A convite do Paramount+, tive o prazer de entrevistar um dos grandes nomes do jornalismo esportivo brasileiro: Paulo Vinícius Coelho, o PVC. Em nosso bate-papo, conversamos sobre sua trajetória profissional, os desafios e as transformações da profissão de jornalista, a importância da informação e das estatísticas na cobertura esportiva e, claro, sobre a cobertura do Paramount+ da Libertadores e da Copa Sul-Americana.
Com uma carreira marcada por conhecimento, credibilidade e paixão pelo futebol, PVC compartilhou histórias, opiniões e análises sobre o momento do futebol sul-americano e também falou sobre seus planos para os próximos anos.
Marcel Botelho: Eu tenho o prazer de entrevistar o PVC, Paulo Vinícius Coelho, grande jornalista esportivo. Na minha opinião, se não o melhor, um dos melhores do Brasil. PVC, muito obrigado por reservar esse tempo para nós.
PVC: Muito obrigado. Eu que agradeço, Marcel. Prazer em estar com vocês.
Marcel Botelho: PVC, eu queria saber se você sempre quis trabalhar com jornalismo esportivo. Queria que você falasse um pouco da sua trajetória.
PVC: Eu queria trabalhar com jornalismo esportivo quando eu tinha 14 anos de idade. Quando eu comecei a pensar em ter uma profissão, aos 14 anos, era final da oitava série. Você começa a prestar atenção, precisa começar a pensar em uma profissão. Eu queria ser jornalista esportivo, mas toda vez que eu falava isso, eu ouvia que eu era muito tímido e que não ia ganhar dinheiro. Bom, as duas coisas eram verdade.
Na verdade, eu não posso reclamar muito hoje, porque eu trabalho com uma coisa que eu tenho a bênção de fazer: trabalhar com uma coisa que eu amo. E acho que o que aconteceu foi positivo nesses 39 anos, desde que publiquei minha primeira matéria, que eu tinha 18 anos. Eu entrei na faculdade com 17. Eu sou de 30 de agosto, então, em agosto de 1987, eu fiz 18 anos e, no dia 15 de setembro de 1987, eu publiquei minha primeira matéria.
Eu estava no primeiro ano de faculdade ainda, mas eu entendo que sou jornalista desde o dia 15 de setembro de 1987, portanto, há 39 anos.
E, nessa época, eu trabalhava com tudo, porque eu trabalhava nos jornais pequenos em São Bernardo. Em fevereiro de 1988, comecei a trabalhar na Gazeta de São Bernardo. Eu era o único repórter do jornal que cobria a eleição de 1988 para prefeito de São Bernardo, a primeira eleição que o PT ganhou em São Bernardo, que era o berço do partido.
Eu cobri, Maurício Soares foi eleito, e eu sou jornalista desde esse dia. Jornalista esportivo, desde 1991, quando fiz o Curso Abril. Entrei na redação e depois na revista, com a CAC. Aí são 35 anos de jornalismo esportivo.
Marcel Botelho: E você, eu não vou dizer que foi o pioneiro, mas foi um dos pioneiros em trazer para o jornalismo esportivo uma grande quantidade de estatísticas. Como isso começou? Como surgiu isso na sua carreira?
PVC: Eu acho que, assim, é engraçado, porque as pessoas falam que eu tenho matemática na cabeça. Não é verdade. Eu não sou um cara de matemática, sou um cara de história, de informação.
Eu acho que, no passado, jornalistas como Solange Bibas, em São Paulo, na Gazeta Esportiva, e Luiz Mendes, no Rio de Janeiro, trabalharam muito com esse tipo de análise a partir de informação, e estatística é parte dessa informação.
Mas o que eu gosto não é de estatística. Eu gosto de alguma coisa que ilustre, que demonstre o porquê de as coisas estarem acontecendo.
É claro que a gente, como jornalista, vai ter que construir matérias a partir de quem, quando, como, onde e por quê. Mas o porquê é muito valioso. E o porquê passa por essas informações.
Por exemplo, eu estava no jogo Palmeiras e Santos trabalhando, e a impressão de muita gente que saiu do jogo é que o Palmeiras poderia ter vencido o Santos por quatro a zero, por cinco a zero, por seis a zero, e que três a zero deixa o jogo um pouco mais aberto para o jogo de volta.
Quanto aberto? Quando foi a última vez que o Santos meteu três a zero no Palmeiras? Aí eu pensei: acho que foi o cinco a um de 2006.
Aí eu voltei 68 jogos. Desde 2006, Campeonato Brasileiro de 2006, quando o Santos ganhou de cinco a um do Palmeiras, na Vila Belmiro. Isso ilustra.
