O longa-metragem A MEMÓRIA DO CHEIRO DAS COISAS, dirigido por António Ferreira e protagonizado por José Martins e Mina Andala, foi selecionado como candidato de Portugal na categoria de Melhor Filme Internacional na 99ª edição do Oscar, em 2027. A escolha foi feita por meio de votação dos membros da Academia Portuguesa de Cinema.
A seleção representa uma importante conquista para o filme e abre uma nova etapa em sua trajetória internacional. Produzido pela Persona Non Grata Pictures e pela Muiraquitã Filmes, A MEMÓRIA DO CHEIRO DAS COISAS é um drama íntimo que atravessa temas como memória, envelhecimento e possibilidade de reconciliação, a partir de um olhar marcado pela profundidade emocional, pela contenção das interpretações e pela sutileza visual.
Filmado integralmente em Coimbra, com a participação majoritária de profissionais e atores da cidade, o filme mantém uma forte ligação com a comunidade artística local, que contribuiu para sua realização. A escolha para representar Portugal também é motivo de orgulho para essa comunidade, levando o trabalho desenvolvido em Coimbra a uma nova dimensão de reconhecimento.
A trajetória do filme já conta com outras distinções, entre elas o Prêmio de Melhor Ator concedido a José Martins no Festival Internacional de Cinema de Xangai e o Prêmio Sophia de Melhor Ator Protagonista, concedido pela Academia Portuguesa de Cinema.
Com a candidatura portuguesa ao Oscar 2027, A MEMÓRIA DO CHEIRO DAS COISAS dá continuidade a uma trajetória de reconhecimento em Portugal e no exterior, agora com a responsabilidade e o orgulho de representar o cinema português.
O tempo tirou de Arménio a fortaleza do corpo e seu novo lar é uma casa de repouso para idosos. O isolamento e a amargura o afastaram da família e suas relações mais próximas são com os profissionais que cuidam dele. A chegada de Hermínia, sua nova enfermeira, tira as coisas de lugar. Mulher negra, ela destrava traumas e preconceitos do veterano de guerra que aprendeu a reconhecer inimigos pela cor da pele.
Construído como eco do colonialismo na África, A Memória do Cheiro das Coisas, novo filme do português António Ferreira, intercala temas complexos e necessários: envelhecimento, solidão, racismo, redescoberta.
Para o diretor, o personagem lhe permite abordar muitos temas: “Sua relação com o passado é complexa, especificamente com os negros, outrora ‘os inimigos’. Um homem que superou a violência da guerra, acostumado a ser independente, com toda a sua rudeza, se vê agora debilitado e em posição de vulnerabilidade nas mãos de uma mulher negra, tendo que lidar com seus preconceitos, tentando manter um equilíbrio entre sua autonomia e a necessidade de ser cuidado”, explicou Ferreira.
O diretor afirma também que seu filme é uma homenagem aos trabalhadores que dedicam suas vidas a cuidar de outras vidas: “Por esse motivo, imagens ‘documentais’ de asilos reais intercalam a narrativa de ficção”, diz o cineasta. O filme é estrelado por Mina Andala e José Martins, que venceu o prêmio de melhor ator no Festival Internacional de Cinema de Shanghai, na China, onde A Memória do Cheiro das Coisasestreou mundialmente.
“Meu objetivo é que possamos observar os mecanismos por trás de tantos ‘Arménios’ na sociedade portuguesa: toda uma geração de homens atirada para a guerra, vítima de uma lavagem cerebral que desumanizou o negro. Ao ser forçado a esse contato, o outro se humaniza, se torna mais próximo e, em última análise, igual a nós”, conclui.


