ter, 4 agosto 2026

Crítica | Champagne: uma viagem de pai e filho

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Existe um gênero muito prolífico no cinema mundial: as dramédias familiares de reconexão entre pai e filho, mãe e filha, e outras combinações possíveis. Não é difícil se deparar com uma obra com essas características nos cinemas todos os anos. Algumas se destacam pela terna relação construída entre os personagens e por estes, por sua vez, serem carismáticos.

Champagne: uma viagem de pai e filho, de Tim Kamps, entra nesse hall de gêneros, caminhando numa linha muito tênue no que deseja provocar. Surgindo como um filme homenagem ao pai do diretor, que faleceu sem que eles pudessem fazer a viagem juntos, o longa-metragem coloca os arquétipos de pai e filho com suas diferenças desde seus primeiros minutos e, como centro da narrativa está o encontro emocional entre ambos durante essa viagem para a região de Champagne, na França.

O filme trabalha bem ao trazer os momentos mais catárticos e emocionantes no registro do gesto. É no olhar, no toque que quebra o gelo ou no silêncio compartilhado no banco do passageiro que a obra molda seu drama. Kamps, ainda que opte por uma decupagem formulaica, tem bons momentos filmando o não dito, permitindo que a corporalidade dos atores conduza as cenas em que a linguagem verbal falha. Esse afeto vulnerabilidade resgatam o longa do lugar comum, conferindo um peso real à dor da perda e ao desejo represado de reconciliação.

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Entretanto, essa força frequentemente esbarra em uma decisão de ritmo que parece responder mais às exigências de mercado do que às necessidades internas da história. A montagem parece querer resumir essa reunião de pai e filho em enxutos 90 minutos para alcançar o grande público. Há um apressamento visível entre os conflitos para manter a narrativa dinâmica, fluida e palatável. De certo modo, essa escolha comercial provou-se certeira, pois o longa alcançou um enorme apelo popular e se consolidou como uma das maiores bilheterias holandesas do ano.

Contudo, essa busca desenfreada pela concisão cobra o seu preço artístico. Ao estruturar a montagem em cima dessa necessidade, sacrificam-se alguns bons momentos de humor que poderiam sublinhar tanto o desencontro quanto o encontro emocional entre pai e filho. As hesitações, as piadas e as situações embaraçosas que inevitavelmente surgem em uma viagem de estrada acabam perdendo espaço para um desenvolvimento mais apressado dos arcos dramáticos.

Ainda assim, apesar dos cortes que desidratam parte da complexidade dessas interações, o longa não perde totalmente a sua força de contágio. Ele equilibra a sua vocação comercial com a dor que motivou a sua criação. Champagne: uma viagem de pai e filho pode até preferir o caminho mais seguro da acessibilidade em detrimento da exploração das suas nuances, mas o afeto que o move permanece visível até o final.

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Destaque

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