qua, 18 maio 2022

Crítica | Belfast

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Essa crítica foi escrita por Matheus Simonsen. Siga ele nas suas redes sociais: Instagram

Em quase toda temporada de premiações, um filme desponta como favorito desde a janela de festivais e, desta vez, o escolhido foi Belfast. Infelizmente o hype de “favorito ao Oscar” construído em torno do filme pode tê-lo prejudicado consideravelmente.

Não tem sido incomum nos últimos anos cineastas contarem histórias semiautobiográficas, ao exemplo de Lady Bird: A Hora de Voar (2017) de Greta Gerwig”, Roma (2018), de Alfonso Cuarón, e Dor e Glória (2019), de Pedro Almodóvar. Nesse sentido, Belfast pode ser um ponto de virada para Kenneth após dirigir filmes medianos como sua versão de Assassinato no Expresso do Oriente (2017) e outros péssimos como Artemis Fowl, o diretor fez um bom trabalho, mas que, infelizmente, desperta grandes conexões.

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Na trama, o diretor revisita sua infância ao dramatizar a vida de uma família na Belfast do final dos anos 1960, justamente quando a Irlanda era sacudida pelo início da pior fase dos confrontos entre católicos e protestantes – época da história irlandesa conhecida como “The Troubles”.

Tem-se, então, um pano de fundo complexo sustentado em uma linha narrativa intimista (a do olhar infantil), o que acaba, neste caso aqui, fragilizando muito a base do filme. É compreensível a escolha de Branagh pela simplicidade – deixar de lado esse contexto brutal em função de uma perspectiva pura de uma criança que não entende o peso daqueles acontecimentos que a rodeiam -, mas isso acaba afetando várias cenas que deveriam provocar impacto e terminam por se tornar apenas simpáticas aos olhos.

Apesar da leitura artificial, mascarada pela desculpa de ser um filme íntimo do diretor, Belfast tem seus bons momentos. As cenas do menino com sua família indo ao cinema, tendo as primeiras emoções, utilizando a tela grande – e a TV – como refúgio, inspiração e como uma pausa para todo aquele caos presenciado pela família – algo que, em certa medida, lembra o clássico Cinema Paradiso (1988). Os momentos de humor também são muito funcionais, beneficiando-se de toda aquela doçura do olhar do menino Buddy (o muito talentoso Jude Hill) que passa bem essa pretensa sensação de leveza.  funciona, te passa uma sensação leve e bonita.

A transição entre o preto e branco da fotografia muto bem executada de Haris Zambarloukos e o colorido de imagens pontuais potencializa a magia de cenas-chave – sobretudo na cena do teatro, um desses momentos inesquecíveis na vida do garoto.

Belfast é uma pequena homenagem a uma cidade, aos seus habitantes e a uma época, e tudo conduzido ao som de belas canções de Van Morrison e por um belo trabalho visual. Enquanto outros diretores citados fizeram um trabalho mais impactante ou envolvente com seu passado, Branagh opta por uma simplicidade de boas intenções que, no entanto, não sobrevive ao tamanho das expectativas criadas.

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