
Little Brother é uma comédia da Netflix onde um corretor de imóveis rígido e bem-sucedido (John Cena) tem sua rotina virada de cabeça para baixo quando reencontra o “irmãozinho” caótico do seu passado (Eric André), após um acidente inesperado.
O diretor Matt Spicer (Ingrid Goes West) constrói uma narrativa caótica sobre a reaproximação de dois amigos/irmãos. De início é meio confuso como a relação dos protagonistas existe e qual o motivo da reaproximação, mas com o tempo o roteiro escrito pela dupla
Jarrad Paul (Allen Gregory) e Andrew Mogel (Sim Senhor!) revela as intenções dos personagens e o objetivos da reaproximação. Além disso, a produção aproveita o primeiro ato para apresentar a personalidade da dupla de protagonistas e os dramas encarados por eles. Além de definir o tom do projeto, que explora muito a fisicalidade e o escárnio para fazer humor. O que funciona bem em diversos momentos.
A dinâmica entre os protagonistas rende boas situações, especialmente porque John Cena (Pacificador) assume o papel do sujeito certinho enquanto Eric André (Bad Trip) é o senhor do caos, com boas intenções. As piadas surgem naturalmente e a química entre os atores é suficiente para arrancar risadas mesmo quando algumas piadas são previsíveis. Cena tem um ótimo timing cômico e André se entrega de corpo e alma ao peculiar personagem. Além disso, o elenco esbanja carisma e conquista o público.

O problema do filme reside quando, de modo brusco, a produção troca o humor nonsense por um sentimentalismo barato e clichê. Em vez de aprofundar os conflitos gerados, o roteiro recorre a convenções já exploradas em produções do gênero para resolver os problemas. A mudança de tom enfraquece as piadas e o drama.
Little Brother é uma comédia nonsense que diverte pelo caos da situação e pelo seu elenco carismático. Mas decepciona ao tentar desenvolver um drama edificante. A mistura de gêneros soa forçada e prejudica essa divertida relação de irmãos/amigos.


