Crítica | Coringa

Ousado! Cruel! Chocante! Instigante! Esses são alguns dos adjetivos que podemos usar para descrever o novo trabalho de Todd Phillips (Se Beber, Não Case!).

Coringa ao contrário do que algumas críticas disseram não é “um soco na boca do estômago” dos espectadores; Coringa é um tiro de escopeta a queima roupa! Um filme que toca em todas as feridas da sociedade e que joga sal em cima delas. Uma obra hipnotizante, que utiliza da violência para mostrar o escárnio do mundo atual. O longa vem para impactar e fazer o público refletir sobre a sociedade e sobre as suas próprias atitudes com o próximo. Um liquidificador de referências cinematográficas e dos quadrinhos, Coringa vem para marcar a história do cinema e para marcar você também!

Como citado antes Coringa possui diversas referências cinematográficas nas quais se inspira para assim contar sua história. Podemos citar como “fontes de inspiração” o clássico “O Rei da Comédia” (de Martin Scorsese), “Uma Noite de Crime” e “V de Vingança”; mas calma, os quadrinhos também são lembrados e “A Piada Mortal” é a maior fonte de referências de todas nesse longa. Toda essa mistura de referências tem um objetivo: criticar a sociedade. Mostrando temas como bullyng, busca excessiva pela fama e o desprezo da sociedade pelos menos afortunados, de modo muito atual e cruel. Para isso usa-se a figura de Arthur Fleck, homem humilde com problemas psicológicos e com uma vida familiar em ruínas. Para piorar tudo isso a sociedade (colegas de trabalho e demais pessoas) o desprezam e fazem chacota do mesmo. “Só é preciso um dia ruim para reduzir o mais são dos homens a um lunático”. O que você acha que uma vida inteira ruim pode fazer? Bom a resposta está aqui nesse longa.


O filme em momento algum usa as atitudes – abomináveis – que o Coringa tem durante o filme como algo glamouroso ou um exemplo a ser seguido. Pelo contrário, o longa aborda tudo sempre destacando que o protagonista possui problemas e o próprio destaca isso em uma cena na qual diz “que não faz o que faz pela politicagem e nem para ser seguido”. O problema do filme, que é mais um ingrediente para se refletir, é que o lado sombrio do personagem ganha o apoio da população de Gotham, que não aguenta mais ser pisada e menosprezada. Isso gera um problema de interpretação, que só pode ser respondido por quem assiste, e, por essa razão o longa ganhou ares polêmicos, que não serão comentados aqui – mas vocês podem ver nesse vídeo do nosso canal.

A atuação de Joaquin Phoenix é tão magnética e magistral que ela faz com que os demais atores sejam apenas meros figurantes no filme. Robert de Niro e os demais são ofuscado por Phoenix! Em seu físico o ator já mostra as mazelas que seu personagem trás consigo. A risada do personagem é carregada de dor e sofrimento e te deixará angustiado com o passar do tempo. Você em alguns momentos irá rir, mas será de puro nervosismo. Inicialmente até conseguimos criar empatia pelo personagem, porém ao entendermos a espiral de loucura que se passa na mente dele, vemos o Coringa de Phoenix como um ser imprevisível e sádico. O Coringa aqui é complexo, humano e arrisco a dizer tão bom quanto ou até melhor que o Coringa interpretado por Heath Ledger em O Cavaleiro das Trevas.

O caos existente em Arthur Fleck é criado pelo roteiro de Scott Silver (O Vencedor) em parceria com o próprio Phillips, de modo singular. Ele nos faz entender as angústias e desejos do protagonista, nos levando a acompanhar de perto suas dores, frustrações e loucura. Prepare-se para em alguns momentos ficar na ponta da cadeira. O roteiro aliado pela ótima montagem beira a perfeição. A escolha por uma montagem elíptica nos faz duvidar constantemente daquilo que vemos e isso é de enlouquecer (no bom sentido). Vale destacar também neste longa a trilha sonora que agrega bastante as cenas e combina demais com o perfil do personagem, destaque para a última canção do longa.

Coringa é um filme impactante, não apenas por sua violência gráfica, mas por mostrar de modo cruel e realista certas dores que a sociedade constantemente ignora. Prepare-se para sorrir, sentir medo e indignação ao mesmo tempo ao ver esse filme. Seja pelo modo sombrio que Todd Phillips comanda essa história ou pela atuação assombrosa de Joaquin Phoenix no papel do icônico vilão do Batman. Coringa é um filme obrigatório para os fãs dos quadrinhos e para os amantes do cinema. Coloque o seu melhor sorriso e corra pro cinema. HAHAAHAHAHAHAHA!!!

Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
O pagode anos 90 moldou meu caráter.

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