Isso ilustra a dificuldade do que se construiu ontem. Então, é impossível o Santos virar? Não. Mas tem uma dificuldade que está expressa em 20 anos.
E aí você tem uma noção mais exata do que significa a vantagem. E Pedro Lapa dizia que a experiência é um farol voltado para trás. Ele não vai te dizer o que vai acontecer na frente, mas ele te dá um nível de expectativa em relação ao que já houve.
Marcel Botelho: PVC, para quem está cursando jornalismo e que almeja ser comentarista esportivo, eu percebo que não é um mercado nichado, até porque hoje a internet está abrindo cada vez mais portas. No entanto, o jornalista, o profissional do jornalismo, vai ter que dividir espaço com ex-jogadores de futebol, etc. Qual é o diferencial que você acha que esse profissional tem que ter para conseguir o seu lugar ao sol?
PVC: Eu entendo que as profissões, todas, estão em transformação.
O motorista de táxi tem que compartilhar a rua com o Uber. E a gente tem um processo de uberização até da medicina. Eu tenho amigos médicos que têm que trabalhar em três, quatro hospitais diferentes, públicos, para tentar fazer algum dinheiro.
Professor! Cada profissão tem a sua dificuldade hoje. Esse processo que se convencionou chamar de uberização está em muitas profissões. O jornalismo é uma delas.
O que eu lamento profundamente é que quem dirige as grandes instituições trabalhe com conceitos que me parecem equivocados. Como a substituição da palavra informação por entretenimento. E ontem eu bati muito nessa tecla.
Entretenimento é tudo que te entretém. Tudo.
Peguei um livro do Vasco aqui, que vai me dar subsídio para a informação, para saber quando é que o Vasco ganhou do Vitória pela primeira vez no Barradão.
E aqui tem o livro do Flamengo, e aqui tem o livro de todos os jogos do Fluminense, aqui tem o livro de todos os jogos da Seleção Brasileira, aqui tem o livro da história do Milan, do Arrigo Sacchi, e assim por diante. Porque tudo isso me dá informação.
E as pessoas dizem assim: não, informação não. Agora é entretenimento.
O Chico Anysio usava informação para entreter as pessoas num programa humorístico. Informação, ao meu ver, é a coisa mais moderna do mundo moderno.
A coisa mais moderna do mundo moderno não é esse celular. Porque, se eu der esse celular na sua mão, o celular mais moderno da Samsung ou um deles, que é o S26, você vai perguntar qual é a senha.
Se você não tiver informação, ou se você não for um bandido que sabe fazer isso, você não vai abrir o celular mais moderno.
Então, médicos precisam de informação. Uma nova vacina.
O advogado precisa de informação. Uma jurisprudência.
O engenheiro precisa de informação. Uma nova tecnologia.
E o jornalista diz que informação não tem importância. Eu não acredito.
É inacreditável isso. E é isso que torna o jornalista prescindível. É isso que permite que você descarte o jornalista.
O que é que faz a diferença para um jornalista, ou para um ex-jogador, ou para um influenciador, ou para o que quer que seja? A capacidade de criar diferenciais.
A informação é um diferencial insuperável.
Ainda que você possa morrer de rir do Marcelo Adnet, você só vai rir do Marcelo Adnet se você tiver informação sobre quem ele está imitando e quais são os trejeitos que ele está imitando de qual personagem.
Então, tudo é informação. E as empresas de comunicação tratam a informação como… Não, não. Não tem mais importância.
Marcel Botelho: Eu achei perfeita a sua analogia. Em relação agora à Libertadores e à Copa Sul-Americana, o Paramount+ vem dando um show de cobertura. O Flamengo e o Palmeiras vêm criando até uma certa hegemonia. Quem você acha que, nessas quartas de final, pode surpreender e, de repente, conseguir o título este ano, além dos dois gigantes brasileiros?
PVC: O Corinthians pode ganhar a Libertadores.
Veja uma coisa. A gente está falando muito sobre a espanholização do Campeonato Brasileiro, e o termo espanholização a gente puxa de um cenário na Espanha, em que, desde a temporada 2004/2005, portanto, nos últimos 22 campeonatos, Barcelona e Real Madrid foram campeão e vice em 18.
Palmeiras e Flamengo, em toda a história do Campeonato Brasileiro unificado, contando a unificação, inclusive Taça Brasil, Robertão, que foi unificado pela CBF, foram campeão e vice duas vezes, em 2018 e 2025.
