Após um acidente derrubar seu avião nas implacáveis paisagens do Alaska, um solitário piloto das forças armadas, James (Brad Pitt), e seu fiel cachorro, Odin, precisam encontrar meios de sobreviver em meio às adversidades da natureza, enquanto buscam por uma rota segura de volta à civilização. O animal, treinado pelo exército americano para ser um cão de combate, compreende comandos básicos, realizando as mais diversas tarefas, além de oferecer companhia e conforto para seu tutor. Ambos profundamente traumatizados pelas violências presenciadas durante os anos de serviço em zonas de guerra, um auxilia o outro tanto física quanto emocionalmente.
A dinâmica da dupla é fofa, vez ou outra até consegue ser engraçadinha, o ator é notório por ser uma figura carismática na frente das câmeras e o cachorro, Uber, não deixa a desejar em nada. A questão é a completa falta de capacidade do diretor, David Ayer (Esquadrão Suicida) para explorar o relacionamento dos dois. Durante uma hora e quarenta minutos – que parecem intermináveis – o filme repete o mesmo ciclo: coloca seus personagens em uma situação perigosa durante o dia e, na cena seguinte, eles dormem e são assombrados pelos pesadelos das épocas de batalha. As (poucas) ideias são incansavelmente reforçadas, não bastassem os sonhos repetidos, o protagonista humano verbaliza em mais de uma ocasião os traumas enfrentados para enfatizar se tratarem de seres atormentados por stress pós-traumático. É praticamente um laudo psiquiátrico em formato de longa-metragem.

No mais, a obra não tem absolutamente nada a oferecer. Tenta criar suspense, várias vezes, quanto a incolumidade física do cachorro e até chega a sugerir sua morte, sendo nada efetivo o drama, nem a tentativa de tensão, afinal o prologo, que se passa dias antes dos eventos principais, mostra o animal vivo – e isso não é um spoiler, por se tratar justamente da abertura. Uma cena inaugural sem propósito algum acaba por atrapalhar a construção do mistério em torno da sobrevivência do personagem com qual mais nos importamos. Falta cadência narrativa, mesmo diante de uma premissa tão simples.
Nem para se consolidar como um filme de sobrevivência no qual a astúcia dos envolvidos os faz pensar em soluções inventivas para lidar com os percalços. Não, tudo é resolvido na base do improviso: ou por mágica, ou por sorte, ou, na pior das hipóteses, fita adesiva! O problema não está na falta de verossimilhança, mas na falta de criatividade para lidar com ela. Até mesmo visualmente, o longa não tem nada a oferecer além de um pouco de câmera tremida ocasionalmente, para emular desespero.

Não bastasse a redundância que permeia todo o enredo, o desfecho dessa história ainda se dá por meio de uma carta na qual tudo aquilo já previamente explicado mais de uma vez é novamente reiterado por meio de um longo monólogo expositivo, ilustrado por flashbacks! Vale tudo para reforçar, de forma nada sutil, a mensagem sobre a importância de resgatar e cuidar dos animaizinhos. É louvável a boa intenção, só faltou existir um filme em torno dela.


