Crítica | Batman (2022)

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Batman é um dos super-heróis mais aclamados do quadrinhos. O personagem foi criado pelo desenhista Bob Kane e pelo escritor Bill Finger e apareceu pela primeira vez na revista Detective Comics #27 em 1939. De lá para cá o herói já viveu as mais variadas aventuras, nas mais variadas mídias. Só no cinema e TV foram oito atores diferentes que deram vida ao herói e Robert Pattinson assume o manto com a responsabilidade de mostrar um novo lado do herói, além de inaugurar um universo novo no DCEU.

No novo filme, dirigido por Matt Reeves, o diretor consegue criar um novo universo e situar o espectador, logo nos primeiros dez minutos, mostrando qual será a sua pegada para a produção. Além de deixar evidente a influência de Frank Miller na história, o diretor aposta numa trama mais realista e que pouco se encaixa no universo fantástico de filmes de super-herois que vemos atualmente. A nova produção apresenta um jovem Batman que está no seu segundo ano como vigilante de Gotham e Reeves usa essa inexperiência e o trauma do herói para construir as principais características do personagem que é bem diferente das versões vividas por Ben Affleck, Christian Bale e outros atores. O Homem-Morcego apresentado aqui é um homem traumatizado pela perda, sombrio e que carrega consigo uma sede insaciável por justiça para compensar a culpa e remorso que sente. Com essa versão em cena temos um problema para o herói: A Ambiguidade. Essas características casam perfeitamente e engrandecem o Batman vivido por Pattinson, mas essas mesmas características são vistas em Bruce Wayne o que torna Pattinson o Wayne menos carismáticos de todos os já apresentados no cinema. Como parte da trama ele passa como Wayne, a trama nesse momento perde força, pois o espectador não consegue se conectar com o personagem e com suas dores e medos mesmo conhecendo sua história de outros carnavais. O ponto de ruptura ao padrão convencional pode desagradar alguns, pois sempre foi feita uma abordagem que explorava a pessoa por trás da máscara e aqui a idéia é mostrar que Wayne é a máscara.

Outro problema da trama é que, devido a ambiguidade citada, o longa depende dos demais personagens secundários para prosseguir e conquistar. Do trio composto por Jeffrey Wright, Paul Dano e Zoë Kravitz apenas o primeiro consegue conquistar verdadeiramente o público com suas ações. Paul Dano vive um charada que mais assombra pela consequência de suas ações, do que pela sua presença. Quando interage diretamente com o herói, os trejeitos do ator lembram muito o Coringa de Heath Ledger e não causam o mesmo impacto. Kravitz tem uma boa química com Pattison, mas carece de voz própria na trama, sendo uma femme fatale interessante, mas não tão marcante. Mesmo assim o elenco cumpre o seu papel e convence na hora da ação.

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O jogo de gato e rato proposto pelo roteiro escrito por Reeves, Peter Craig (12 Heróis) e Mattson Tomlin (Power) mostra uma versão detetive do herói, que deduz suas respostas a partir da observação e isso se alonga demais em algumas situações que poderiam ser encurtadas. A investigação acontece de modo linear e não temos nenhum Plot Twist ou reviravolta – o que não é um demérito – mas se a trama é simples, o filme poderia ser mais objetivo em suas conclusões. No quesito técnico, aqui não existe falha nenhuma na produção criada por Reeves: Tudo é feito com esmero e atenção aos detalhes. As cenas de ação são absurdamente bem dirigidas e coreografadas. Prepare-se para assistir a uma das melhores cenas de perseguição automobilística já feitas no cinema, que usa e abusa de ângulos incomuns para presentear os fãs com um verdadeiro show. A fotografia é espetacular e a mistura de tons e cores é um deleite visual digno dos quadrinhos. A trilha sonora é impactante é inserida nos momentos chaves para engrandecer as cenas vistas.

Se houver justiça nesse mundo, em 2023 o filme irá vencer o Oscar de Melhor Maquiagem, as próteses usadas em Colin Farrel, para construir o Pinguim são extremamente realistas e dignas de premiação.

Tudo tecnicamente é bem feito, mas a escolha de um ritmo cadenciado para contar a história pode incomodar os que clamam por mais urgência nas cenas, mas tudo isso é justificado pela construção do universo no qual o filme se passa, dos personagens e das suas interações. O terceiro ato no quesito ação é recheado e não deve decepcionar os fãs, que clamam por cenas mais elaboradas.

Batman é o primeiro passo para uma nova franquia que deve ser confirmada em breve. A sede de vingança do homem-morcego ficou apenas no papel, mas o filme serve como um bom cartão de visita para outras aventuras do herói no cinema.

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