sex, 9 outubro 2026

Festival AnimaMedo estreia sua 1ª edição com sessão de longa chileno e debate

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Desejo de longa data do animador, designer e professor de animação do curso de Cinema da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Marcos Buccini, o AnimaMedo teve sua abertura na tarde da última quinta-feira (08), com a exibição do longa chileno ‘A Casa Lobo‘ (2018), dirigido por Cristóbal León e Joaquín Cociña, seguida de um debate sobre a obra, abordando temas como stop-motion, política e cinema de terror.

“Sempre falei muito sobre filmes no meu blog Reanimados, que uso mais como um repositório de filmes, mas sempre quis fazer uma mostra, trazer as pessoas para conhecer mais do cinema animado e de terror, com debates para expandir ainda mais a conversa”, disse Marcos.

Escolhido para a abertura do festival, ‘A Casa Lobo‘ (2018) é uma das produções mais reconhecidas da animação de terror latino-americana. Inspirado na história da Colônia Dignidad, comunidade alemã estabelecida no Chile e marcada por violações de direitos humanos e relações com a ditadura de Augusto Pinochet, o longa acompanha Maria, uma jovem que busca refúgio em uma casa após fugir de uma comunidade religiosa.

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Por meio do stop-motion, a produção transforma constantemente personagens, objetos e cenários, criando uma atmosfera claustrofóbica e perturbadora. A obra utiliza o terror psicológico para explorar questões relacionadas ao autoritarismo, à manipulação e à memória histórica.

Da esquerda para a direita: Ícaro Ricarte, Thiago Rodrigues, Tati Regis e Chia Belloto em debate realizado na abertura do Festival AnimaMedo

Após a sessão, o público participou de um debate mediado por Ícaro Ricarte, com a presença de Tati Regis, pesquisadora independente do cinema de terror; Tiago Rodrigues, mestrando do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM), com pesquisa sobre stop-motion no terror e Chia Belloto, animadora e sócia da Produções Ordinária.

Um dos principais pontos discutidos foi a capacidade do stop-motion de provocar desconforto e insegurança no espectador. “Eles brincam muito e brincam com as regras do stop-motion”, afirmou Tiago Rodrigues, que também relacionou a técnica ao conceito do inquietante, desenvolvido pelo psicanalista Sigmund Freud, no qual elementos familiares passam a provocar estranhamento.

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O debate ainda explorou as diferentes possibilidades da animação como linguagem cinematográfica, destacando como movimentos, texturas e transformações visuais podem construir o horror sem depender necessariamente de sustos ou violência explícita.

Com programação gratuita no Cinema da UFPE, o AnimaMedo busca ampliar o contato do público com diferentes vertentes da animação de terror, reunindo exibições, oficinas e debates. A primeira edição segue nesta sexta-feira (09), com sessões de curtas-metragens, atividades voltadas ao público infantil e uma homenagem aos animadores espanhóis Marc Riba e Anna Solanas.

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Rui Filhohttp://estacaonerd.com
Recifense, cinéfilo e estudante de Cinema desde 2020, graduando em Publicidade e Propaganda. Apaixonado por arte, amante dos esportes, curioso sobre tudo e sempre em busca de algo novo para assistir.