ter, 20 outubro 2026

Crítica | Chicas Tristes

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Duas melhores amigas, Maestra e Paula, vivem suas vidas com a típica alegria inocente da adolescência. Os primeiros minutos do filme dedicam-se justamente a enfatizar a leveza da juventude dessas chicas que (ainda) não são, nem querem ser tristes. Essa introdução carregada de descontração é essencial para contrastar com o tom assumido pela obra após uma delas sofrer violência sexual.
Superficialmente, nada parece ter mudado em suas vidas, elas continuam frequentando os mesmos lugares, praticando os mesmos esportes e ainda falam sobre alguns dos mesmos assuntos – a prova de biologia, a tão planejada viagem para o Brasil, as cartas de tarô e a competição de natação. Porém nos detalhes, tudo está drasticamente diferente, inclusive no relacionamento de uma com a outra.

A diretora retrata como cada uma dessas jovens lida com esse evento traumático: Maestra quer justiça, para isso tenta fazer a amiga se abrir e desabafar, enquanto Paula prefere desconversar, demonstrando dificuldade para entender e encarar o peso do ocorrido com ela. Apesar das divergências, o vínculo feminino entre elas é essencial para o enfrentamento daquela tragédia. A dor compartilhada não dói menos, mas é mais facilmente suportada.

Há beleza de ver a união feminina sendo retratada com tanta sensibilidade em tela, desconstruindo o estereótipo da rivalidade entre mulheres. Elas não necessitam de serem perfeitas ou acertarem a todo tempo, apenas precisam estar lado a lado, demonstrando empatia e acolhimento. São humanas e demasiadamente inexperientes, sem contar que nem sempre há uma resposta certa nesses casos.

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O desfecho acerta por não ser nem catastrófico demais, a ponto de colocar a garota no papel de vítima incapaz de seguir em frente, nem excessivamente feliz, como se tudo fossem flores. Dessa forma, o acontecido é tratado com a devida seriedade, sem dar a ele o poder de definir definitivamente a vida daquela menina, tornando-a muito maior do que seu agressor. No final, ela não será condenada a ser eternamente una chica triste. Assim como no eclipse, a lua não consegue esconder o brilho do sol por muito tempo e a escuridão é passageira.

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Raíssa Sanches
Raíssa Sancheshttp://estacaonerd.com
Formada em direito e apaixonada por cinema
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