brasileiros vêm batendo na trave.
O Boca Juniors ainda está vivo e pode buscar o tricampeonato, mas sinceramente acho que será muito difícil, porque há muitos clubes brasileiros fortes. Temos Vasco, Botafogo, Atlético Mineiro, Santos, São Paulo e Red Bull Bragantino.
O Santos, por exemplo, pode encontrar na Sul-Americana uma forma de salvar a temporada. No Campeonato Brasileiro vive um momento complicado, mas em mata-mata tudo pode acontecer. Tem o Neymar, que é um jogador capaz de decidir qualquer partida, e o Gabigol, que já resolveu finais de Libertadores. Em competições eliminatórias, jogadores assim fazem diferença.
Nos últimos anos os brasileiros chegaram perto, mas acabaram perdendo decisões. O São Paulo perdeu para o Independiente del Valle, o Fortaleza foi derrotado nos pênaltis, o Atlético Mineiro também acabou ficando com o vice, assim como o Cruzeiro diante do Racing. Acho que desta vez o Brasil vai conseguir quebrar essa escrita.
Na Libertadores, também é difícil fugir do favoritismo brasileiro. Flamengo e Cruzeiro, por exemplo, poderiam perfeitamente disputar uma semifinal ou até uma final, mas já vão se enfrentar nas oitavas.
O Palmeiras continua muito forte. É verdade que, pela primeira vez na era Abel Ferreira, sofreu um pouco mais para avançar na fase de grupos, mas se classificou e continua brigando na parte de cima do Campeonato Brasileiro.
Também não descarto o Fluminense. É um elenco muito experiente, com jogadores de peso. A volta do Thiago Silva, a chegada do Hulk e outras peças tornam o grupo bastante competitivo. Apesar das oscilações, vejo um elenco capaz de ir longe na competição.
No geral, acredito que os clubes brasileiros chegam novamente muito fortes para disputar os principais títulos do continente.
Marcel Botelho: Para encerrarmos, quais são seus planos para o futuro? O que você ainda sonha em conquistar na carreira?
Marcelo Hazan: Se alguém me dissesse há alguns anos que, nesta altura da carreira, eu já teria narrado uma Copa do Mundo, Olimpíadas e uma Eurocopa, eu diria que era impossível. São três dos maiores eventos do esporte mundial e tive a felicidade de viver todos eles.
Meu objetivo agora é continuar tendo oportunidades como essas, mas principalmente seguir muito focado no trabalho que venho fazendo no Paramount+. O maior privilégio é poder contar as histórias dos grandes clubes brasileiros e falar diretamente com torcidas tão apaixonadas.
Sempre procuro valorizar o torcedor durante as transmissões. Futebol só existe por causa dele. Gosto de destacar as músicas, as tradições, os cânticos da arquibancada e tentar fazer quem está em casa sentir que está vivendo aquele ambiente dentro do estádio.
Também quero fazer cada vez mais transmissões in loco. O Paramount+ já me proporcionou experiências inesquecíveis, como narrar na Bombonera, no Allianz Parque, no Morumbi, no Nilton Santos, no Maracanã e em outros grandes estádios.
Quem sabe um dia narrar um jogo na Vila Belmiro, na Neo Química Arena, no Mineirão, no Castelão ou até no Monumental de Núñez, do River Plate. São lugares que qualquer narrador sonha em conhecer profissionalmente.
O objetivo é continuar aprendendo, aceitando novos desafios e, se possível, participar de mais grandes eventos esportivos nos próximos anos.
Marcel Botelho: Marcelo, muito obrigado pelo tempo e pela entrevista. Foi uma grande honra conversar com você. Para encerrar, gostaria que você convidasse nossos leitores para acompanhar as transmissões e conhecer tudo o que o Paramount+ oferece.
Marcelo Hazan: Eu que agradeço, Marcel, e também a toda a comunidade de vocês. Foi um prazer participar.
Além do esporte, o Paramount+ tem um catálogo muito forte de entretenimento, com séries como Rancho Dutton, Lioness, Terra da Máfia, além de filmes e conteúdos infantis para toda a família.
E, claro, convido todo mundo a assinar o Paramount+. É um serviço com excelente custo-benefício e reúne Libertadores, Sul-Americana e toda a cobertura exclusiva do UFC, com grandes transmissões e uma equipe muito qualificada.
No futebol, seguimos trabalhando com muito carinho para entregar uma experiência cada vez melhor ao torcedor e contar as grandes histórias do nosso continente.
Quero agradecer novamente pelo convite e também pelo carinho nas palavras. Esse retorno do público é muito importante para nós e mostra que estamos no caminho certo.
Muito obrigado e espero encontrar todos vocês nas próximas transmissões do Paramount+!
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