Enquanto o cinema existir, saiba que todo ano terá um filme do Jason Statham em um filme de ação. Desta vez, ele estrela a obra do diretor francês Jean-François Richet, conhecido por dirigir ‘Missão de Resgate’ (2023) e ‘Blood Father – O Protetor’ (2016). O elenco do filme conta também Annabelle Wallis, conhecida por ‘Annabelle’ (2014) e ‘Maligno’ (2017).
Após a morte de Tibu (interpretado por Ramon Tikaram), Cole Reed (interpretado por Jason Statham) precisa fugir para escapar da polícia e conseguir vingança de quem matou seu ex-chefe.
Acho que o primeiro grande ponto desse filme é a sua duração. ‘Código: Vingança’ sofre demais com dramas e linhas de raciocínio que não se completam ou são forçadas em tela. Alguns elementos da história são citados mas no decorrer do filme, esquecidos, e só retornam em momentos oportunos. O roteiro em si possui uma história complexa, incluindo máfia, tráfico humano, uma mãe que está com saudade do filho e uma família bilionária pensando no futuro. Não há muita imersão que faça ignorar essas questões pois não há desenvolvimento.
Contudo, as cenas de ação realmente funcionam e são bem criativas em como é utilizada a câmera e o ambiente do navio em que se passa grande parte do filme para criar uma tensão interessante. Jason Statham atua bem, dentro do personagem que é sua marca registrada, mas acredito que neste filme ele está mais concentrado com suas emoções, especialmente nos momentos em que envolvem os reféns que estão no navio.

O problema é que essa tentativa de criar algo maior do que apenas um filme de ação acaba esbarrando na própria narrativa. ‘Código: Vingança’ parece ter muitas histórias para contar e pouco tempo para desenvolvê-las. Quando finalmente chega em alguma resolução, a sensação é de que estamos apenas acompanhando peças sendo movimentadas para que a próxima sequência de ação aconteça. É um filme que funciona melhor quando deixa Statham fazer aquilo que sabemos que ele faz bem, correndo, lutando e utilizando o ambiente ao seu redor, do que quando tenta construir uma conspiração cheia de personagens e relações que não conseguem ter o mesmo impacto.
Ainda assim, Jean-François Richet demonstra entender muito bem como trabalhar o espaço. O navio não é apenas um cenário, mas praticamente um personagem durante boa parte da história. Corredores estreitos, diferentes níveis, salas pequenas e espaços abertos são utilizados para criar situações de combate que fogem um pouco do tradicional. A câmera acompanha Statham de maneira bastante próxima e transforma cada ambiente em uma possibilidade diferente para a ação. Quando o filme está preocupado em criar esse tipo de sequência, existe uma energia que funciona bastante bem e justifica sua existência.
No fim, ‘Código: Vingança’ é exatamente aquilo que parece ser: mais um filme de ação de Jason Statham. Não existe necessariamente um problema nisso, principalmente quando o ator continua demonstrando carisma e presença suficientes para carregar esse tipo de produção. O problema está na tentativa de transformar uma história simples de vingança em algo muito maior, criando núcleos e conflitos que não recebem o desenvolvimento necessário. É um filme que encontra sua melhor versão quando simplifica tudo e deixa Statham fazer o que sabe fazer.


