
O aspirante a ator Simon Williams tenta decolar na carreira quando conhece Trevor Slattery, um veterano em decadência. Ao saber que o lendário diretor Von Kovak planeja refazer o filme “Wonder Man”, os dois veem a chance de mudar de vida. A produção dirigida e criada por Destin Daniel Cretton (Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis) com roteiro de Jonathan Igla (Gavião Arqueiro) é muito mais do que mais uma peça da grande engrenagem do MCU.
O primeiro diferencial desta produção em relação a outras produções da Marvel, é que esta produção não quer resolver grandes mistérios, conspirações ou salvar o mundo. Pelo contrário o protagonista da série renega ao máximo o papel de herói. Ele quer apenas viver sua vida e viver de sua arte. Ao fazer isso, a produção cria um microcosmo que possui certas influências do MCU, mas não depende tanto dele para contar sua história, algo que agrada muito. A história possui dois eixos centrais: o primeiro é mostrar como funciona a indústria cinematográfica. O espectador é convidado a entender o que é o ato de atuar. Acompanhamos o preparo do protagonista, os seus anseios, duvidas, discussões e elaborações para dar vida a um personagem. Somos inseridos em um documentário sobre o dia a dia da vida de um ator e isso nos faz compreender o protagonista. O segundo eixo é a relação de amizade entre dois homens que foram destruídos por seus segredos. Cada um a seu modo, esconde fatos e verdades, o que torna a relação entre os personagens centrais uma verdadeira bomba relógio.

Trevor Slattery, vivido por Ben Kingsley (Homem de Ferro 3) e Simon Williams, interpretado por Yahya Abdul-Mateen II (Aquaman) constroem uma relação incrível em tela. Essa é uma das melhores duplas de personagens da história do MCU. A relação entre eles é amistosa e surge de modo natural. Mesmo com alguns tropeços aqui e ali por erros do passado, ambos os personagens conseguem interagir e apreder um com o outro, se ajudando sempre que é preciso. A narrativa não linear da história ajuda a compreender as motivações de cada personagem e também dá ritmo a história, que carece de cenas de ação. Elas existem, mas são pontuais e são bem feitas, não deixando nada a desejar quando comparadas com outras produções do gênero.
Magnum é um estudo de personagem e um estudo sobre a arte. Se você deseja ver cenas de luta ou efeitos especiais nem veja essa produção, mas caso queira ver algo diferente da famosa “fórmula Marvel”. Está é a produção perfeita para maratonar. Que Trevor Slattery e Simon Williams deem as caras o quanto antes no MCU. Vale muito a pena ver mais dessa dupla em ação.