Então, veja que ainda é diferente de Barcelona e Real Madrid no Campeonato Espanhol. Mas é mais diferente, aí um contraponto, em relação à Champions League.
Desde Messi versus Cristiano Ronaldo, em 2009, temporada 2009/2010, a gente imagina a possibilidade de Barcelona e Real Madrid fazerem a final da Champions e nunca fizeram.
Real Madrid e Atlético de Madrid fizeram duas vezes nesse período, e Barcelona e Real Madrid nunca fizeram.
E Palmeiras e Flamengo fizeram duas finais de Libertadores nos últimos cinco anos. As últimas seis finais, duas foram. Um terço das finais foram Palmeiras e Flamengo.
O que não significa que vai ser assim de novo.
Eu tenho brincado, porque tem muito corintiano na rua e muito palmeirense também falando em São Paulo. Você já imaginou Palmeiras e Corinthians na final da Libertadores? Eu respondo: estude antes.
Estude antes. Pode acontecer um milhão de coisas.
Marcel Botelho: Agora, em relação à Sul-Americana, desde 2021 que um brasileiro não vence a competição, apesar de vermos uma disparidade técnica até grande. Então eu queria saber de você: dentre os brasileiros que estão na Sul-Americana, você pode citar, de repente, dois que você acha que podem conquistar o título?
PVC: O Atlético? Pode.
O Atlético, nesse momento, é o time da Série A que não perde há mais tempo. São 12 jogos de invencibilidade. Ele não é um time bonito de ver, mas é um time muito competitivo.
O São Paulo tem uma estrutura, tem uma tradição gigantesca, mas tem um problema enorme no vestiário do São Paulo hoje. Acho difícil o São Paulo chegar por causa dessa administração de vestiário.
Quando você vê que o escalonamento dos pagamentos já atrasados de direito de imagem depende da quantidade de jogos que o cara joga.
Se o vestiário bateu a informação ali, danou-se. O Luciano dizendo assim: não, está atrasado, mas não é esse o problema. Porque, desde que eu cheguei aqui, em 2020, atrasa.
Eu acho mais fácil o Vasco do que o São Paulo. Mas o São Paulo pode.
Veja o caso do Santa Fe contra o River Plate. Estava todo mundo achando que ia ser Vasco e River Plate nas quartas de final, e vai ser Vasco e Santa Fe. Santa Fe eliminou o River.
Marcel Botelho: Eu gostaria de saber, quais são os seus planos para o futuro da sua carreira, no médio e longo prazo?
PVC: Eu gostaria de renovar o contrato com a Paramount por mais quatro anos.
Gosto muito de fazer o trabalho do UOL e poder conseguir compartilhar as duas coisas. Ia ser muito legal. Mas vamos ver o que vai acontecer.
Acho que a gente tem uma chance de construir uma empresa gigantesca de comunicação e de informação com a Paramount. Os próximos anos são muito promissores.
Vamos entender o que vai acontecer a partir do próximo contrato e dos próximos contratos, e vamos ver o que vai haver. Eu quero cobrir mais uma Copa do Mundo, se eu puder, se eu tiver saúde.
Então, continuar trabalhando. Poder continuar trabalhando é uma bênção.
As pessoas falam assim: mas como é que você sabe tanta coisa? Eu tenho uma bênção de trabalhar com a coisa que eu amo.
Então, eu passo o tempo inteiro olhando para coisas que estão relacionadas ao meu trabalho.
É diferente se eu fosse economista e minha paixão fosse futebol. Eu teria muito menos tempo para dedicar às informações que podem te surpreender.
E acho que a gente trabalha muito com a surpresa.
Se eu te der uma informação que me surpreenda, se eu buscar uma informação que me surpreende, a chance de te surpreender é muito grande.
Marcel Botelho: PVC, para finalizar, então, gostaria que você convidasse os nossos leitores para acompanhar as quartas de final da Libertadores, também da Sul-Americana no Paramount+.
PVC: Você vai ver, no Paramount+, a gente tem muitos diferenciais.
Um dos diferenciais é que a gente está in loco no estádio, o que nos permite trazer bastidores, clima da cidade, como é que está o estádio, se tem hostilidade, se tem um clima menos forte.
A gente vai trazer tudo sobre as quartas de final, semifinais e finais da Copa Sul-Americana e da Libertadores.
Vem no Paramount+, que você não vai perder uma informação, nenhum detalhe, nenhuma curiosidade.
Marcel Botelho: PVC, muito obrigado por, mais uma vez, reservar esse tempo para nós. Falar com você é uma honra.
PVC: Obrigado, meu caro. É uma honra minha. Valeu, Marcel.
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