
Em A Morte de Robin Hood, um Robin Hood envelhecido e atormentado por seu passado violento sobrevive por pouco a uma última batalha. Gravemente ferido, ele é acolhido por uma mulher misteriosa que cuida de seus ferimentos, forçando o lendário herói a confrontar os erros e crimes de sua vida.
Esqueça a ideia de bom moço, que ajuda os pobres. O filme dirigido e roteirizado por Michael Sarnoski (Pig) quer apresentar a versão mais sombria do personagem e questionar suas ações. Nos primeiros minutos o filme já subverte e ao invés de vermos a típica apresentação do personagem, vemos ele mesmo falar a outro personagem (leia, para o espectador) que todos os mitos em torno de sua figura são meros mitos, para logo em seguida vermos ele em ação do modo mais cruel possível.
A desconstrução do personagem ocorre de modo quase contemplativo, tendo momentos de embate aqui e ali. Quando eles surgem, mostram o pior lado do personagem. Vemos suas ações de modo cru, sem muito filtro. Essas cenas são muito bem filmadas por Sarnoski. A ambientação é outro ponto de destaque, a fotografia cinza e a paisagem desolada conseguem refletir bem o estado de espírito do protagonista, que é vivido brilhantemente por Hugh Jackman (Logan).

Após o primeiro ato, a produção se dedica em preparar a redenção do protagonista, mas sempre deixando no ar que aquela tranquilidade pode a qualquer momento ruir. Nesse meio tempo surge a participação de Jodie Comer (O Último Duelo) em mais uma ótima atuação, sua personagem funciona quase que como uma guia pelas reflexões que o protagonista faz de suas ações. O último ato é dedicado ao preço pela redenção. Se redimir pelos seus erros é algo nobre, mas a narrativa vai além e explora o preço que se paga ao fazer isso. Uma proposta ousada e certeira.
Hugh Jackman encarna o personagem com unhas e dentes, transmitindo em cada ação a dor e a reflexão do que ele fez. Mais uma excelente ação do ator australiano que consegue, mesmo aos 57 anos, entregar talento e uma fisicalidade impressionante.
A Morte de Robin Hood não é um filme para todos e nem quer ser. Essa é uma obra para aqueles analisar o peso de ações e as consequências. Assistam e vejam uma das melhores adaptações da vida de Robin Hood nos cinemas!


