qua, 23 setembro 2026

Crítica | Coração Selvagem

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Após um acidente derrubar seu avião nas implacáveis paisagens do Alaska, um solitário piloto das forças armadas, James (Brad Pitt), e seu fiel cachorro, Odin, precisam encontrar meios de sobreviver em meio às adversidades da natureza, enquanto buscam por uma rota segura de volta à civilização. O animal, treinado pelo exército americano para ser um cão de combate, compreende comandos básicos, realizando as mais diversas tarefas, além de oferecer companhia e conforto para seu tutor. Ambos profundamente traumatizados pelas violências presenciadas durante os anos de serviço em zonas de guerra, um auxilia o outro tanto física quanto emocionalmente.      

A dinâmica da dupla é fofa, vez ou outra até consegue ser engraçadinha, o ator é notório por ser uma figura carismática na frente das câmeras e o cachorro, Uber, não deixa a desejar em nada. A questão é a completa falta de capacidade do diretor, David Ayer (Esquadrão Suicida) para explorar o relacionamento dos dois. Durante uma hora e quarenta minutos – que parecem intermináveis – o filme repete o mesmo ciclo: coloca seus personagens em uma situação perigosa durante o dia e, na cena seguinte, eles dormem e são assombrados pelos pesadelos das épocas de batalha. As (poucas) ideias são incansavelmente reforçadas, não bastassem os sonhos repetidos, o protagonista humano verbaliza em mais de uma ocasião os traumas enfrentados para enfatizar se tratarem de seres atormentados por stress pós-traumático. É praticamente um laudo psiquiátrico em formato de longa-metragem.

No mais, a obra não tem absolutamente nada a oferecer. Tenta criar suspense, várias vezes, quanto a incolumidade física do cachorro e até chega a sugerir sua morte, sendo nada efetivo o drama, nem a tentativa de tensão, afinal o prologo, que se passa dias antes dos eventos principais, mostra o animal vivo – e isso não é um spoiler, por se tratar justamente da abertura. Uma cena inaugural sem propósito algum acaba por atrapalhar a construção do mistério em torno da sobrevivência do personagem com qual mais nos importamos. Falta cadência narrativa, mesmo diante de uma premissa tão simples.

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Nem para se consolidar como um filme de sobrevivência no qual a astúcia dos envolvidos os faz pensar em soluções inventivas para lidar com os percalços. Não, tudo é resolvido na base do improviso: ou por mágica, ou por sorte, ou, na pior das hipóteses, fita adesiva! O problema não está na falta de verossimilhança, mas na falta de criatividade para lidar com ela. Até mesmo visualmente, o longa não tem nada a oferecer além de um pouco de câmera tremida ocasionalmente, para emular desespero.

Não bastasse a redundância que permeia todo o enredo, o desfecho dessa história ainda se dá por meio de uma carta na qual tudo aquilo já previamente explicado mais de uma vez é novamente reiterado por meio de um longo monólogo expositivo, ilustrado por flashbacks! Vale tudo para reforçar, de forma nada sutil, a mensagem sobre a importância de resgatar e cuidar dos animaizinhos. É louvável a boa intenção, só faltou existir um filme em torno dela.

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Raíssa Sanches
Raíssa Sancheshttp://estacaonerd.com
Formada em direito e apaixonada por cinema
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